COMPORTAMENTO
04/09/2019 02:00 -03

7 jeitos de ajudar uma pessoa querida que está tentando ser mais saudável

Às vezes nossas tentativas de incentivar amigos, parceiros ou parentes saem pela culatra. Eis o que fazer.

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Seu apoio pode fazer muita diferença.

Você quer que as pessoas importantes da sua vida – seu parceiro, seus amigos e seus parentes – tenham vidas longas, saudáveis e felizes. Quando uma delas te diz que está pensando em fazer mudanças de hábitos para ser mais saudável, você pode ficar tão ansioso para ajudar que acaba bombardeando ela com conselhos bem-intencionados: coma isso, leia aquilo, faça esses exercícios na academia.

Dizer o que os outros “devem” fazer não é a maneira mais eficaz de ajudar. Mas existem outras maneiras de demonstrar apoio enquanto eles navegam essas mudanças por conta própria. E não subestime a importância de estar ao lado das pessoas queridas nessa jornada de transformação. Pesquisas apontam que pessoas que contam com redes de apoio sólidas em geral obtêm melhores resultados quando se trata de fazer mudanças – e de adotá-las como um novo estilo de vida. 

Pedimos que especialistas nos dessem dicas do que fazer – e do que não fazer – na hora de apoiar quem quer se tornar mais saudável. Veja o que eles nos disseram.

O que você pode fazer para ajudar

Klaus Vedfelt via Getty Images
Uma maneira de ajudar? Ofereça-se para planejar e preparar refeições.

Assim como não existe um só caminho para ser mais saudável, não existe uma única maneira de ajudar. Mas essas dicas são um bom começo. 

1. Pergunte por que eles querem ser mais saudáveis

Não presuma que os motivos deles serão os mesmos que os seus.

“Isso te ajuda a entender os objetivos da outra pessoa e a certificar-se de que você não está projetando nos outros a sua ideia do que é  saúde”, diz Torri Efron, terapeuta de famílias especializado em transtornos alimentares. “Você pode perguntar o que elas entendem por ser mais saudável, qual a definição delas de boa saúde e como elas saberão que alcançaram seu objetivo.”

2. Ajude a definir metas que não sejam medidas só pelo número da balança

A cultura da mil dietas pode ser tóxica e passa a mensagem que o peso, bem como o tamanho e o formato do corpo, ditam nosso valor. É equivocada a ideia de que magro é “bom” e gordo é “ruim” – acreditar que os magros são saudáveis e, portanto, os gordos, não é uma ilusão.

“Lembre-se de que o peso não é o único indicador de saúde”, afirma Efron. “A saúde pode ter vários tamanhos.”

Pense em objetivos que vão além da perda de peso e das calorias ingeridas e queimadas. Algumas ideias: “Quero correr uma prova de 5 quilômetros”, “Quero ter energia para brincar com as crianças depois do trabalho” ou “Quero preparar o jantar em casa três vezes por semana.”

Também considere metas que não envolvam comida ou exercício, sugere Efron. Escrever um diário de gratidão ou recitar frases positivas também têm efeito sobre sua saúde mental. 

3. Pergunte o tipo de ajuda que a pessoa precisa para atingir seus objetivos

Você pode achar que seu amigo quer ser inundado com e-mails de receitas veganas, mas na verdade talvez ele só precise de companhia para fazer uma caminhada no fim de semana.

Em vez de sair tirando conclusões, a fisiologista e técnica de corridas Janet Hamilton oferece um conselho simples: “Pergunte: ‘O que posso fazer para te ajudar a alcançar suas metas?’ E então fique quieto e ouça a resposta”.

4. Ofereça ajuda no planejamento e no preparo de refeições

É fácil fazer escolhas saudáveis quando você abre a geladeira e tem opções nutritivas à mão. Mas planejar as refeições da semana, fazer as compras e preparar a comida exige tempo e esforço.

“O tempo é um dos maiores obstáculos da preparação de refeições, pois você tem de encaixar todas as etapas na sua agenda lotada”, diz McKel Kooienga, nutricionista e fundadora do site Nutrition Stripped. “Pensar e preparar as refeições com antecedência faz toda a diferença, pois você sempre tem os ingredientes saudáveis à mão para cozinhar ou para beliscar.” 

Ofereça-se para ajudar nesse departamento. Um par de mãos a mais na cozinha nunca é demais – e também é mais divertido assim.

