MULHERES
22/12/2019 14:22 -03 | Atualizado 22/12/2019 14:34 -03

Presidente da Fifa estuda realizar Copa do Mundo feminina a cada dois anos

Atualmente, torneio mundial é realizado de quatro em quatro anos, assim como a modalidade masculina.

Catherine Ivill - FIFA via Getty Images
Presidente da Fifa, Gianni Infantino, e a secretária-geral, Fatma Samoura, entregam o troféu para a seleção norte-americana após a final da Copa do Mundo Feminina de 2019, realizada na França. 

Para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a Copa feminina de 2019, realizada na França, mostrou que a modalidade é mais do que um “evento esportivo, é um fenômeno cultural”. Com a intenção de impulsionar as mulheres em campo, o representante da organização anunciou que estuda a possibilidade de realizar o Mundial feminino a cada dois anos. Atualmente, o torneio é realizado de quatro em quatro anos, assim como na modalidade masculina.

Em entrevista coletiva no Catar ― onde ocorreu a final do Mundial de Clubes entre Flamengo e Liverpool ― , segundo a ESPN, ele afirmou que diminuir o tempo entre as competições seria uma forma de impulsionar a categoria e trazer investimentos de forma mais rápida e eficaz.

A ideia foi dada pelo presidente da Federação Francesa de Futebol, Noel Le Graet, devido à expressiva visibilidade e audiência que a Copa de 2019 trouxe e que causou mudanças em como o público, marcas, investidores e imprensa enxergam o futebol feminino no mundo. 

“Com França 2019, nós tivemos mais de um bilhão de espectadores pelo mundo e alguns números incríveis em países onde o futebol feminino normalmente não está nem perto do jogo masculino, como Itália, Brasil ou Inglaterra. Este tremendo sucesso desencadeou algumas propostas, nas quais já estamos trabalhando”, disse Infantino.

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Emmanuel Macron, presidente da França, ao lado de Gianni Infantino, cumprimentam Megan Rapinoe, estrela da seleção dos Estados Unidos.

Segundo o presidente, “isso geraria benefícios e impulsos que se encaixam exatamente no que o jogo feminino precisa no momento”. ”É algo que devemos colocar em discussão”, completou. 

Dados divulgados em outubro deste ano pela Fifa apontam que o Mundial trouxe visibilidade para a categoria e quebrou com ideias pré-concebidas de que o futebol feminino não é chato e mulheres sabem jogar.

Levantamento aponta que 1,12 bilhão de pessoas acompanharam a Copa feminina de 2019 pela TV ou alguma plataforma digital. Em relação à Copa de 2015, realizada no Canadá, a média de audiência por partida mais do que dobrou – à época, cada jogo do Mundial foi visto por cerca de 8,39 milhões; desta vez, foram 17,27 milhões de espectadores por jogo 

O Brasil teve um papel significativo para construir esses números. A final entre Estados Unidos e Holanda foi a mais vista da história do Mundial e a maior audiência foi registrada justamente em território brasileiro, com mais de 19 milhões de espectadores. Já a maior marca de audiência de todas as Copas femininas também aconteceu por aqui: mais de 30 milhões de pessoas assistiram a partida entre Brasil e França pelas oitavas de final.

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Marta (à esq.) celebra com a colega de time, Tamies, o fim da partida entre Itália e Brazil, em Valenciennes, na França.

Quando a Copa do Mundo deste ano chegou ao fim, Infantino apresentou propostas para melhorias no futebol feminino. Entre elas, dobrar o investimento. ”Decidimos investir 500 milhões [de dólares] no futebol feminino. Há uma reserva [financeira] na Fifa e parte disso será realocado para o futebol feminino. Quero propor mais 500 milhões em todo mundo”, disse, à época, em coletiva. 

Entre as outras propostas, estão: criar um Mundial de Clubes Feminino e uma Liga Mundial Feminina; aumentar o número de seleções da próxima Copa de 24 para 32; dobrar o número de premiações na Copa do Mundo de 2023.

O aumento de seleções do Mundial feminino já entrará em vigor na próxima edição do evento. A Copa passará de 24 para 32 seleções. Países como Brasil, Japão, Colômbia e Austrália/Nova Zelândia (candidatura conjunta) são os candidatos a abrigar a disputa. A sede será conhecida em junho de 2020 durante o congresso do conselho da Fifa.