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01/07/2020 19:08 -03

Número de casos novos de covid-19 no Brasil dispara em duas semanas, e mortes batem 60 mil

País está há 5 semanas no topo do ranking de novas infecções pelo novo coronavírus no mundo.

O Brasil bateu a triste marca de 60 mil mortes decorrentes de covid-19. Segundo balanço do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), 1.038 óbitos foram confirmados nas últimas 24 horas, e agora são 60.632 vítimas do novo coronavírus. São 1.448.753 casos confirmados, de acordo com os dados coletados até às 18h desta quarta-feira (1º).

Boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta mostra que o Brasil continua na liderança no ranking de casos novos de covid-19 no mundo. Na semana epidemiológica de 21 a 27 de junho, foram registradas 246.876 novas infecções, um salto em relação às duas últimas semanas, quando parecia haver uma estabilização da curva de contaminados no País.

O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia, diz que não é possível afirmar categoricamente que esse aumento de casos é “reflexo direto de uma decisão do gestor local [por reabertura das atividades econômicas]”. Ele afirma que a decisão por maior isolamento social nas regiões com crescimento de infecções, como Sul e Centro-Oeste, não cabe ao Ministério da Saúde, mas sim a governadores e prefeitos.

O boletim desta quarta aponta também que infecções nos Estados Unidos voltaram a avançar na semana de 14 de junho, e foram 246.088 novos diagnósticos do dia 21 ao 27. Os EUA estão agora em 2º lugar em número de novos casos, muito próximo do Brasil.

Reprodução/Ministério da Saúde
Gráfico mostra Brasil há 5 semanas no topo do ranking de novos casos de coronavírus no mundo.
Reprodução/Ministério da Saúde
Desde a semana de 7 de junho, há maior aceleração no contágio por novo coronavírus no Brasil.

Em relação às mortes, o pico da pandemia no Brasil mantém a forma de platô, conforme a imagem do gráfico a seguir. O número de novos óbitos varia de 6.821 a 7.094 por semana desde 24 de maio.

“Com passar das últimas semanas, existe uma certa estabilização do total de mortes, independentemente do crescimento”, avalia o secretário de Vigilância em Saúde. Segundo ele, alguns hospitais de campanha já estão sendo desmontados devido à evolução dos óbitos nas grandes cidades.

Reprodução/Ministério da Saúde
Gráfico mostra estabilização no número de novas mortes por covid-19 no Brasil.

Nesta terça-feira (30), a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) alertou que o pico da pandemia no Brasil será em agosto. O secretário de Vigilância em Saúde não quis endossar essa previsão, mas frisou a “influência da sazonalidade” na doença.

“No período de inverno, você tem um quantitativo maior de doenças respiratórias. Como o inverno no Brasil vai até mais pra frente um pouco, meados de setembro e outubro, há uma maior incidência de influenza, de síndromes respiratórias como um todo”, explicou Arnaldo Correia.

O mais recente boletim epidemiológico confirma a tendência de interiorização da covid-19 no Brasil. Além da curva ascendente de casos no interior e descendente nas capitais, a semana de 21 de junho foi a primeira em que o número de mortes no interior superou as capitais.