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26/02/2020 18:12 -03 | Atualizado 26/02/2020 18:15 -03

O que fazer para não contrair o coronavírus? Tire suas dúvidas sobre a doença no Brasil

Taxa de mortalidade é de cerca de 2%. Pacientes com mais de 80 anos e com outras doenças, como as cardiovasculares, estão em maior situação de risco.

ASSOCIATED PRESS

O Brasil apresentou o primeiro caso confirmado de coronavírus na última terça-feira (25). Com a confirmação da doença, muitos brasileiros se perguntam como podemos nos prevenir, ou ao menos evitar que o vírus letal se espalhe.

Com ajuda de especialistas, preparamos um guia para você entender o que é o coronavírus, como ele é transmitido e que cuidados você pode ter na sua casa. Veja:

O que é o coronavírus?

O vírus, na realidade, se chama sars-cov2 e já havia sido identificado desde a década de 1960. Ele faz parte de uma ampla família de vírus, mas apenas sete tipos são capazes de infectar humanos.

Esse vírus desencadeia uma síndrome gripal, a covid-19, que é mais agressiva em pacientes acima dos 60 anos. 

Qual é a fonte de infecção e como o coronavírus é transmitido? 

Ainda não se sabe a fonte originária da doença, mas pela característica do vírus, a transmissibilidade acontece de animais para seres humanos. 

Uma vez identificado o animal reservatório, aquele em que o agente infeccioso vive e se multiplica, fica mais fácil de se acompanhar as transmissões.

No caso do coronavírus, o mercado de peixes e frutos do mar de Wuhan, na China, é apontado como uma hipótese. Outra possibilidade, ainda, são animais selvagens da região, como morcegos e coelhos.

A transmissão inter-humana acontece pelo ar e por meio do contato próximo entre o paciente infectado e outras pessoas. Por contato próximo, entende-se o contato físico e também a disseminação por gotículas respiratórias e de saliva, por exemplo. Tosse, espirro, catarro, aperto de mão e até o contato com objetos e superfícies contaminadas também podem ocasionar a infecção. 

Quais são os sintomas do coronavírus?

O coronavírus pode causar desde uma gripe comum até a morte de uma pessoa. Tudo vai depender do contexto do paciente.

Em geral, o vírus causa febre, tosse, coriza e dificuldade em respirar. Em casos mais graves, pode evoluir para pneumonias. 

O tempo de incubação do vírus é de 14 dias, em média. A pessoa pode incubar o vírus mesmo sem apresentar sintomas, no entanto. 

O Brasil já tem casos confirmados de coronavírus?

Sim. O País registrou o seu primeiro caso confirmado de coronavírus na última terça-feira (25). O paciente, um homem de 61 anos, procurou uma unidade de saúde após apresentar os sintomas da doença. Ele havia desembarcado no Brasil após uma viagem para a Itália, com escala em Paris. 

Estamos vivendo uma pandemia?

Apesar dos altos números, a OMS afirma que a população não precisa entrar em pânico. No entanto, no dia 30 de janeiro, a organização declarou “emergência de preocupação internacional”. A OMS também diz que não adota mais o termo pandemia.

O coronavírus mata? 

A taxa de mortalidade da doença é de cerca de 2%. Pacientes com mais de 80 anos e com outras doenças, como as cardiovasculares, estão em maior situação de risco.

Na China, epicentro global que concentra 96,5% dos casos, a taxa de mortalidade caiu para 1%.

Segundo a OMS, 4 em cada 5 pacientes apenas apresentam sintomas leves e se recuperam da doença.

O que aconteceu com o brasileiro que contraiu o coronavírus?

O paciente desembarcou em São Paulo assintomático, mas procurou o hospital Albert Einstein na última segunda (24). Ele realizou alguns exames e, após a confirmação da doença, foi indicado permanecer em isolamento domiciliar. Ele, no entanto, está bem.

