NOTÍCIAS
24/03/2020 17:14 -03 | Atualizado 24/03/2020 18:14 -03

Brasil tem 2.201 casos confirmados de covid-19 e 46 mortes, diz Ministério da Saúde

Sudeste concentra maior número dos diagnósticos positivos para coronavírus: 58,1%.

Subiu para 2.201 o número de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (24). Já o número de mortes é de 46, sendo 40 no estado de São Paulo e 6 no Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira (23), eram 1.891 confirmados e 34 mortes.

O ritmo de crescimento entre segunda e terça é de 16% e a evolução diária está dentro da expectativa da pasta, de acordo com o secretário-executivo, João Gabbardo. De acordo com o número dois do ministério, a previsão é de que os casos vão dobrar a cada 3 dias com as medidas que estão sendo tomadas no momento.

Há registros da covid-19 em todas as unidades da federação, mas variações no nível de transmissão em cada região. A região Norte, por exemplo, tem 3,7% do total de casos do Brasil. Na outra ponta, a região Sudeste representa o maior percentual, de 58,1%.

O Ministério da Saúde anunciou que irá ampliar os testes. Hoje, no Brasil, apenas os casos mais graves, em que há indicação de internação, fazem o exame, apesar da orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde) de testar todo caso suspeito. 

A mudança na testagem é uma resposta à orientação internacional. “Nossa letalidade vai ficar mais próxima do real”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira.

De acordo com informações da pasta, a cada 100 pacientes com coronavírus, 14 são identificados. Segundo João Gabbardo, 86% das pessoas que foram infectadas não são identificadas.

Serão 22,9 milhões de testes, de dois tipos: o RT-PCR, que detecta o material genético do vírus na amostra, e o teste rápido de sorologia, que verifica os anticorpos.

Julio Ricco via Getty Images
Sudeste concentra maior número dos diagnósticos positivos para coronavírus: 58,1%.

Os exames do tipo RT-PCR representam 14,9 milhões e servem para diagnosticar casos graves internados e também, por amostragem, casos leves em unidades sentinela para o monitoramento da epidemia.

O Ministério da Saúde vai ampliar a rede sentinela de 168 para 500 unidades em todos estados nos próximos 3 meses. A pasta está elaborando um novo protocolo para definir testagem de casos mais leves, em cidades com mais de 500 mil habitantes — essa pode ser uma ferramenta para conter surtos.

Até 30 de março, 2 milhões de testes serão disponibilizados pela Fiocruz e outro 600 mil pagos pela Petrobras. Outro 1,3 milhão serábancados por empresas privadas, de forma gradual, começando com 440 mil em abril. Por fim, há previsão de 1 milhão nos próximos 3 meses, via Fiocruz, sendo que 32.576 já foram entregues. Também está em negociação uma compra pública de outros 10 milhões de unidades.

Quanto ao teste rápido, serão 8 milhões, e o objetivo é garantir a segurança e proteção dos profissionais de serviços de saúde e segurança. Serão 3 milhões até 30 de março, pela Fiocruz, e outros 5 milhões sem data definida, por doação de empresa privada.

Esse tipo de teste, apesar de ter resultado entre 10 e 30 minutos, tem como desvantagem a necessidade do tempo de contaminação pelo vírus. Ele é feito com amostra de sangue, não de vias respiratórias (como muco e saliva). O corpo demora a produzir anticorpos, entre 5 e 10 dias, a depender do tipo. Por esse motivo, o teste rápido deve ser usado com protocolos específicos devido ao risco de falso negativo.

De acordo com o ministério, hoje laboratórios públicos no Brasil têm capacidade de produção de 6.700 testes por dia, mas esse número inclui unidades para outras doenças, como dengue. Os custos dos novos testes serão divulgados no site da pasta, de acordo com a assessoria.

Transmissão comunitária da covid-19

Permanece a recomendação de isolamento de pessoas com mais de 60 anos ou sintomáticas, a fim de evitar que muitos brasileiros fiquem doentes ao mesmo tempo e sobrecarreguem o sistema de saúde.

Outra recomendação é a vacina anti-gripe, especialmente para idosos, iniciada nesta segunda. Segundo Wanderson Oliveira, foram aplicadas 1,4 milhão de doses nestes primeiros dias. A meta é atingir 75 milhões até 23 de maio.

Quanto à distribuição de vacinas, o ministério informou que começou com 10 milhões e que todos os dias serão distribuídos 1 milhão de unidades para  todos os estados.

Na última sexta-feira (20), o Ministério da Saúde reconheceu a transmissão comunitária da covid-19 em todo o País. “A declaração é um comando do Ministério da Saúde para que todos os gestores nacionais adotem medidas para promover o distanciamento social e evitar aglomerações, conhecidas como medidas não farmacológicas, ou seja, que não envolvem o uso de medicamentos ou vacinas”, segundo a assessoria de imprensa da pasta. 

Apesar da alta capacidade de disseminação do novo coronavírus, em cerca de 80% dos casos de contaminação, os sintomas aparecem de forma leve. Menos de 5% dos casos evoluem para um quadro grave.

A principal preocupação é com idosos e pessoas com doenças crônicas. Em infectados com menos de 50 anos, a taxa de mortalidade é de menos de 1%.

Resposta do SUS

Gabbardo rebateu críticas à disponibilidade de leitos no SUS (sistema único de saúde). “Nosso sistema de saúde está preparado e a quantidade de leitos de UTI é adequada às demandas do presente momento. Daqui para frente, com nova demanda do coronavírus, temos que fazer ajustes”, disse. “Não vamos desmoralizar nosso site de saúde. Ele é organizado, robusto e está preparado para enfrentar essas adversidade”, completou.

O secretário-executivo comparou a média de 2,6 leitos de UTI no Brasil a cada 10 mil habitantes - antes da ampliação na pandemia - com números de países europeus. Na França, a relação é de 1,05 mil leitos para 10 mil pessoas. “Só o estado de São Paulo tem mais leitos de UTI que toda a França”, disse Gabbardo.

No Brasil, as críticas de especialistas são quanto à distribuição desses leitos e redução de unidades nos ritmos anos.

Quanto à insumos, o secretário-executivo afirmou que há esforços do governo federal e que “o Ministério da Saúde não faz mágica”. Segundo ele, nesta semana, serão feitas 71 apreensões para evitar a exportação de produtos que não podem ser exportados, como os de proteção individual e respiradores.

Gabbardo também orientou que pessoas sintomáticas, que precisem usar máscaras, optem por alternativas. “Pega um tecido, e faz com elástico (…) vamos deixar máscaras com registros para serem usadas pelos profissionais da áreas da saúde”, disse.