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19/03/2020 10:09 -03 | Atualizado 19/03/2020 10:44 -03

Embaixada da China rebate insinuações de Eduardo Bolsonaro: ‘Contraiu vírus mental’

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi ao Twitter mediar "crise internacional".

STR via Getty Images

Em meio a crise de coronavírus no País, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, usou o seu perfil no Twitter para mediar uma crise internacional.

Nesta quinta-feira (19), Maia pediu desculpas ao embaixador da China, e a toda a nação, por uma declaração feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro na última quarta (18).

O deputado responsabilizou o país chinês pela disseminação do novo coronavírus no mundo, e Maia se desculpou pelas “palavras irrefletidas” do filho do presidente Jair Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro comparou o comportamento do governo chinês ao do partido soviético durante a crise do acidente nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia.

Em 1986, a antiga União Soviética escondeu e manipulou informações para a população e para o mundo sobre a gravidade do vazamento de um reator da usina.

O acidente dizimou milhares de vidas e foi retomado em uma produção da HBO, a série Chernobyl, em 2019.

Tanto o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, quanto a própria embaixada da China fizeram uso da mesma rede social para responder o deputado.

“Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando a amizades entre os nossos povos”, publicou o perfil da embaixada. 

“As suas palavras são um insulto maléfico contra a China e o povo chinês”, completou o embaixador.

Além de Eduardo Bolsonaro, o embaixador indicou os perfis do ministro de relações exteriores, Ernesto Araújo, do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o perfil institucional da própria Câmara em sua mensagem. 

Na manhã desta quinta, Yang, ainda, postou que havia recebido um “telefonema de ameaça”. A mensagem, que não citava Eduardo Bolsonaro, foi apagada posteriormente, de acordo com a Folha.

Os primeiros casos de contaminação do novo coronavírus foram registrados em Wuhan, na China, no final do ano passado. Nos últimos meses, o país se tornou o primeiro epicentro de disseminação da pandemia. Hoje, o país anunciou ter conseguido zerar, pela primeira vez, a transmissão local do vírus. 

Como é a transmissão do coronavírus

O coronavírus, como outros vírus responsáveis por sintomas de gripe, é transmitido pelo ar ou por contato pessoal a partir das secreções contaminadas. É possível pegar por meio de tosse, catarro, saliva, toque ou aperto de mão e contato com superfícies e objetos contaminados.

O seu período de incubação, ou seja, o tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é de um a 14 dias, mas o os pacientes infectados costumam apresentar sintomas em até 5 dias.

E, apesar da alta capacidade de disseminação do novo coronavírus, em cerca de 80% dos casos de contaminação, os sintomas aparecem de forma leve. Menos de 5% dos casos evoluem para um quadro grave. A principal preocupação é com idosos e pessoas com doenças crônicas. Em infectados com menos de 50 anos, a taxa de mortalidade é de menos de 1%.

Devo fazer um exame para ver se estou com coronavírus? 

De acordo com a recomendação do Ministério da Saúde, atualmente, apenas pessoas que manifestam sintomas respiratórios graves devem ser submetidas ao teste para não sobrecarregar o sistema de saúde.

Para os pacientes que apresentam manifestações clínicas mais brandas, basta o exame médico e a recomendação de tratamento de acordo com as diretrizes do profissional. 

Já para os assintomáticos, não há recomendação de teste e nem de tratamento.

Em casos eventuais de visita a países com alto índice de contágio, o médico poderá solicitar ou não o teste para o coronavírus. Já em caso de contato com pessoas infectadas, o direcionamento é observar se vai existir a manifestação de sintomas ou não.