Como apoiar restaurantes durante a pandemia sem colocar os entregadores em risco

A dica mais importante para etes tempos de pandemia: se puder, peça diretamente do restaurante, evite o contato pessoal e dê uma bela gorjeta.

Restaurantes mundo afora fecharam seus salões, seja por determinações governamentais ou por precaução diante da pandemia do novo coronavírus. Muitos deles estão apenas vendendo comida para viagem ou por delivery para continuar operando e para servir as pessoas que estão isoladas dentro de casa.

Para os consumidores, pedir comida durante uma pandemia levanta algumas questões éticas. Como apoiar os restaurantes que estão atravessando momentos difíceis? É seguro pedir comida quando as autoridades recomendam o distanciamento social? Será que ao pedir delivery você está colocando em risco a sua própria saúde ou a de outras pessoas?

“Acho que todas essas preocupações são válidas”, diz Ryan Palmer, advogado do escritório Lathrop GPM especializado na indústria de restaurantes. “O mais importante é ter em mente a responsabilidade social e fazer sua parte para retardar a disseminação do vírus.”

A pandemia do coronavírus aumentou a demanda por entrega de comida. Muitos restaurantes estão se adaptando rapidamente. Alguns passaram a fazer entregas pela primeira vez e estão treinando funcionários para esse tipo de tarefa. Outros criaram maneiras de evitar contato pessoal. Todos querem garantir a saúde dos clientes e dos funcionários, ao mesmo tempo mantendo seus negócios vivos.

Se você for pedir delivery, eis o que levar em conta para fazê-lo de forma ética e segura – além de algumas explicações sobre o efeito da crise no setor de restaurantes.

Primeiro, saiba que só as entregas não são suficientes para manter viva a maioria dos restaurantes

Mesmo antes da pandemia, as vendas de comida para viagem ou para entrega vinham crescendo, afirma David Portalatin, analista do setor de restaurantes do instituto de pesquisa de mercado NPD Group.

Segundo a Associação Nacional dos Restaurantes dos Estados Unidos, cerca de 60% das refeições servidas pelos restaurantes são consumidas fora dos salões.

“Já há muita atividade nesse sentido”, diz Portalatin. “Então, isso significa que o negócio dos restaurantes não vai desaparecer de uma hora para a outra. Estamos falando apenas no serviço de salão. E podemos imaginar que parte dessas vendas será convertida em entregas ou para viagem, porque essa é a demanda dos clientes. Vamos aguardar para ver.”

A lista de restaurantes que fecharam seus salões continua crescendo, e Portalatin diz que é cedo demais para determinar o impacto real da pandemia no setor.

Apesar do crescimento das vendas para viagem e delivery, Palmer afirma que a maioria dos restaurantes não foi planejada para sobreviver só com esse tipo de receita.

“Estão fazendo isso agora porque trata-se de negócios extremamente alavancados, com muitas dívidas”, explica Palmer. “Existem custos fixos que não desaparecem. O aluguel, o credor. Essas contas terão de ser pagas em algum momento. E tudo isso depende da existência de um faturamento de salão.”

Eis o que você pode fazer para ajudar.

1. Se possível, peça diretamente no restaurante, em vez de usar aplicativos de terceiros.

Muitos restaurantes usam aplicativos como Uber Eats e iFood para atingir mais clientes e terceirizar a entrega. Mas isso come as margens de lucro. Outros têm sistemas próprios, ou podem estar montando suas próprias equipes de entrega.

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Aplicativos de entrega de comida cobram taxas de até 30% dos restaurantes.

Se houver a opção, prefira sempre pedir diretamente para o restaurante. É a melhor maneira de apoiá-los, diz Palmer.

Aplicativos de entrega de comida cobram taxas de até 30% dos restaurantes. Mas o Uber Eats anunciou a suspensão dessa cobrança dos restaurantes independentes durante a pandemia.

“Essencialmente, os restaurantes não têm lucro quando se usam esses aplicativos”, diz Giorgia Sinatra, do restaurante e loja de massas Pasta Sisters, em Culver City, Califórnia.

Ainda assim, muitos deles optam por estar presentes nessas plataformas porque elas dão visibilidade e oferecem mais escolhas para os clientes. Além disso, elas oferecem muita conveniência para os restaurantes. O Pasta Sisters tentou criar um serviço de delivery próprio, mas acabou optando por usar a empresa de entregas Postmates. Como o acordo é exclusivo, o restaurante obteve um desconto nas taxas.

“Na situação atual, entretanto, incentivamos que as pessoas que não se sentem seguras para sair para a rua peçam delivery”, afirma Sinatra.

Saúde e segurança é outra questão importante. Restaurantes têm de cumprir muitas regras sanitárias, mas os serviços de entrega terceirizados podem não obedecer às mesmas regras estritas de limpeza e esterilização, afirma Sam Marvin, dono e chef executivo do Echo & Rig, em Las Vegas e Sacramento, e do Pluck, em Carlsbad, Califórnia.

“Os restaurantes são inspecionados de 3 a 4 vezes por ano pela vigilância sanitária”, afirma Marvin. “Eles checam as geladeiras, o armazenamento dos produtos, os termostatos e mais.”

O Pluck, de Marvin, está usando serviços terceirizados de entrega. Os funcionários ajudam na entrega das encomendas para viagem. O Echo & Rig não oferece delivery. O foco agora é no negócio do açougue que funciona conjugado ao restaurante. Marvin diz que segue oferecendo plano de saúde e garantia de emprego para os funcionários que estão temporariamente afastados.

2. Limite ao máximo o contato pessoal

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças ressaltam que o contato pessoal deve ser limitado. Mantenha distância de pelo menos 2 metros e evite todo tipo de contato físico.

As mesmas regras valem para a entrega de comida. Os especialistas sugerem pagar com cartão via aplicativos ou por telefone.

“Para a maioria das pessoas, isso vai exigir uma mudança comportamental”, afirma Portalatin. “Mas isso já está acontecendo.”

Os pedidos feitos pela internet são responsáveis pelo aumento do faturamento dos restaurantes. O crescimento foi de 23% entre 2015 e 2019, afirma Portalatin. Ainda assim, eles representam uma pequena fatia do negócio total.

Na China, os pedidos de delivery cresceram mais de 20%, afirma Portalatin, graças a um protocolo de “entrega sem contato”: o pedido e o pagamento eram feitos remotamente, e os entregadores recebiam instruções de onde deixar a comida.

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Peça para os entregadores esperarem do lado de fora de seu prédio para limitar o contato entre vocês.

“Já vemos alguns restaurantes pedindo que os clientes deixem instruções de onde deixar a entrega”, afirma Portalatin. “Não ficaria surpreso se alguns desses protocolos sejam adotados com mais frequência.”

3. Capriche na gorjeta

Em tempos normais, a regra nos Estados Unidos é que você dê uma gorjeta de 10% a 15% do valor do pedido para o entregador, sempre levando em conta a distância, o tempo (se estiver chovendo, por exemplo) e outros fatores. Na pandemia, porém, seja generoso.

“Eu diria acrescentar cinco dólares na quantidade que você daria normalmente”, afirma Marvin.

Palmer diz que está dando gorjetas equivalentes a 20% do valor do pedido.

Se for dar a gorjeta em dinheiro, coloque-a num envelope no lugar onde o entregador vai deixar a comida, para evitar o contato direto.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.