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01/03/2020 08:05 -03

Coronavírus: Como lidar com a ansiedade e o medo do surto

Se você está com medo, pergunte a si mesmo: tenho sintomas que evidenciem a doença? Estou em situação de risco? Estive em contato com alguém doente?

A ansiedade e o medo em torno docoronavírus estão tomando conta de algumas pessoas. E não surpreende, considerando que o assunto está dominando os jornais.

Ficar preocupado é uma reação racional a alguma coisa que está fora de nosso controle, mas quando esses receios começam a tomar conta de nossa vida, precisamos ter um pouco de distanciamento, diz a terapeuta Pam Custers. Em outras palavras, a ansiedade pode começar a sabotar nossos processos mentais.

“Muita coisa vem sendo dita sobre o coronavírus. Há muito medo no ar em função do aumento constante no número de pessoas que contraíram a doença e das que morreram”, diz Custers. “Se você já tem certa tendência a sofrer de ansiedade, esse pode ser um gatilho que te deixa mais ansioso ainda.”

Quando somos impelidos para um estado de ansiedade, podemos entrar em pânico e ficar mais preocupados. Algumas pessoas terão dificuldade em se concentrar; outras modificarão suas rotinas diárias para evitar aquilo que lhes causa medo.

Custers oferece exemplos de alguém que entra no elevador e, de repente, sente que precisa desesperadamente sair, ou então que tem dificuldade em entrar no transporte público para ir ao trabalho por medo de ser contaminado com alguma coisa. Então o que podemos fazer em relação a isso?

Ada Yokota via Getty Images

 

Desafie seus pensamentos

O segredo para reduzir o medo ou pelo menos exercer controle sobre ele consiste em desafiar seu modo de pensar. “É um equilíbrio delicado entre desafiar seus processos mentais e exercer a cautela com sensatez”, diz Custers.

Preocupar-se é normal. Na realidade, diz a terapeuta Natasha Crowe, faz parte do nosso mecanismo protetor de sobrevivência humana. “Quando ouvimos falar de alguém que adoeceu ou assistimos a uma reportagem sobre isso, é claro que já nos imaginamos na situação dela”, ela diz. “Isso é em parte racional. O problema ocorre quando imaginamos cenários catastróficos, situações das quais não vamos conseguir nos safar.”

Se você receia estar com o coronavírus ou tem medo de contrair a doença, pergunte a si mesmo: tenho sintomas que evidenciem a doença? Estou em situação de risco? Estive em contato com alguém que tem a doença? Estou me sentindo doente? “A maioria das pessoas corre risco muito pequeno de contrair o coronavírus”, diz Crowe, que é membro do Diretório de Terapeutas e Psicólogos.

Tome distância dos noticiários

Precisamos nos informar sobre como cuidar de nossa saúde, mas, diz Custers, não precisamos acompanhar absolutamente toda reportagem nos jornais e ouvir o que diz cada especialista que se manifesta sobre o coronavírus. Isso pode alimentar e reforçar nossos medos.

Se você está sentindo que está tudo ficando um pouco demais, evite assistir aos jornais e coloque no mudo certas palavras nas redes sociais.

Enxergue a situação com alguma perspectiva

Os números de casos confirmados do coronavírus podem ser assustadores, e não devemos subestimar o que ainda pode ocorrer com o vírus. Mas se você comparar esses números com o número de pessoas que contraem gripe e morrem de gripe todos os anos, sua perspectiva talvez mude.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que entre 3 milhões e 5 milhões de pessoas por ano adoeçam gravemente com gripe em todo o mundo, levando a entre 250 mil e 500 mil mortes.

“A última coisa que qualquer governo quer fazer é permitir que o vírus se espalhe amplamente”, diz Custers. “Há equipes de pessoas trabalhando com afinco para implementar um programa muito seguro de combate à doença. Se houvesse motivos para começarmos a nos preocupar, seríamos avisados.”

Cuide de você mesmo

Para quem sofre de ansiedade, especialmente ansiedade em torno da saúde, ler informações constantemente atualizadas sobre o coronavírus e debruçar-se sobre os conselhos de especialistas talvez não ajude. Se for esse seu caso, Sally Brown, porta-voz e terapeuta da Associação Britânica de Atendimento Psicológico e Psicoterapia (BACP, na sigla em inglês), recomenda que você se dedique a cuidar de você mesmo.

Brown frequentemente aconselha seus clientes a seguirem uma rotina diária de autocuidados para aumentar sua resiliência. Isso pode ser, por exemplo, passar 30 minutos ao ar livre, conversar com um amigo que te faz rir ou simplesmente tirar tempo em seu dia para relaxar realmente.

Tome consciência de suas estratégias de prevenção

Se você estiver ansioso em relação ao coronavírus, pode sentir a tentação de ficar em casa e não usar os transportes públicos. Ceder a essas estratégias de prevenção pode ajudar no curto prazo, diz Brown, mas, no longo prazo, fará a ansiedade se agravar. “Pare para enxergar como você está”, aconselha. “Você pode optar ou por fazer isso [usar estratégias de prevenção para evitar entrar em contato com aquilo que lhe mete medo] ou pode enfrentar e superar esses sentimentos.”

Se a ansiedade começar a afetar seu comportamento diário, Custers recomenda que você procure um terapeuta. “Se você não estiver dando conta da ansiedade, procure um terapeuta. Talvez precise fazer algumas sessões.”

Foque sua atenção sobre o que você pode controlar

Na sala de terapia, Brown muitas vezes pede a seus pacientes que desenhem dois círculos: o círculo de influência e o círculo de preocupação. Dentro do círculo de preocupação, o paciente deve escrever tudo que o preocupa. No círculo de influência ela pede que o paciente anote tudo que ele pode de fato controlar.

“É para o círculo de influência que você deve direcionar sua energia”, ela diz. “No caso de algo como isto [o coronavírus], é preciso controlar sua higiene e seu sistema imunológico.”

A Public Health England (agência de saúde pública inglesa) sugere que a melhor maneira de se proteger contra doenças – resfriados, gripes ou coronavírus – é manter a higiene. Isso significa regularmente lavar as mãos com água morna e sabonete, especialmente depois de usar meios de transporte público e antes de comer. Se você não puder lavar as mãos, use álcool gel.

Se precisar tossir ou espirrar, faça-o dentro de um lenço de papel e jogue fora o lenço imediatamente. Se não tiver um lenço de papel à mão, espirre ou tussa na dobra do cotovelo – especialmente se estiver em um meio de transporte público onde você terá que tocar maçanetas ou corrimãos.

Divida seu dia em partes

Se você estiver se sentindo totalmente sobrecarregado ou dominado pela ansiedade, é hora de dar um passo para trás. Em vez de pensar no dia inteiro que se estende à sua frente, diz Crowe, divida-o em partes.

Priorize o que precisa fazer. Para começar, concentre-se em chegar até o trabalho. Em seguida, sentar-se à sua mesa e trabalhar. Depois disso, almoçar. A ideia é não deixar que seus sentimentos e pensamentos fujam de seu controle, mas concentrar-se nos pequenos passos que podemos dar diariamente.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.