NOTÍCIAS
18/10/2020 16:34 -03 | Atualizado 18/10/2020 18:31 -03

Europa tem recorde de novos casos de covid e se prepara para conter 2ª onda da doença

Itália, primeiro país da Europa a ser duramente atingido pela doença, registrou 11.705 novos casos neste domingo (18).

Enquanto no Brasil as milhares de mortes comovem cada vez menos a população em um cenário onde a reabertura das cidades foi decidida enquanto a epidemia ainda estava descontrolada, a possibilidade de uma segunda onda de contaminações pelo vírus já é visto em alguns países da Europa.

Com uma média diária de novos casos girando em torno de 100 mil, a Europa ultrapassou por uma ampla margem os Estados Unidos nesta semana, onde mais de 51 mil novas infecções são reportadas em média todos os dias. 

França, Itália e Reino Unido registraram recordes de novos casos diários de infecção do novo coronavírus na última semana, o que fez com que governos se movimentassem para voltar a implementar medidas rígidas de isolamento social e conter a população para evitar o cenário devastador no início do ano.

Na França, o Ministério da Saúde informou número recorde de novos casos confirmados neste sábado (17), de 32.427. Na sexta, este número foi de 25.086. O total de infecções desde o início do ano até agora é de 867.197, enquanto o número total de mortes é de 33.392, aumento de 90 desde a última sexta (16).

O presidente Emmanuel Macron anunciou a imposição de toque de recolher noturno por quatro semanas a partir de ontem, sábado (17) em Paris e em outras grandes cidades, afetando quase um terço da população.

“Precisamos reagir”, disse Macron em entrevista televisiva, afirmando que a França ainda não havia perdido o controle do vírus, mas acrescentando: “Estamos em situação preocupante”. 

Christian Hartmann / Reuters
Profissional de saúde realiza o teste RT-PCR em um paciente na França.

A maioria dos governos europeus aliviou as quarentenas durante o verão para restabelecer suas economias, que foram prejudicadas pela primeira onda da pandemia do coronavírus. 

Mas o retorno às atividades normais - desde restaurantes lotados a semestres de aulas em universidades - alimentou um surto agudo de novos casos em todo o continente. 

Bares e restaurantes foram os primeiros a serem fechados ou enfrentarem horários reduzidos de acordo com as novas medidas, mas a escalada das infecções também está testando as resoluções dos governos para manter o funcionamento das escolas e dos atendimentos médicos de forma geral.

Na Itália, primeiro país da Europa a ser duramente atingido pela doença, registrou 11.705 novos casos neste domingo (18), segundo o Ministério da Saúde; número acima do recorde anterior de 10.925 contabilizado ontem.

Até o papa Francisco, no Vaticano, foi submetido às novas regras, se mantendo distante de fiéis que acompanharam sua audiência semanal.

Hoje é também o quarto dia seguido em que o recorde foi batido, já que no sábado foram 10.925 novas infecções, na sexta, 10.010, e, na quinta-feira, 8.804. O país também tem o segundo maior número de mortos na região, depois do Reino Unido, com 36.543 óbitos desde o início do surto em fevereiro, de acordo com dados oficiais. 

O primeiro-ministro, Giuseppe Conte deve anunciar novas medidas para conter o surto neste domingo. Porém, o país anunciou hoje que foi aprovado um novo pacote de estímulo em seu Orçamento de 2021 de recuperação econômica.

As medidas de expansão em 2021 totalizarão mais de 39 bilhões de euros (45,70 bilhões de dólares), incluindo cerca de 15 bilhões de euros em doações do Fundo de Recuperação da União Europeia, escreveu o ministro da Economia, Roberto Gualtieri, no Facebook.

A coalizão governante, liderada pelo Movimento 5 Estrelas (antiestablishment) e pelo partido de centro-esquerda PD, concordou com uma versão preliminar do Orçamento, disse uma fonte do governo, deixando os detalhes finais a serem acertados.

Entre várias medidas, o governo criou um fundo de 4 bilhões de euros para compensar as empresas mais atingidas pelos bloqueios do coronavírus e estendeu até janeiro uma moratória sobre o reembolso de empréstimos a pequenas e médias companhias.

O Reino Unido tem o maior número oficial de mortes da Europa: 43.155. Por lá, contrários a medidas de lockdown se reuniram no centro de Londres neste sábado (17), horas depois que a capital britânica passou para o segundo mais alto nível de alerta contra a covid-19.

À medida que uma segunda onda de infecções ganha velocidade, o governo do primeiro-ministro Boris Johnson intensificou as restrições locais em partes da Inglaterra onde os casos estão aumentando, na esperança de proteger a economia e permitir que as regiões menos afetadas permaneçam abertas.

