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26/03/2020 17:17 -03 | Atualizado 26/03/2020 20:10 -03

Em 30 dias, covid-19 tem 2.915 casos confirmados e 77 mortes no Brasil

Ministério da Saúde afirma que ritmo está dentro do esperado, porém pode haver subnotificação por escassez de testes.

O número de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil chegou a 2.915, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (26). O número de mortes é de 77, sendo 58 em São Paulo, 9 no Rio de Janeiro, uma no Amazonas, 3 no Ceará, 3 em Pernambuco, uma no Goiás, uma em Santa Catarina e uma no Rio Grande do Sul.

Nesta quarta-feira (25), eram 2.433 casos confirmados e 57 óbitos. A quantidade de diagnósticos positivos cresceu 35% de quarta para quinta. 

O maior número de casos está concentrado na região Sudeste — 1.665, o que corresponde a 57% dos diagnósticos. Só em São Paulo, são 1.052 infectados.

A região Nordeste tem 15,7% das infecções — 457 casos. Logo atrás, região Sul conta 13,5% — 392 diagnósticos positivos. O Centro-Oeste tem 275 casos e o Norte, 126.

Os dados divulgados nesta quinta fecham um balanço dos 30 dias de pandemia e irão servir de base para que a pasta faça projeções para regiões e cidades. O primeiro caso de contaminação no Brasil foi confirmado há exatamente um mês, em 26 de fevereiro.

De acordo com o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, a maioria dos casos são de pessoas entre 60 e 69 anos. Já os óbitos são mais notáveis a partir de 70 anos, embora haja registro de mortes a partir dos 60 anos. A frequência de casos e óbitos é maior entre homens. Os números absolutos ainda não foram informados pela pasta.

Divulgação/Ministério da Saúde

Em relação a internações, há 205 pacientes que estão em enfermaria e 194 em UTI (unidade de tratamento intensivo).

Também foi anunciado um painel online em que o cidadão pode acompanhar o avanço da pandemia. O endereço é https://covid.saude.gov.br.

O secretário-executivo da pasta, João Gabbardo, alertou que “vai crescer muito o número de casos confirmados”. Isso porque o canal será alimentado diretamente por estados e municípios, sem intermédio do ministério.

De acordo com ele, não serão feitas projeções devido às mudanças nos protocolos. “Se começarmos a ampliar enormemente o número de testes, vamos ter um numero muito grande de casos”, disse.

Segundo ele, não é possível medir o impacto das medidas adotadas, apenas o crescimento da doença, que cresce abaixo de 33%, conforme previsto, em um cenário sem ampliação da testagem. O secretário-executivo também destacou a letalidade de 2,6%, abaixo da mundial, de 4%.

Isolamento

Quanto ao isolamento social, o secretario-executivo recomendou caminhadas para quem não está no grupo de risco ou sem sintomas. “Por que a pessoa vai ficar dois ou três meses socadas dentro de um apartamento?”, questionou.

Segundo ele, é recomendado frequentar parques, desde que se evite aglomerações. Gabbardo afirmou que atividades físicas trazem “bem emocional” no período em que a circulação de pessoas, de modo geral, deve ser evitada.

ASSOCIATED PRESS
Sudeste concentra cerca de 60% dos casos de covid-19.

Mais testes

Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a ampliação de testes permitirá o diagnóstico de mais brasileiros. De acordo com ele, a identificação de óbitos não muda porque sempre vai poder apurar-se causa da morte.

Na terça-feira (24), foram anunciados 22,9 milhões de testes, de dois tipos: o RT-PCR, que detecta o material genético do vírus na amostra, e o teste rápido de sorologia, que verifica os anticorpos.

A mudança na testagem é uma resposta à orientação internacional. Antes, apenas os casos mais graves, em que há indicação de internação, faziam o exame, apesar da orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde) de testar todo caso suspeito.

De acordo com dados do SIVEP-Gripe, sistema de vigilância sentinela, nas últimas 5 semanas, foram registradas 11.257 hospitalizações de pessoas com sintomas gripais. Desse total, 391 foram de covid-19, sendo 341 graves.

O monitoramento inclui quadros gripais causados por influenza ou por outro vírus respiratórios, como o novo coronavírus. De acordo com Wanderson, a previsão é de que a curva de aumento de covil-19 coincida com o pico de influenza. “Estado com três epidemias simultâneas: dengue, coronavírus e influenza perto de sua carga máxima”, disse.

WhatsApp sobre novo coronavírus

Quanto à resposta à pandemia, o ministério lançou nesta quinta um canal direito de atendimento para população, por meio do WhatsApp. O número é (61) 9938 - 0031. Trata-se de uma parceria do governo federal com o Facebook/WhatssApp.

A ferramenta usa robô de atendimento automático com as principais orientações sobre doença, prevenção, formas de contaminação, tratamento, protocolo de atendimento para profissionais de saúde e fake news.