Glutamato, sucralose, acesulfame... O que significam os nomes desconhecidos nos rótulos

“Não necessariamente um produto que diz ser light ou integral é saudável”, diz nutricionista.

Na busca por alimentação saudável, muitos brasileiros ainda se confundem na hora de escolher o que comer. Nas gôndolas dos supermercados, as opções são diversas e tentadoras. Entre os alimentos embalados, principalmente na seção “saudável”, o que não faltam são termos como “sem açúcar adicionado”, “diet”, “light”, “integral”, entre outros.

O problema é que, nem sempre, isso quer dizer que tal alimento é saudável. É preciso saber ler corretamente as informações presentes nos rótulos para decifrar o que você realmente está consumindo. E isso não é uma tarefa fácil.

“Não necessariamente um produto que diz ser light ou integral é saudável”, diz o nutricionista do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Rafael Arantes. “Até porque não existe uma norma que um alimento precisa seguir para ser considerado integral.”

Então como descobrir se um alimento é saudável ou não?

Não tem jeito: a melhor maneira de não ser enganado pelos chamativos rótulos é observar a parte de trás das embalagens, onde há a tabela nutricional e a lista de ingredientes. É nesta última que a verdade vai aparecer.

″É muito importante verificar os rótulos dos alimentos, principalmente dos ultraprocessados, que podem causar doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares”, explica o nutricionista do Idec.

Os ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos, pão de forma, entre outros, são aqueles alimentos que se distanciam muito dos alimentos in natura e dos minimamente processados, como frutas, verduras, grãos e carnes. Geralmente eles vêm embalados e têm uma lista extensa de ingredientes ― inclusive com nomes complexos e que são, geralmente, desconhecidos pela população.

“O ideal é buscar por produtos que têm menos ingredientes, sem açúcar adicionado, adoçante, sal, corantes e aromatizantes artificiais.”

- Rafael Arantes, nutricionista do Idec.

Enquanto os processados têm ingredientes que, digamos, são “legíveis” e que é possível encontrar em casa (como sal e fermento) ou que vêm da natureza (como a lactose), os ultraprocessados levam ingredientes adicionados e nomes que mascaram o que eles realmente são.

Diferença na composição entre queijo muçarela e Polenguinho.
Diferença na composição entre queijo muçarela e Polenguinho.

Muitos dos nomes que constam nesta lista são apenas codinomes para os famosos sal, açúcar e gordura ― fórmula mágica para agradar e até viciar qualquer paladar, principalmente o infantil.

Por exemplo, são considerados açúcares ingredientes como:

  • Xarope de glicose
  • Xarope de milho
  • Maltrodextrina
  • Glicose.
  • Glucose
  • Dextrose

Já alimentos que “escondem” gordura trans ― que foi proibida pela Anvisa no final de 2019 ― podem utilizar ingredientes com nomes como:

  • Gordura hidrogenada
  • Hidrogenada
  • Gordura parcialmente hidrogenada
  • Gordura vegetal hidrogenada
  • Gordura vegetal parcialmente hidrogenada
  • Gordura interesterificada
  • Gordura de soja parcialmente hidrogenada
  • Óleo vegetal parcialmente hidrogenado
  • Óleo vegetal hidrogenado

Além disso, podem conter ou não gordura trans ingredientes com nomes como:

  • Gordura vegetal
  • Gordura vegetal de girassol
  • Gordura vegetal de soja
  • Creme vegetal
  • Margarina vegetal
  • Margarina vegetal hidrogenada

Já outros ingredientes podem “mascarar” o sal. Alguns exemplos são:

  • Glutamato
  • Glutamato monossódico (realçador de sabor)
  • Ciclamato de sódio
  • Nitrato de sódio

Um problema chamado edulcorante

Já sabemos que consumir aromatizantes e corantes artificiais não é saudável. Mas muitos ainda consomem adoçantes artificiais adicionados em bebidas e alimentos light, diet ou zero. Na maioria dos produtos, estes adoçantes são chamados de “edulcorantes”.

De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), é preciso ter cautela com edulcorantes artificiais, como sucralose, aspartame e sacarina e acesulfame, ciclamato de sódio.

“Quando consumidos em excesso, os edulcorantes podem causar efeitos colaterais, como dor de cabeça, mal-estar, alterações de humor e diarreia”, afirmou o instituto em nota. “Além disso, estudos experimentais, realizados em animais, revelam o potencial de determinados adoçantes artificiais, como o aspartame, ciclamato de sódio e sacarina sódica, para desenvolvimento de câncer.”

O órgão recomenda evitar ao máximo o consumo destes ingredientes, majoritariamente presentes em alimentos industrializados. Dê preferência aos adoçantes naturais, como stevia, xilitol e frutose.

Porém, a principal dica é educar o paladar para sentir o real sabor dos alimentos. “Muitos alimentos industrializados como os diet, light, zero e até mesmo os normais possuem edulcorantes em sua composição. Atualmente é comum alguns produtos anunciarem que não possuem açúcar e não especificar que houve a troca por adoçantes. Portanto, para saber se está consumindo adoçantes, fique atento à lista de ingredientes nos rótulos dos alimentos”, sugere o Inca.

Menos embalagens, mais comida de verdade

Observar a lista de ingredientes e a tabela nutricional (onde está registrada a quantidade de sódio, açúcar e gordura do alimento) é essencial para não comprar alimentos “falsos saudáveis”.

Porém, a principal dica para ter uma vida mais saudável é buscar uma alimentação mais “natural”, ou seja, consumir sobretudo alimentos frescos e minimamente processados, como verduras, legumes, grãos, frutas, sucos naturais, ovos e carnes (estes últimos itens são opcionais e devem ser consumidos com moderação!)

O Guia Alimentar Para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, recomenda que a base da alimentação deve ser composta por alimentos in natura e minimamente processados, evitando ao máximo ultraprocessados.

“Além de se atentar à lista de ingredientes, compre alimentos em outros canais de fornecimento, como feiras de rua e feiras orgânicas”, diz Rafael Arantes, do Idec. “Dê preferência também aos alimentos produzidos de forma mais natural, como pães de fermentação natural, iogurtes naturais com dois ou três ingredientes, e alimentos sem adição de açúcar, corantes e adoçantes.”