Restaurantes por quilo e coronavírus: Existe perigo real de contaminação?

Especialista explica se há risco de restaurantes self-service facilitarem a transmissão do coronavírus.

Enquanto os casos de covid-19 disparam no Brasil e no mundo, muitas pessoas se questionam se devem mesmo frequentar locais públicos, supermercados e o próprio trabalho. E, falando especificamente no horário de almoço, os restaurantes por quilo e self-service podem contribuir para a transmissão do coronavírus?

Apesar de os restaurantes seguirem as normas de segurança da Anvisa, muitos deles não têm proteção de vidro acima dos alimentos servidos, o que pode facilitar a contaminação não só pelo novo coronavírus, mas por outros vírus.

“Estamos em uma fase que não precisamos restringir nossa rotina”, alertou o infectologista. 
“Estamos em uma fase que não precisamos restringir nossa rotina”, alertou o infectologista. 

Além disso, há o agravante de que muitas pessoas conversam enquanto esperam na fila do quilo e, assim, dissipam gotículas de saliva que contaminam os alimentos. Esta, inclusive, é uma das maneiras de contágio do novo coronavírus.

Porém, ainda não é preciso parar de frequentar o restaurante a quilo, segundo o infectologista da Beneficência Portuguesa João Prats.

“Estamos em uma fase que não precisamos restringir nossa rotina”, disse o infectologista.

Prats ressalta, contudo, que é preciso cuidado ao escolher o estabelecimento. O ideal, segundo o especialista, é se alimentar em quilos que tenham à disposição o álcool em gel antes do contato com o prato e alimentos, e que aconselhem clientes a sempre lavarem as mãos e a não falarem enquanto pegarem os alimentos.

“Gripe não se espalha por restaurante por quilo. Uma vez que tenha álcool em gel e um local para os clientes lavarem as mãos, não há problema”, disse, ressaltando que funcionários de restaurantes a la carte também podem falar ao prepararem ou servirem a comida. “Se for restringir, deverá ser restringido o quilo e o a la carte também.”

Prats comenta que ainda é cedo para falar sobre não frequentar locais públicos como restaurantes ― se a pessoa não tiver suspeitas de coronavírus. “Não direi que é momento para restringir locais porque não há recomendação para tal do Ministério da Saúde”, disse.

Apesar da alta capacidade de disseminação do novo coronavírus, em cerca de 80% dos casos de contaminação, os sintomas aparecem de forma leve. Menos de 5% dos casos evoluem para um quadro grave. A principal preocupação é com idosos e pessoas com doenças crônicas. Em infectados com menos de 50 anos, a taxa de mortalidade é de menos de 1%.