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04/04/2020 13:14 -03 | Atualizado 04/04/2020 15:49 -03

A homenagem silenciosa da China aos 'mártires' contra o coronavírus

Às 10h, no horário de Pequim, o país fez três minutos de silêncio para reverenciar vítimas e profissionais na linha de frente do combate à covid-19.

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Em Wuhan, na China, cidade epicentro do novo coronavírus, morador despeja flores no monumento de combate às enchentes durante homenagem silenciosa às vítimas do vírus.

A China, epicentro inicial do surto do novo coronavírus, lamentou neste sábado (4) as vítimas e os mártires que morreram no período de epidemia no País. Em sinal de respeito, a bandeira nacional foi exibida a meio mastro em todo o país. 

O chamado “dia do luto” coincidiu com o início do festival anual de Qingming para reverência aos mortos do país, em que milhões de famílias chinesas lembram e prestam homenagem aos seus antepassados. A data é semelhante ao “Dia dos Mortos”, no México, e ao de Finados, aqui no Brasil.

Às 10h, no horário de Pequim, o país observou um silêncio de três minutos para reverenciar aqueles que morreram, incluindo trabalhadores de saúde e médicos na linha de frente do combate ao vírus. As pessoas pararam nas ruas, enquanto trens, automóveis e navios soavam suas buzinas ou apitos - como que em intenção de causar um choro coletivo e, ao mesmo tempo, grito de liberdade.

Em respeito aos mortos, o país também proibiu neste sábado todas e qualquer atividade pública de lazer e entretenimento para seus 1,4 bilhão de habitantes. Até alguns videogames chineses online ficaram inacessíveis à população.

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Policiais chineses utilizando máscaras protetoras marcham pela Praça Tiananmen durante um luto nacional às vítimas em Pequim.

Em Zhongnanhai, a sede do poder político em Pequim, o presidente Xi Jinping e outros líderes chineses prestaram homenagem silenciosa em frente à bandeira nacional, com flores brancas presas no peito como sinal de luto, informou a mídia estatal.

Mais de 3.300 pessoas morreram na China continental em consequência da epidemia, que surgiu em Wuhan, província central de Hubei, no final do ano passado, de acordo com dados publicados pela Comissão Nacional de Saúde.  Foram registradas 2.567 mortes em Wuhan. As vítimas fatais de Wuhan representam mais de 75% das mortes por coronavírus no país.

A cidade, que é berço do coronavírus e tem 11 milhões de habitantes, teve todos os semáforos na cor vermelhos às 10h da manhã e o tráfego parou por três minutos. A equipe do hospital de Tongji - o principal da cidade - saiu pelas portas do centro médico. Alguns ainda usavam roupas de proteção, que se tornaram um símbolo da crise em todo o mundo.

Stringer . / Reuters
Pessoas segurando flores observam um momento de silêncio em um evento memorial em Pequim.

O tributo também proporcionou uma oportunidade de lamentar os “mártires” do vírus, um título honorário concedido pelo governo nesta semana a 14 profissionais de saúde que morreram combatendo o surto.

Entre eles está Li Wenliang, um médico de Wuhan que foi repreendido pelas autoridades por tentar avisar outras pessoas nos primeiros dias do contágio.

Apesar de a China ter interrompido a propagação doméstica do vírus, algumas restrições ainda permanecem para impedir uma segunda onda de infecções. Por esse motivo, a população foi orientada a não visitar os cemitérios hoje.

Veja mais imagens da homenagem dos chineses às vítimas da covid-19:

Getty Images via Getty Images
Em Wuhan, na China, cidade epicentro do novo coronavírus, morador despeja flores no monumento de combate às enchentes durante homenagem silenciosa às vítimas do vírus.
Yifan Ding via Getty Images
Policiais chineses usam máscaras protetoras em homenagem silenciosa durante um memorial para lamentar as vítimas de COVID-19 na Torre do Memorial do Povo de Xangai em 4 de abril de 2020 em Shanghai, China.
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A tão esperada "aglomeração", mesmo com distância, em homenagem silenciosa na Praça Tienanmen em Pequim, China.
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ASSOCIATED PRESS
Uma mulher segura um buquê floral enquanto as pessoas se reúnem em memorial oficial realizado para vítimas de coronavírus em Wuhan.
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Xinhua News Agency via Getty Images
Funcionários prestam homenagem aos mártires no cemitério de Guangzhou Yinhe em Guangzhou, província de Guangdong, sul da China.
Carlos Garcia Rawlins / Reuters
A bandeira nacional chinesa voa a meio mastro na Praça Tiananmen, em Pequim.
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