Comida

O colesterol deveria estar no radar de todos. Você está controlando o seu?

Quais são os níveis ideais de colesterol, e como você pode reduzir os seus? Veja aqui tudo que você precisa saber a respeito.

O colesterol alto está ligado a problemas sérios de saúde, mas frequentemente pensamos que só vamos precisar nos preocupar com isso quando ficarmos mais velhos. Ledo engano.

O colesterol é algo que deveria estar no radar de todos. Cientistas dizem que as pessoas deveriam começar a fazer exames de colesterol aos 25 anos para que possam começar a mitigar o risco de doenças cardíacas.

Mas o que é o colesterol realmente? Como ele nos afeta? E o que podemos fazer para abaixar nosso colesterol e permanecer saudáveis? Pedimos algumas explicações simples às organizações Heart UK, Bupa e British Heart Foundation (BHF).

O que é o colesterol?

O colesterol é um tipo de gordura, também conhecido como lipídio, produzido no fígado e também encontrado em alguns alimentos que consumimos. Todos precisamos de algum colesterol para conservar um corpo saudável, mas um excesso grande de colesterol está ligado a problemas de saúde mais tarde na vida, incluindo doenças cardíacas –que podem levar a ataques cardíacos—e acidente vascular cerebral. O excesso de colesterol no organismo também está vinculado à demência vascular.

O colesterol tem três funções principais: ele forma parte da camada externa de todas as células do corpo; ajuda a conservar ossos, dentes e músculos sadios, e ajuda a produzir bílis, substância que digere as gorduras que consumimos.

Colesterol bom e ruim – qual é a diferença?

Há tipos diferentes de colesterol que tendem a ser agrupados em duas categorias, diz Chris Allen, da entidade beneficente britânica Heart UK. Essas duas categorias são o colesterol bom e o ruim.

As lipoproteínas que não são de alta densidade (não-HDL) são vistas como colesterol “ruim”. Esse tipo de colesterol pode contribuir para o acúmulo de gordura nas artérias, que pode com o tempo provocar problemas de saúde. Já as lipoproteínas de alta densidade (HDL) são vistas como o colesterol “bom”. Especialistas acreditam que o HDL ajuda a dissolver o acúmulo de gordura nas artérias, conduzindo as gorduras de volta para o fígado. Pense nele como um segurança cordial que expulsa um bêbado de uma boate.

Segundo Allen, a maioria das pessoas pensa que quanto mais alto for seu nível de HDL, melhor. Mas as evidências indicam que, se o HDL estiver alto demais, pode começar a atuar da mesma forma que o colesterol ruim.

Como o colesterol é medido?

O colesterol alto ocorre quando você tem altos níveis de HDL e não-HDL circulando em seu corpo. Sim, o colesterol é feito de colesterol “bom” e “ruim”.

Ele é medido em moles por litro de sangue. O valor de referência seguido no Reino Unido tende a ser 5mmol/L –qualquer coisa abaixo disso é considerada normal, e qualquer valor acima desse é preocupante.

Seu nível de colesterol é o total de seu HDL e não-HDL somados. Portanto, se seu HDL estiver em 1mmol/L e seu não-HDL em 4mmol/L, seu nível de colesterol será 5mmol/L.

De acordo com Allen, é importante distinguir os dois tipos de colesterol contidos nessa medida, porque, se o número total estiver no limite do valor de referência, você pode analisá-lo com mais cuidado para saber se há motivo para se preocupar. Se a maior parte dos 5mmol/L for composta de não-HDL, por exemplo, isso pode ser um sinal de alerta e você talvez precise de tratamento. Mas se você tiver mais colesterol bom (HDL) e não tanto colesterol ruim (não-HDL), e se você estiver bem de modo geral, há menos razão para se preocupar.

Não é apenas o coração que corre risco quando o colesterol está alto demais.

O que leva os níveis de colesterol a subir?

O chamado “mau” colesterol se acumula em decorrência do consumo de alimentos com alto teor de gordura, de fazer exercício físico insuficiente, obesidade, tabagismo e consumo de álcool.

Os alimentos com alto teor de gorduras saturadas, que contribuem para níveis mais altos de colesterol, incluem: manteiga, óleo de coco, bolos, biscoitos, carnes gordurosas, linguiças, bacon, carnes defumadas, carnes curadas, queijo, pastéis, creme, sorvete e chocolate.