As medidas proíbem pessoas de encontrar alguém fora de sua casa ou “bolhas de apoio”, incluindo amigos ou parentes que ajudam a cuidar de crianças― em qualquer ambiente interno.

As regras também proíbem mais de seis pessoas de se encontrar ao ar livre, embora a polícia tenha optado por não aplicá-las enquanto vários milhares de ativistas “antilockdown” marchavam pela Oxford Street, uma das ruas comerciais mais movimentadas do mundo em tempos normais.

Os manifestantes consideram as restrições contra a Covid-19 desnecessárias e uma violação de seus direitos humanos. Alguns se opõem ao uso de máscaras e à vacinação.

Na Alemanha, a discussão gira em torno da recuperação econômica do país. Peter Altmaier, ministro da Economia, disse neste domingo, que uma falha em conter a pandemia do coronavírus pode significar problemas sérios e foi contundente ao dizer que o governo alemão precisa fazer mudanças significativas em suas previsões econômicas de outono.

Berlim atualmente espera que o Produto Interno Bruto (PIB) encolha 5,8% em 2020, antes de se recuperar 4,4% no próximo ano.

Mas, disse Altmaier à televisão pública ARD, “isso naturalmente pressupõe que vamos controlar a pandemia, que vamos interromper o rápido aumento das infecções e conseguir voltar à situação que tivemos de maio a agosto”.

Embora menos afetada do que grande parte da Europa, a Alemanha também tem experimentado uma segunda onda de infecção, com o total diário atingindo um recorde de 7.830 no sábado.

Ecoando apelo da chanceler Angela Merkel aos alemães para reduzir contatos sociais e viagens para retardar a infecção, Altmaier disse que as pessoas precisam fazer maiores esforços para conter a pandemia para que escolas, creches e empresas possam permanecer abertas. “Se não baixarmos os números, enfrentaremos problemas maiores”, disse Altmaier.

Nesta semana também em Portugal, especificamente em Lisboa, torcedores disseram que não ficaram surpresos após o capitão da seleção portuguesa de futebol, Cristiano Ronaldo, testar positivo para o vírus, dizendo que isso apenas mostra que todos passam por risco de infecção ― e atletas famosos não são uma exceção. 

A Holanda retomou um “lockdown parcial” na última quarta-feira, fechando bares e restaurantes, mas manteve as escolas abertas.

A República Tcheca, que tem a pior taxa per capita de casos no continente, decretou que as escolhas devem funcionar apenas com o ensino à distância e agora avalia convocar milhares de estudantes de medicina. Hospitais também estão cancelando os procedimentos médicos eletivos para liberar mais leitos para o tratamento de pacientes de covid. 

″Às vezes estamos à beira das lágrimas”, disse Lenka Krejcova à Reuters, enfermeira-chefe do hospital Slany, próximo a Praga, enquanto construtores trabalham com pressa para transformar a seção de atendimentos gerais em um departamento para o tratamento do vírus. 

A Polônia está intensificando o treinamento para enfermeiras e avalia a criação de hospitais militares de campanha. Moscou deve mandar mais alunos para o ensino online, e a Irlanda do Norte está fechando as escolas pelas próximas duas semanas e os restaurantes pelas próximas quatro. 

“A pandemia de Covid-19 é um grande desafio global”

EuropaNewswire/Gado via Getty Images
António Guterres no escritório da ONU, em setembro de 2020. 

Um mundo dividido tem fracassado ao enfrentar o desafio de lutar contra a pandemia, disse neste sábado (17) o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao alertar que uma ação conjunta é necessária para evitar que milhões de pessoas sejam empurradas para a pobreza e fome.

O ex-primeiro-ministro português afirmou que muito mais poderia ter sido feito se os países tivessem trabalhado juntos para combater a doença, que já matou mais de um milhão de pessoas.

“A pandemia de Covid-19 é um grande desafio global para toda a comunidade internacional, para o multilateralismo e para mim, como secretário-geral das Nações Unidas”, disse Guterres à agência de notícias portuguesa Lusa. “Infelizmente é um teste que, até agora, a comunidade internacional está falhando.”

Segundo ele, se medidas coordenadas não forem tomadas, “um vírus microscópico pode levar milhões de pessoas à pobreza e à fome, com efeitos econômicos devastadores nos próximos anos”.

Guterres também criticou os países por falta de unidade na tentativa de resolver outros desafios globais, incluindo os conflitos no Afeganistão, Iêmen e Síria. ″É uma fonte de enorme frustração”, declarou ele.

Mais de 39 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus, de acordo com uma contagem da Reuters baseada em divulgações oficiais. Foram registradas infecções em mais de 210 países e territórios desde que os primeiros casos foram identificados na China, em dezembro de 2019.

(Com informações da agência de notícias Reuters)

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost