Como convencer seus filhos a parar de tocar o rosto com as mãos

Diante do surto de coronavírus, especialistas compartilham conselhos para os pais de crianças pequenas.
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Há várias coisas pequenas que os pais podem fazer para incentivar seus filhos a não tocar o rosto com frequência. 

Enquanto os casos confirmados de coronavírus continuam a aumentar em todo o mundo, as pessoas estão tomando as medidas que podem para evitar contrair a covid-19. Por enquanto, o conselho médico principal é lavar as mãos e evitar tocar o rosto.

Há maneiras de reduzir o número de vezes que tocamos o rosto todos os dias, mas romper esse hábito totalmente é sem dúvida difícil para a maioria das pessoas. Dada a dificuldade dos adultos, tentar impedir crianças a não colocar as mãos no rosto parece um esforço fadado ao fracasso.

Enquanto eu me preocupo em não tocar meu rosto, fico vendo meu filho e todas as outras crianças tocar praticamente toda superfície que existe no mundo sem pensar duas vezes.

Ministério da Saúde: Não toque seu rosto
Eu falando com meu filho a cada 20 minutos:

“Essa é difícil”, disse a especialista em comportamento cognitivo Denise Cummins quando o HuffPost perguntou se ela tinha algum conselho a dar aos pais que querem incentivar seus filhos a superar o hábito. “Tentar controlar a energia inquieta das crianças geralmente é um esforço inútil.”

Mas há coisas pequenas que os pais podem tentar, mesmo assim. A seguir, veja dicas de Cummins e dois outros especialistas de como convencer seus filhos a não tocar o rosto, além de outras coisas que vocês podem fazer agora para permanecer saudáveis.

Use reforços positivos

As crianças tendem a reagir melhor a reforços positivos que a críticas ou correções.

“Os pais precisam elogiar a criança quando ela não está tocando o rosto. Isso é mais importante do que impedi-la de tocar o rosto. Dizer a seu filho ‘muito bem, você não está tocando o rosto com as mãos’ tem efeito melhor do que mandá-lo parar de tocar o rosto”, explicou Paul DePompo, psicólogo.

Os pais podem oferecer pequenos incentivos a seus filhos para premiá-los por não tocarem o rosto – coisas como adesivos, brinquedos, doces ou até tempo extra diante de telinhas.

Como destacou DePompo, afirmações verbais também ajudam a reforçar os bons comportamentos.

“Quando os pais dizem ‘gosto de onde estão suas mãos agora’, quando estão abaixadas, ou ‘acho ótimo que você não está tocando o rosto agora’, os filhos se conscientizam do que não devem fazer”, explicou a psicóloga Sanam Hafeez, de Nova York.

Chame a atenção deles quando estiverem fazendo

Reforços positivos são importantíssimos, mas os pais também podem ajudar os filhos a tomar mais consciência dos seus comportamentos, simplesmente apontando para eles.

“Será muito difícil levar as crianças a parar totalmente de tocar o rosto, mas os mesmos exercícios que funcionam com adultos podem funcionar com as crianças. E o primeiro deles é o mindfulness, ou seja, prestar atenção”, disse Hafeez.

<i>Quando se trata de reduzir comportamentos prejudiciais, as crian&ccedil;as tendem a reagir melhor a refor&ccedil;os positivos.</i>
Quando se trata de reduzir comportamentos prejudiciais, as crianças tendem a reagir melhor a reforços positivos.

“Se você chamar a atenção de seu filho gentilmente cada vez que o ver tocando o rosto, com o tempo será criada uma reação condicionada – ele vai tirar a mão do rosto”, ela explicou.

Os pais podem dar o exemplo, com seu próprio comportamento, para ajudar seus filhos a tomar mais consciência da meta de reduzir o hábito. Eles podem falar dos métodos que estão usando para tocar o rosto com menos frequência e de como se recompensam quando alcançam metas incrementais nesse sentido.

Dê outra coisa para a criança tocar

Como é o caso dos adultos, as crianças que estiverem de mãos vazias podem sentir-se mais tentadas a tocar o rosto.

“Minha sugestão é dar à criança alguma coisa para segurar ou com a qual mexer, porque isso a impedirá de tocar o rosto”, disse Cummins.

“Sempre é melhor tentar substituir um comportamento problemático por outro comportamento, em vez de apenas pedir à criança para NÃO fazer determinada coisa. Inibir ações é algo que requer um córtex pré-frontal plenamente funcional, e o córtex pré-frontal só atinge seu desenvolvimento pleno por volta dos 25 anos de idade.”

Explique a seu filho o que são micróbios

“Se a criança já tiver pelo menos 3 anos de idade, você pode começar a lhe explicar o conceito dos germes e de como eles se espalham quando você toca o rosto. Da mesma maneira, pode lhe explicar a importância de colocar o cotovelo diante do nariz ao espirrar”, disse Hafeez.

Existem muitas maneiras de ensinar às crianças o que são micróbios, incluindo com brincadeiras e atividades divertidas. Quando você explica a razão por que está pedindo que seu filho pare de tocar o rosto, isso o deixa mais envolvido no processo e lhe dá um incentivo a mais para alcançar aquela meta.

<i>Os pais podem explicar a seus filhos o que s&atilde;o micr&oacute;bios e como eles se espalham.</i>
Os pais podem explicar a seus filhos o que são micróbios e como eles se espalham.

Insista na lavagem de mãos

Em última análise, lembre que crianças sempre serão crianças (ou seja, “monstrinhos” que colocam as mãos em todo lugar e estão cheias de micróbios). Portanto, não se estresse se seu filho não conseguir milagrosamente começar a conservar as mãos longe do rosto sempre.

“As crianças pequenas tocam as coisas. Colocar as mãos na boca é uma coisa que elas sempre fazem”, disse ao HuffPost Mark Reinecke, diretor clínico e psicólogo sênior do Child Mind Institute.

Como é tão difícil impedir as crianças de tocar o rosto, é importante enfocar hábitos sadios que são mais fáceis de controlar.

“O que deveríamos fazer é simplesmente incentivar as crianças pequenas a lavar as mãos frequentemente”, disse Reinecke. “Quem sabe usar uma loção antisséptica ou um álcool gel e passar nas mãos delas com frequência. Dar-lhes um lenço de papel quando elas espirram ou estão com o nariz escorrendo.”

Ensinar seus filhos a lavar as mãos sempre é um bom hábito, algo que os pais já deveriam estar fazendo de qualquer maneira, independentemente das notícias sobre a epidemia. Os pais também podem promover a saúde de seus filhos, dando-lhes uma alimentação nutritiva, vitaminas se isso for a recomendação do médico, incentivando a atividade física e as horas de sono necessárias para a boa saúde das crianças.

“Neste momento não precisamos ser alarmistas e dizer que é preciso adotar hábitos muito diferentes das práticas habituais na criação dos filhos”, disse Reinecke.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.