Como (educadamente) lembrar alguém de usar sua máscara

O uso da máscara por outras pessoas pode acabar gerando algumas situações desagradáveis, mas é importante ser gentil.

Desde quando o isolamento social começou a ser afrouxado, você ou uma pessoa próxima talvez já tenham enfrentado um problema com máscaras. Você está no ônibus, no metrô ou na fila do supermercado, e a pessoa ao lado não está usando a máscara de proteção contra o coronavírus. O que fazer? O que dizer à pessoa? Essa questão pode surgir com frequência cada vez mais alta à medida que saímos cada vez mais as ruas e tentamos retomar parte da rotina.

Nessa situação, é o caso de reagir e lembrar à pessoa de colocar sua máscara e tomar as medidas de proteção? Se sim, como?

Antes de mais nada, é preciso escolher a situação na qual intervir, mesmo porque o assunto da máscara pode muito rapidamente virar fonte de tensão, com uma pessoa preocupada com sua saúde e a das outras pessoas, enquanto a outra tem a sensação de que seu livre arbítrio está sendo desrespeitado.

Assim, segundo o diretor clínico da divisão de doenças infecciosas Paul Sax, entrevistado pela NPR, “um corredor que passa do seu lado sem máscara ou uma família fazendo um piquenique” talvez não sejam as melhores pessoas para você chamar a atenção. Para ele, vale mais a pena se concentrar sobre indivíduos que representam um perigo real aos outros e sobre situações em que você está convencido de que sua intervenção terá um impacto.

Vale mais a pena se concentrar sobre indivíduos que representam um perigo real aos outros
Vale mais a pena se concentrar sobre indivíduos que representam um perigo real aos outros

Seja gentil. Nada de violência

Para que sua mensagem seja ouvida, o segredo está em agir com gentileza e nunca apelar para a violência ou culpabilizar o outro. “Não devemos ser desagradáveis ou grosseiros”, diz Arthur Caplan, diretor da divisão de ética médica da Grossman School of Medicine da Universidade de Nova York, segundo a “Time”. “De fato, se eu abordo outra pessoa com uma atitude violenta ou autoritária, isso já representa um perigo”, ele prossegue. Você não tem a menor ideia de como a outra pessoa vai reagir diante de tal intervenção.

A ideia é que se você não é nem justiceiro nem policial, não cabe a você transmitir uma mensagem coerciva. Tampouco é seu papel assustar ou culpabilizar o outro. Segundo Catherine Amiot, professora titular do departamento de psicologia da UQAM, “isso provoca uma reação rápida das pessoas, mas não são emoções que vão levar a mudanças de atitude duráveis”. “Se for possível transmitir a mensagem de modo positivo, por exemplo com um toque de humor, isso deve ajudar”, ela explicou, entrevistada pelo “Journal de Montréal”.

É o que também diz o Dr. Abraar Karan, médico da Harvard Medical School: “Constranger ou humilhar a outra pessoa nunca funciona. Não deu certo em epidemias passadas e não dará certo nesta”, ele afirmou à NPR. “O segredo está em ser gentil e comunicar suas preocupações claramente, sem estigmatizar o outro nem fazê-lo sentir que cometeu um erro. Pessoalmente, eu diria: ‘Olhe aí, tem álcool gel, você pode usar’.”

Mudanças de longo prazo

Com uma simples reflexão sobre o uso da máscara ou de medidas de distanciamento social e proteção, o objetivo que devemos ter em mente é mudar comportamentos no longo prazo, e não apenas neste momento. Para isso, raramente é o bastante dizer a uma pessoa o que ela deve fazer.

Para Kim Lavoie, professora de psicologia em medicina do comportamento na Universidade do Quebec em Montreal, para mudar o comportamento dos indivíduos é preciso uma postura positiva, de recompensa. É preciso dizer às pessoas, por exemplo: “Vejam, as pessoas usaram máscara e respeitaram as regras, e assim o número de casos da doença caiu”, ela explicou à Radio-Canada.

Mostrar, de certo modo, que trata-se de um sacrifício que ela precisa fazer, mas que você também está fazendo. Que é uma responsabilidade coletiva e uma questão de solidariedade. “A mudança de hábitos é desestabilizadora, mas estamos mudando nossos hábitos neste momento por razões coletivas. Qual será a contribuição social disso? Por exemplo, se a pessoa se esforça para aliviar a sobrecarga do sistema de saúde, ela própria pode acabar se beneficiando disso”, explica Catherine Amiot.

É claro que o mais importante é mostrar o exemplo, você mesmo. Uma pessoa isolada no meio de 15 outras que respeitam as regras de segurança pode sentir-se pressionada ou impelida a fazer o mesmo. Como diz Paul Sax, é a chamada “pressão dos pares”. É a primeira maneira de dizer às outras pessoas que precisam adotar certas precauções, como você está fazendo.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost França e traduzido do francês.