COMIDA
19/07/2019 16:50 -03

Como manusear carnes cruas, segundo especialistas em segurança alimentar

Carnes de frango, vaca e porco podem transmitir doenças. Eis o que você pode fazer para evitar contaminação em casa.

Claudia Totir via Getty Images

Sou uma pessoa preocupada com a saúde, e sempre me perguntam se como carne. Minha resposta? Sim, adoro. É delicioso e me dá muita energia, mas quase nunca preparo em casa.

Não me entenda mal, amo a ideia de cozinhar carne em casa. Poderia comprar frangos orgânicos e carne da mais alta qualidade. Mas morro de medo de carne crua. Ouvi muitas histórias sobre gente que ficou doente e li matéria de casos de contaminação por salmonela e listéria em produtos vendidos nos supermercados. Para mim, manusear carne crua é quase brincar com a morte.

No fundo, sei que isso é irracional – especialmente porque a carne que eu como nos restaurantes também estava crua antes de chegar à mesa. Para tentar superar essa fobia, decidi procurar especialistas em segurança alimentar para aprender como manusear carne crua, incluindo a retirada da embalagem e a limpeza. Se você também tem medo, eis tudo o que você tem de saber. 

Carne de menor qualidade significa mais risco de contaminação?

Segundo Archie Magoulas, especialistas em segurança alimentar do Ministério da Agricultura dos Estados Unidos, diz que as chances de ficar doente têm a ver com seus cuidados, não com a qualidade da carne. “Pode ser um corte premium ou uma carne qualquer comprada no supermercado: o cuidado no manuseio e na preparação são muito importantes”, afirmou ele ao HuffPost. “É essencial tomar certas precauções, pois as bactérias perigosas não têm cheio nem sabor.”

O que fazer para evitar contaminação em casa

Se você seguir algumas regras básicas, a contaminação é pouco provável. A primeira delas? Lavar as mãos. “Sempre lave as mãos com sabão e água morna durante 20 segundos antes e depois de manusear alimentos”, disse ao HuffPost Marc Sanchez, advogado especializado em segurança alimentar. Feito isso, certifique-se de que você tem espaço suficiente para trabalhar com a carne, não uma bagunça de outros ingredientes e utensílios.

“A bactéria da carne e do frango crus podem se espalhar para outros alimentos, utensílios e superfícies. Isso se chama contaminação cruzada”, explicou Magoulas. “Se você for marinar, sempre use um recipiente fechado e coloque a carne na geladeira.”

Na hora de cozinhar, preste atenção na temperatura. Se você não tiver um termômetro de carne, talvez valha a pena comprar um. “Bifes ou assados de carne de boi, porco, frango ou carneiro têm de atingir temperatura interna mínima de 62,8 graus centígrados, medidos por um termômetro, antes de serem retiradas do fogo”, disse Magoulas. Por segurança, e também para permitir que o suco se redistribua internamente pela carne, espere pelo menos três minutos antes de cortar a carne. Você pode ultrapassar essa temperatura (mas isso vai deixar a carne mais seca). Temperaturas inferiores podem ser uma área de risco.

Para carne moída (de vaca, vitela, porco ou carneiro), Magoulas recomenda uma temperatura interna de 71,1 graus. O frango deve atingir 73,9 graus.

E depois? Sanchez diz que a limpeza depois de cozinhar também é essencial. Água morna e sabão funciona bem para uma limpeza básica, mas é importante ir além. “Tábuas, utensílios e balcões devem ser sanitizados com uma solução de uma colher de sopa de alvejante diluída em 3,8 litros de água”, afirmou ele. 

Não é só a carne que deve ser manuseada com cuidado

A carne crua pode apresentar riscos para a saúde, mas não é o único ingrediente que merece cuidados na cozinha.

“Ovos, verduras, tomates e frutas também não são estéreis”, disse Magoulas. “Milhares de bactérias diferentes estão presentes naturalmente no nosso ambiente. Os microorganismos que causam doenças são chamados patógenos. Mas é importante lembrar que nem todas as bactérias causam doenças nos seres humanos. Algumas são essenciais para produzir queijos e iogurtes, por exemplo.”

Alguns tipos de carne não são submetidos a inspeção tão rigorosa

De acordo com Sanchez, certos tipos de carne podem apresentar mais risco de causar doenças.

“O serviço de inspeção de alimentos do Ministério da Agricultura (conhecido pela sigla FSIS) só inspeciona carnes de vaca, frango, peru, porco e bagre”, afirmou ele. “Outras carnes, como caças, outras aves e todos os peixes (com exceção do bagre) estão apenas sob a jurisdição do ministério. O FSIS opera nas instalações de processamento de carne de forma contínua e aplica um carimbo após a inspeção.”

De qualquer maneira, o mais importante é o frescor. A regulamentação não deveria te impedir de comer esses tipos de carne. Apenas certifique-se de observar, tocar e sentir o cheiro antes de comprar ou preparar – e a intuição é uma ótima aliada nessa hora.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.