De acordo com o Ministério da Saúde, o isolamento domiciliar é mais eficiente do que direcionar o paciente para um hospital, pois pode haver o risco de contaminação de outros pacientes. 

O que define a internação hospitalar não é o coronavírus, mas a gravidade dos sintomas do paciente.

O homem de 61 anos está sendo monitorado, assim como todas as pessoas que tiveram contato com ele. A Anvisa, inclusive, solicitou à companhia aérea a lista de passageiros do voo do homem infectados. Essas pessoas serão monitoradas pelo Ministérios por pelo menos 14 dias.

Pode ocorrer transmissão no Brasil?

De acordo com o Ministério da Saúde, a taxa média de transmissão da doença é de 2 a 3 pessoas. Por isso, todas as pessoas que tiveram contato com o empresário estão sendo monitoradas.

Caso algum outro indivíduo apresente os sintomas da doença, ele deverá procurar uma unidade de saúde e permanecer em isolamento até a melhora. 

O Brasil pretende restringir voos de países com casos do coronavírus?

Não. Segundo o Ministério da Saúde, essa não é uma estratégia eficiente, pois não impede que o vírus chegue no País, já que vivemos em um mundo globalizado.

Quantos casos suspeitos existem no Brasil?

Atualmente, o Ministério da Saúde tem 20 casos suspeitos: 1 na Paraíba, 1 em Pernambuco, 1 no Espírito Santo, 2 em Minas Gerias, 11 em São Paulo, 2 no Rio de Janeiro e 2 em Santa Catarina.  

Os pacientes estão sendo monitorados e os exames estão sendo avaliados em laboratório de referência nacional.

O País também já descartou 59 casos de suspeita de coronavírus.

Quanto tempo demora para ter o diagnóstico? 

No Brasil, o tempo médio para o diagnóstico da doença é de 2 dias. No entanto, todo o processo, que deve ser exposto a uma contraprova, pode durar até uma semana. 

O que o Ministério da Saúde está fazendo para combater o coronavírus?

O ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS), assim como as instituições privadas, está preparado para responder em casos de avanço da doença no País.

As unidades de saúde estaduais vão receber equipamentos de prevenção individual, como máscaras, para serem distribuídas para a população.

Além disso, o ministro afirmou que já foi realizado o pedido de mais leitos e equipamentos do Centro de Terapia Intensiva (CTI), caso haja uma evolução da doença. Mandetta também informou que já foi realizado o levantamento do estoque de medicamentos de suporte para a doença, para que não falte a distribuição.

Em São Paulo, foi criado um comitê de emergência específico para monitorar os casos sob suspeita no estado. A equipe é presidida pelo infectologista David Uip e conta com profissionais do Instituto Butantan, médicos especialistas das redes pública e privada, sob a supervisão do Secretário de Saúde, José Henrique Germann.

Existe cura para o coronavírus?

Não existe nenhum medicamento específico para a doença até agora. O que é realizado é a utilização de medicamentos para controle dos sintomas.

Os que são usados são os medicamentos suportes: paracetamol, dipirona, hidratação. É uma virose, ou seja, o próprio organismo ao entrar em contato com o vírus passa a produzir anticorpos.

A expectativa do Ministério da Saúde é de que, no final de março, ocorra uma nova campanha de vacinação contra a gripe no País, e que essa nova vacina possa cobrir o coronavírus. 

Como prevenir a infecção do coronavírus?

A prevenção é a mesma de qualquer outra gripe: manter-se hidratado e saudável, lavar bem as mãos com água e sabão, usar o álcool em gel quando necessário e, em caso de espirro ou tosse, cobrir o nariz e a boca. Também recomenda-se não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, e evitar aglomerações ou o contato com os países com casos diagnosticados. 

Produtos de limpeza podem ajudar na prevenção? 

Sim. É importante manter o ambientes higienizados e com ar circulando. O coronavírus pode ser combatido com o uso de desinfetantes, álcool e água sanitária na limpeza dos ambientes.