Como tem sido o distanciamento social para os filhos únicos

Pais que têm somente um filho falam sobre o que é fácil e o que não é tão fácil assim.

Desde meados de março, Sara Foos, 38, está quarentenada em casa com o marido e a filha de 6 anos, Leah. Das 9h às 14h, os pais se revezam na supervisão das atividades da escola online e das aulas que acontecem duas vezes por semana via Zoom. Além, disso, eles levam a filha para brincar na rua.

Muitas vezes, porém, Leah está sozinha.

“Meu marido e eu tentamos ficar à disposição dela, mas, na maioria das vezes, ambos temos alguma obrigação de trabalho”, diz Foos. “Ela acaba ficando entediada e sozinha.”

Leah disse várias vezes que quer uma irmã ou irmão, sem saber que seus pais perderam um bebê no final de 2018.

“Ela só quer sair para brincar e usar a imaginação”, diz Foos. “Mas fazer tudo sozinha perde a graça bem rápido.”

Pais e mães estão sofrendo durante a pandemia. Milhões de crianças em todo o mundo foram tiradas da escola repentinamente no começo do isolamento social, e os pais não tiveram um momento de sossego desde então. Da mesma forma, a maioria das crianças não encontra amigos da mesma idade há muito tempo. Estamos todos ficando um pouco loucos.

Para pais de filhos únicos, a quarentena ou o distanciamento social (ou qualquer que seja sua terminologia preferida para descrever esses meses trancados em casa) representam desafios e benefícios únicos.

Menos organização para levar e trazer as crianças da escola, menos lancheiras para preparar? Sem dúvida. Pedidos constantes para jogar um jogo com seu filho? Idem.

Para o número crescente de pais com apenas um filho em casa ― e para todos os outros pais também ―, a pandemia de covid-19 tem sido difícil e complicada (mas também com momentos maravilhosos). E ninguém sabe quando ela vai acabar.

Para Nicole Bomasuto, 45, que tem um filho de 7 anos e enfatizou que é mãe solteira por opção própria, uma das principais (e mais óbvias) vantagens de ter apenas um filho em casa é que ela tem somente uma agenda extra para administrar em casa.

“Tenho só um filho – e um horário de escola, uma emoção para gerenciar”, diz Bomasuto. “Como não tem irmãos, Sam já sabia se entreter sozinho.”

“Ter de se preocupar só com uma agenda é uma bênção”, diz Katie Gonçalves, 32, que tem uma filha de quatro anos. “Não consigo imaginar o malabarismo que é lidar com mais de uma escola, as brincadeiras, os cochilos e todas as necessidades das várias crianças.”

Ela e o marido até conseguem um tempinho para si mesmos quando estão em casa: eles se revezam.

Mas os pais dizem que os filhos únicos estão lidando com um nível de isolamento e desconexão que parece diferente ― e talvez mais intenso ― do que aqueles que têm irmãos em casa.

“Minha filha se sente sozinha. Ela sente falta dos professores e das amigas, e tenho certeza que é assim para todas as crianças em idade escolar. Mas ser filho único acrescenta outra camada de dificuldade”

- - Katie Gonçalves

Sua filha brincou como uma outra criança pela primeira vez na semana passada, depois de semanas sozinha.

“Fazia meses que ela não ficava tão feliz, brincando com os meninos e conversando com outras crianças”, diz Gonçalves. “Vamos continuar marcando essas sessões de brincadeira.”

Um desafio para os pais de filhos únicos – e, mais uma vez, para todos os pais ― será decidir que nível de interação social eles permitirão para as crianças. Isso é ainda mais crítico porque não existem recomendações uniformes e concretas por parte do governo e das autoridades de saúde pública.

Por um lado, há o risco associado à covid-19. Por outro, o impacto emocional. Muitas crianças estão carentes e solitárias.

Mas muitos pais estão descobrindo que seus filhos são mais resilientes do que eles imaginavam. Pesquisas sugerem que filhos únicos podem ser particularmente flexíveis e tendem a ter laços especialmente fortes com os pais. Sim, eles sentem falta de estar com outras crianças. Mas ― como as outras crianças ― eles vão atravessar a crise.

Foos temia que sua filha, Leah, ficasse arrasada quando soubesse que sua festa de aniversário teria de ser cancelada (ela fez uma videoconferência com os avós para comemorar). Mas, apesar do fato de não encontrar os amigos, Leah vem levando muito bem a situação.

“Ela disse: ‘Tudo bem, mamãe. Não queria que meus amigos ficassem doentes. Me diverti com mamãe e papai e foi o melhor dia’”, afirma Foos. “Foi com certeza o melhor momento destes últimos dois meses.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.