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11/10/2019 12:13 -03 | Atualizado 11/10/2019 12:25 -03

O que esperar do evento conservador importado por Eduardo Bolsonaro para o Brasil

A CPAC, maior conferência da direita americana, será estrelada pelo filho do presidente, que tentou, sem sucesso, trazer Donald Trump.

Amanda Perobelli / Reuters

Ao fim de uma semana conturbada no cenário político, em que o presidente Jair Bolsonaro decidiu travar uma batalha com seu partido, o PSL, acontece em São Paulo um evento de direita encampado por seu filho Eduardo Bolsonaro, a CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora) Brasil

Essa é a primeira vez em que a conferência, tradicional nos Estados Unidos, será realizada no Brasil. Entre esta sexta-feira (11) e sábado (12), ministros do governo Bolsonaro e aliados falarão “contra o terror do comunismo”, para “pensar e discutir o conservadorismo”, como descreve o texto de apresentação do evento no site.

“A maior convenção conservadora dos Estados Unidos traz toda sua expertise em defesa da liberdade e de valores familiares, celebrando a nova aliança política e social dos países neste novo tempo”, diz. 

A CPAC foi realizada pela primeira vez nos EUA em 1973 com a presença de Ronald Reagan e já teve nos palcos em Washington outros ex-presidentes norte-americanos, como George W. Bush. O atual mandatário, Donald Trump, tem sido a principal atração nos últimos anos. 

Em sua última passagem pelos EUA, quando acompanhou o pai, Jair Bolsonaro, na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Eduardo teve como principal objetivo conseguir um encontro pessoal com o presidente americano e convidá-lo para a primeira CPAC Brasil. Embora tenha estendido a viagem por mais três dias, não conseguiu a audiência privada, nem trazer o norte-americano para o evento. 

A CPAC vem ao País na onda do bolsonarismo, mas especialmente após Eduardo assumir a convite de Steve Bannon, ex-estrategista de Trump, o posto de representante na América do Sul do The Movement, grupo que apoia o nacionalismo populista e rejeita a influência do globalismo. Fora da Casa Branca, Bannon se aproximou da família do presidente brasileiro pelas mãos do assessor de relações internacionais, Filipe Martins, pupilo de Olavo de Carvalho. Contudo, nem o ex-funcionário do mandatário dos EUA, tampouco o escritor que exerce influência tão forte sobre o Palácio do Planalto prestigiarão o evento. 

O que esperar

As ausências, contudo, não farão com que os norte-americanos deixem de estar presentes. Na programação, há nomes que atuaram próximos a Donald Trump, como Mercedes Schlapp que foi diretora de comunicações estratégicas da Casa Branca entre setembro de 2017 e julho deste ano — data em que começou a trabalhar na campanha de reeleição do mandatário dos EUA. Ela apresenta no sábado o painel “Os desafios da comunicação conservadora. Estratégias para uma comunicação de alto impacto”. 

O senador republicano Mike Lee também está confirmado, segundo o filho 03 de Jair Bolsonaro. 

Há ainda no cronograma o nome de Matthew Aaron “Matt” Schlapp, marido de Mercedes. Ativista político que preside a União Conservadora Americana, colaborador da Fox News, ele participa da mesa de abertura do evento ao lado do vice-presidente do PSL, Antonio de Rueda, e de Eduardo. Logo em seguida, haverá uma conferência de uma hora com o presidente Jair Bolsonaro. Ainda não há confirmação de como será feita: se por um vídeo gravado ou teleconferência. Na sequência, o encerramento do primeiro dia, com Eduardo, o protagonista do CPAC Brasil.

Entre as figuras que reconhecidamente defendem o governo Bolsonaro, estão o ativista Bene Barbosa, da ONG Movimento Viva Brasil, e Dom Bertrand, intitulado príncipe de Orléans e Bragança, que lidera o movimento pela restauração da monarquia no País. Ambos falarão sobre meio ambiente, respectivamente com os temas “a quem interessa o desmatamento” e “os verdadeiros interesses por trás da crise da Amazônia”. 

Haverá a participação da deputada estadual do PSL de Santa Catarina Ana Caroline Campagnolo, que ficou famosa por incentivar denúncias contra professores “doutrinadores”. Seu painel é sobre “o impacto da ideologia feminista na política, na vida pública e na educação”.

Parte da Esplanada também vai estar no evento. Os ministros Ernesto Araújo (Itamaraty), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Abraham Weintraub (Educação) e o secretário para Assuntos Internacionais, Filipe Martins. 

Os atritos protagonizados por Jair Bolsonaro com o presidente do PSL, Luciano Bivar, fizeram com que o deputado fosse excluído do evento. Apesar disso, é o partido quem financia a conferência, por meio do Instituto de Inovação e Governança, Indigo, fundação da legenda.