5. Elogie o progresso do seu parceiro sem focar na aparência

“Fazer comentários sobre a aparência ou o peso, mesmo que seja um elogio, pode ser mal interpretado”, diz Hamilton.

Em vez disso, Efron sugere fazer outro tipo de elogio, como “Estou impressionado com sua dedicação” ou “Adoro essa sua nova energia”.

6. Pergunte se eles querem companhia para se exercitar

Não é difícil trocar uma manhã na academia por umas horinhas de sono a mais, ou então desistir do treino depois de um longo dia no escritório. Mas é mais provável que você mantenha a rotina de exercícios quando sabe que uma pessoa querida conta com a sua companhia. Além disso, o exercício pode ser uma ótima maneira de colocar a conversa em dia.

“Se a pessoa não está acostumada a se exercitar, ofereça ajuda”, diz Hamilton. “Elas podem não saber como usar os aparelhos da academia, por exemplo.”

Deixe o outro ditar o ritmo. Não force ninguém a te acompanhar, pois isso pode resultar em contusões.

“A outra pessoa deve ditar o ritmo, a duração e a intensidade do treino, além de escolher os exercícios que quer fazer”, afirma Hamilton.

7. Saiba que haverá tropeços – eles fazem parte do processo

O compromisso de se alimentar melhor e exercitar-se regularmente vem com percalços – seja compreensivo. Lembre-se que estamos falando de progresso, não de perfeição.

“Seja flexível e paciente”, afirma Kooienga. “Às vezes são muitos pequenos passos, mas o importante é manter o apoio. Celebrar as pequenas vitórias e lidar com os pequenos revezes. Só assim acontecem mudanças sustentáveis.”

E o que não fazer...

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Comentários negativos como “É sério que você vai beliscar agora? Acabamos de jantar!” podem atrapalhar mais que ajudar.

Às vezes, nossos melhores esforços podem sair pela culatra. Eis o que você deve evitar:

Não seja a patrulha da comida ou do exercício

Na sua cabeça, você está ajudando seu parceiro quando diz: “Você mesmo vai comer outro biscoito?” ou “Você foi à academia hoje? Levante do sofá e vá fazer uma aula de ioga”.

“Isso pode parecer ajuda para você – apontar os erros alheios ―, mas a outra pessoa provavelmente vai entender de outra maneira”, diz Hamilton.

Em vez de chamar a atenção para os deslizes, “foque em elogiar as conquistas”, diz Efron. 

Não classifique comidas como “boas” ou “ruins”

É claro que um prato de couve-flor refogada é mais nutritivo que uma fatia de pizza. Mas rótulos como “bom” e “ruim” são julgamentos morais que não se aplicam à comida. Eles podem causar sentimentos de culpa e vergonha. O mesmo vale usar essas palavras para descrever-se depois de comer (ou não comer) certas coisas. O fato de você tomar um sorvete depois do almoço não faz de ninguém uma pessoa “ruim”.

“Ir para academia não significa que você mereça comer mais. Fazer regime não te torna uma pessoa melhor”, diz Efron. “Apoie os objetivos dos outros, mas lembre-se que isso é uma parte pequena no todo de nossas vidas.”

Não fique pregando o que o outro “deveria” fazer

Não se esqueça desse detalhe, pois a jornada saudável pertence a outra pessoa. Em vez de dizer o que ela “deveria” fazer, dê exemplos.

“Demonstrar com exemplos o que a outra pessoa quer fazer pode ser uma ótima maneira de dar apoio sem dizer ‘Você deveria fazer X’. Isso é verdade mesmo que você tenha confiança de que sabe a maneira ‘correta’ de fazer algo”, afirma Kooienga.

Se pedirem sua opinião – “Será que eu peço esse prato?” ―, responda, mas sem julgamentos.

“Hábitos saudáveis são pessoais”, diz Hamilton. “O que funciona para você pode não funcionar para outra pessoa.”

Quando as mudanças são preocupantes

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Preste atenção em sinais de alerta, pois regime ou exercícios podem virar obsessões nada saudáveis.

Às vezes a preocupação com a saúde pode ir longe demais, entrando em território perigoso. Dietas muito restritivas e compulsão por exercícios são sinais de alerta. Efron menciona alguns outros comportamentos que merecem atenção.

“Repare se há culpa por comer certas coisas ou por deixar de ir à academia. Algumas pessoas também evitam ocasiões sociais por causa da comida ou porque estão preocupadas com a aparência”, diz ela.

Se você está preocupado e quer falar do assunto, use somente frases que comecem com “eu”. Não jogue a culpa no outro.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.