ENTRETENIMENTO
08/02/2020 06:00 -03

Por que tanta gente ama ou odeia 'Coringa'?

Filme com mais indicações ao Oscar 2020 conquistou tanto uma legião de fãs fervorosos quanto um exército de detratores.


Filme com mais indicações ao Oscar 2020, Coringa é, de longe, o concorrente à estatueta de Melhor Filme que causa mais controvérsia com o público. Desde que estreou nos cinemas, em outubro de 2019, a produção conquistou tanto uma legião de fãs fervorosos quanto um exército de detratores.

Mas, afinal, por que tanta gente ama e tanta gente odeia Coringa? Indicamos aqui algumas das razões:

Para quem não gosta de Coringa 

Não é o Coringa reconhecido pelos fãs de quadrinhos

Divulgação/Montagem

O icônico personagem criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane em 1940 apareceu pela primeira vez na HQ Batman #1 sem uma origem definida. Aliás, o personagem já teve mais de uma identidade. Ele já se chamou Joseph Kerr, Jack Napier e agora Arthur Fleck

A história mais conhecida identifica o Coringa como ladrão comum que participou de uma roubo a uma fábrica de produtos químicos em Gotham City disfarçado como o vilão Capuz Vermelho. O plano dá errado e o homem fingindo ser o Capuz Vermelho é perseguido pelo Batman e acaba caindo em um tanque de produtos químicos que altera a cor de sua pele e deforma seu rosto, dando a impressão de que ele está sempre sorrindo. Ao ver o que se tornou, o homem enlouquece e se transforma em um assassino anárquico que se apresenta como Coringa.

Com base nessa origem do personagem e em uma variação muito popular criada por Alan Moore na cultuada HQ A Piada Mortal (1988), as “liberdades criativas” tomadas pelo diretor Todd Phillips no filme de 2019 foram muito criticadas pelos fãs de quadrinhos. Principalmente a ligação do Coringa com a família Wayne.

Vitimiza o vilão

Divulgação

Como o Coringa não tem uma origem muito bem definida e com o passar dos anos foi se tornando cada vez mais um vilão que tem como único objetivo criar o caos, o retrato do personagem feito no filme de 2019 incomodou muita gente por ser muito humano.

Arthur Fleck é retratado como um homem bom que sofre de graves problemas mentais, como a condição que o faz gargalhar quando está nervoso ou toda vez que se sente incomodado. Ele se transforma no Coringa por culpa da sociedade, que o maltrata constantemente. Uma visão mais realista que “vitimiza” o arqui-inimigo do Batman, que nem sequer aparece no filme devido a um recorte temporal diferente na história. Por vezes ele é visto até como um herói que lidera, mesmo que por acaso, uma revolta contra a opressão do sistema.

Passa do limite na “homenagem” a Taxi Driver e O Rei da Comédia

Divulgação/Montagem

O diretor Todd Phillips sempre deixou claro que é um grande fã de Martin Scorsese (que é um dos produtores de Coringa) e que seu filme é uma homenagem a duas obras seminais de seu ídolo: Taxi Driver (1976) e O Rei da Comédia (1982). Ou você acha que a escolha de Robert De Niro como o apresentador de TV Murray Franklin foi à toa?

Porém, cinéfilos em geral reclamaram muito das muitas semelhanças entre Coringa e os dois filmes de Scorsese, com cenas que são quase cópias dos “originais”.  

A escolha da música para a cena da escadaria

Divulgação/Reprodução/Montagem

A cena que ficou mais famosa em Coringa, a que mostra Arthur Fleck já vestido como o vilão dançando em uma escadaria tem um detalhe que deixou várias pessoas furiosas. A música usada na sequência, Rock n’ Roll Part 2 é de autoria de Gary Glitter (nome artístico do britânico Paul Gadd), um astro da cena glam rock na década de 1970, que em 2015 foi condenado a 16 anos de prisão por pedofilia.

O fato é que um filme que conta a história de um homem traumatizado pelos abusos que sofreu quando criança estaria pagando direitos autorais de uma música escrita e cantada por alguém que abusou sexualmente de menores. O que, na verdade, não é o que acontece, pois o artista vendeu os direitos autorais de seu catálogo a uma gravadora inglesa e à Universal Music. 

Mesmo assim, não pegou nada bem o fato de Todd Phillips ter optado por uma música de Gary Glitter como fundo musical de uma das cenas mais importantes de seu filme. 

Para quem gosta de Coringa 

A atuação de Joaquin Phoenix é incrível

Divulgação

Bom, mesmo quem não gosta de Coringa admite que a interpretação de Joaquin Phoenix como Arthur Fleck/Coringa é incrível e que ele é a alma do filme. E esse é, claro, um dos principais motivos para o filme ter conquistado tantos fãs.

Phoenix se entregou tanto ao papel que membros da equipe de filmagem confessaram que às vezes era complicado conviver com o ator, imerso no personagem.

Vencedor de todos os prêmios pré-Oscar, Phoenix é o grande favorito a conquistar a sua primeira estatueta de Melhor Ator em 2020. 

Coringa eleva os “filmes de super-heróis” a um novo patamar

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Para quem não liga muito para a fidelidade da história aos quadrinhos, Coringa foi celebrado como uma evolução do que hoje é classificado como “filme de super-herói”.

Cansada desse subgênero que tomou conta do cinema, muito por culpa da sucesso dos filmes da Marvel, muita gente curtiu a pegada mais “realista” de Coringa, uma produção mais focada nas complexidades de seu protagonista do que com cenas de ação pirotécnicas.

 Filme dá mais profundidade ao personagem

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Se por uma lado muita gente viu o Coringa do filme de Todd Phillips ser “vitimizado”, outras enxergaram a construção de Arthur Fleck como uma visão mais realista do que seria um vilão de quadrinhos. Nós conhecemos toda a história de Fleck, sua relação com a mãe, seus sonhos e traumas, dando uma profundidade inédita para quem nunca teve acesso a HQs como A Piada Mortal, por exemplo.