O colesterol alto pode ser um problema genético. Portanto, se seus pais, avós ou tios têm ou tiveram colesterol alto ou problemas cardíacos, é possível que você também tenha –e é aconselhável fazer exames para descobrir.

A hipercolesterolemia familiar (HF) é uma das condições herdadas mais comuns, causadas por um problema com os genes. Essa condição é a razão por que a Heart UK vem pedindo que crianças pequenas sejam submetidas a exames de colesterol, porque as pessoas com HF apresentam níveis de colesterol muito altos desde a infância, algo que pode resultar em problemas do coração quando chegam aos 20 ou 30 anos de idade. “Antigamente pensávamos que cerca de uma em cada 500 pessoas tem HF”, diz Allen, “mas estamos começando a perceber que na realidade o número é mais próximo de uma em cada 250 –e pode ser ainda maior.”

Quem deve fazer exames de colesterol?

O colesterol alto geralmente não provoca sintomas. A única maneira de descobrir se você tem esse problema alto é fazendo um exame de sangue.

No Reino Unido, as pessoas com idades entre 40 e 74 anos recebem uma carta do seu clínico geral a cada cinco anos chamando-as para um checape médico geral pelo NHS (o serviço nacional de saúde), que inclui um exame de colesterol. Elas também têm a opção de ligar para o clínico geral e pedir para fazer o exame.

Hoje, no Reino Unido, as pessoas com menos de 40 anos só fazem exame de colesterol quando vão fazer outros exames de sangue, geralmente em consequência de alguma doença. Mas se você estiver preocupado com um histórico familiar de colesterol alto ou problemas do coração, pode solicitar um exame de colesterol, encaminhando o pedido ao clínico geral. “Não é preciso esperar até os 40 anos para fazer o exame”, explicou Allen. “Precisamos saber se você tem HF, para iniciar o tratamento o quanto antes.”

Um argumento em favor de antecipar os exames de colesterol é que isso pode prevenir o entupimento de artérias, explicou Barbara Kobson, enfermeira cardiológica sênior da British Heart Foundation (BHF). Ela explicou: “As artérias podem levar anos para ser estreitadas devido a um alto nível de colesterolm ruim. Se pessoas de 25 anos forem fazer o exame e descobrirem que têm colesterol alto, podem começar a tomar a medicação adequada e receber orientações médicas sobre outros fatores de risco”.

O que fazer se você tiver colesterol alto?

Um estudo publicado no periódico médico The Lancet sugeriu que quando o nível de colesterol ruim é reduzido pela metade, os riscos cardiovasculares podem cair para 25% do que eram. Logo, vale muito a pena fazer alguma coisa.

Há várias mudanças de estilo de vida que você pode adotar para reduzir seu colesterol. As mais importantes envolvem a alimentação saudável –coma muitas frutas, vegetais, peixes gordurosos e grãos integrais e reduza seu consumo de gorduras saturadas – e praticar mais exercício físico.

O Dr. Arun Thiyagarajan, diretor médico da Bupa Health Clinics, recomenda que as pessoas se exercitem pelo menos 30 minutos, cinco dias por semana. “Se possível, procure praticar um exercício mais intenso em pelo menos dois desses dias”, ele aconselha.

Allen destaca que existem grupos de alimentos que comprovadamente ajudam a reduzir o colesterol, como o azeite de oliva, óleo de canola, frutas e verduras frescas, abacate, nozes, castanhas e aveia. Ele disse ainda que algumas pessoas pensam que uma dieta vegana reduz o colesterol, mas isso vai depender do que você come.

Dietas à base de plantas que consistam principalmente de frutas, verduras e grãos integrais são ótimas, “mas o problema de muitos produtos à base de plantas é o que é usado para substituir a carne”. Fique de olho em seu consumo de gorduras saturadas.

Para algumas pessoas, basta modificar sua alimentação e seu nível de exercício físico para fazer seu colesterol cair para um nível normal. Mas outras podem precisar tomar medicamentos também (estatinas).

Se você está preocupado com seu colesterol e quer fazer um exame, fale com seu médico.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.