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22/01/2020 16:55 -03

Minas diz ter caso suspeito de coronavírus, mas Ministério descarta possibilidade

Paciente de 35 anos que apresentou 'sintomas respiratórios compatíveis com doença respiratória viral aguda' esteve em Xangai, onde 'não há transmissão ativa', diz MS.

NurPhoto via Getty Images
Pessoas usam máscara em metrô de Hong Kong. Medo de contágio pelo coronavírus se espalhou por todo o território chinês. 

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais divulgou, nesta quarta (22), que o estado registrou um caso suspeito de infecção por coronavírus, que já deixou pelo menos 17 mortos na China.

Em nota, a secretaria diz que a paciente brasileira esteve em Xangai e procurou uma UPA em Belo Horizonte no último dia 21 com “sintomas respiratórios, compatíveis com doença respiratória viral aguda”. 

“O caso foi notificado como suspeito. Tendo em vista o contexto epidemiológico atual do país onde a paciente esteve, foi considerada a hipótese de doença causada pelo novo Coronavírus, que é microorganismo de alerta sanitário internacional, considerando o potencial pandêmico com alto risco à vida e impacto assistencial”, explica o comunicado.

Segundo a secretaria, a paciente não apresenta “qualquer sinal indicativo de gravidade clínica”, mas mesmo assim foi conduzida ao Hospital Eduardo de Menezes (HEM), na capital mineira. 

“Este caso foi notificado como suspeito para Coronavírus e a paciente está clinicamente estável e o caso segue em investigação”, diz o texto, acrescentando que “todas as medidas assistenciais para redução de risco de transmissão foram tomadas”.

“Os exames capazes de confirmar ou descartar a hipótese diagnóstica encontram-se em andamento em laboratórios de referência”, afirma o comunicado.

O Ministério da Saúde, contudo, diz que o “caso noticiado pela SES/MG não se enquadra na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS), tendo em vista que o paciente esteve em Xangai, onde não há, até o momento, transmissão ativa do vírus”. “De acordo com a definição atual da OMS, só há transmissão ativa do vírus na província de Wuhan”, diz nota do ministério.

No entanto, há casos registrados do vírus em grandes centros populacionais como Pequim, Xangai, Macau e Hong Kong. No exterior, a Tailândia confirmou quatro casos, enquanto os Estados Unidos, Taiwan, Coreia do Sul e Japão relataram um caso cada.

O vírus, que pode causar pneumonia, é transmitido por via respiratória. Alguns sintomas incluem febre, tosse e dificuldade em respirar. Não existe vacina para o vírus. 

O ministério diz estar realizando “monitoramento diário da situação junto à OMS” e ter adotado medidas recomendadas pela organização, além de notificar a  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a área de Vigilância Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e as secretarias de Saúde dos Estados e Municípios.

A ideia é evitar “medidas restritivas e desproporcionais” em relação aos riscos para a saúde e o trânsito de pessoas, bens e mercadorias.

Saiba mais sobre a doença  

O número de mortes provocadas pelo novo vírus descoberto na China subiu para 17 nesta quarta-feira (22), aumentando as preocupações pelo mundo sobre o contágio de uma infecção suspeita de ter começado a partir de animais. Os casos confirmados na China passaram para 544.

A cepa anteriormente desconhecida do coronavírus surgiu na cidade central de Wuhan e já foi detectada até nos Estados Unidos. As autoridades de saúde da China acreditam que a origem seja um mercado que vende frutos do mar de forma irregular. 

Ao contrário do segredo adotado em 2002-2003 sobre a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), que matou quase 800 pessoas, a China desta vez está fornecendo atualizações regulares sobre os casos para tentar minimizar o pânico, à medida que milhões de pessoas viajam pelo país e para o exterior por ocasião do feriado do Ano Novo Lunar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciou uma reunião de emergência para decidir se o surto representa uma emergência de saúde global.

Após apelos de autoridades por calma, muitos chineses estavam cancelando viagens, comprando máscaras, evitando locais de aglomeração pública, como cinemas e shopping centers, e até recorrendo a um jogo de simulação online sobre a disseminação de um vírus para lidar com a situação.