Como achar um novo emprego depois de muito tempo

Chega uma hora em que a busca por uma nova oportunidade parece ser impossível. Entenda como lidar com essa fase.
A duração de uma pesquisa de emprego varia de acordo com fatores como há quanto tempo você está desempregado, seu setor e se você já tem um emprego.
A duração de uma pesquisa de emprego varia de acordo com fatores como há quanto tempo você está desempregado, seu setor e se você já tem um emprego.

Quando você começa a jornada (incerta) da busca por um emprego, talvez você se pergunte: quanto tempo isso vai demorar? Infelizmente para aqueles que buscam a certeza reconfortante de quando as entrevistas, rejeições e silêncios provavelmente terminam, não há uma resposta.

“A busca por um emprego é algo bastante individual”, diz Ashley Watkins, profissional com experiência em recrutamento corporativo. ”Depende da situação específica, ou seja, do seu mercado, das suas experiências passadas, da sua rede de contatos e de quanto tempo você tem para dedicar à procura de emprego.”

Você não sabe ao certo quanto tempo levará para ser contratado, mas há alguns dados que podem te ajudar a ter essa noção.

Pode depender se você já tem um emprego e em qual setor você busca oportunidades

Os dados mais recentes do governo americano demonstram que as pessoas que estão desempregadas em 2020 eram mais propensas a encontrar um emprego em cerca de um mês ou somente depois de mais de três meses de buscas. Em janeiro de 2020, 35% dos candidatos a emprego estavam desempregados por menos de cinco semanas, enquanto outros 35% estava desempregados por 15 semanas ou mais.

A duração da sua busca de emprego varia de acordo com o seu mercado, de acordo com a análise de mais de 83 mil entrevistas de emprego do site de recrutamento Glassdoor.

Nas cidades americanas, existem três setores que demoraram mais para contratar: governo (53,8 dias), aeroespacial e defesa (32,6 dias) e energia e serviços públicos (28,8 dias). Enquanto isso, os profissionais que procuravam emprego em restaurantes e bares (10,2 dias), segurança privada (11,6 dias) e supermercados (12,3 dias) tiveram os mais curtos processos de entrevista para contratação.

Outro fator importante para determinar quanto tempo leva para ser contratado é se você já tem um emprego.

″É mais fácil procurar emprego quando você já está empregado”. Esse é um conselho pragmático que alguém me disse uma vez.

Acontece que é verdade. Quando um grupo de economistas analisou as estratégias de busca de emprego de 2.895 adultos de 18 a 64 anos, descobriu que as pessoas que já tinham emprego geravam mais entrevistas e mais ofertas de recrutamento não solicitadas do que as pessoas que estavam desempregadas e gastando quase sete vezes mais de tempo em procurar ativamente um emprego.

“Buscar um emprego enquanto estamos desempregados é muito menos eficaz na geração de ofertas do que quando estamos empregados”, concluíram economistas da Universidade de Columbia.

Se você está desempregado e está procurando emprego, precisa ser capaz de contabilizar seu tempo longe da força de trabalho em seu currículo e dos recrutadores, diz Watkins.

Uma maneira de fazer isso é manter suas habilidades no setor e “mostrar que você não se afastou e perdeu o contato”, prestando seu serviço a uma organização comunitária, por exemplo.

E quando fica realmente mais difícil encontrar algo novo?

Depois de seis meses desempregado, o governo considera você “desempregado de longa duração” nos EUA, e essa distinção carrega um estigma.

Uma pesquisa do Federal Reserve Bank de Boston descobriu que, depois que os trabalhadores dos EUA estão desempregados há mais de seis meses, fica mais difícil para eles mudar esse status.

Ofer Sharone é professor associado da Universidade de Massachusetts Amherst, que se concentra no desemprego e fundou o Institute for Career Transitions para apoiar os candidatos a emprego de longa duração.

Sharone diz que os desempregados de longa duração tendem a ser desproporcionalmente trabalhadores mais velhos e profissionais afro-americanos.

“Para algumas pessoas, leva mais tempo, elas não conseguem um emprego imediatamente”, diz Sharone. “E isso pode ser apenas pura má sorte. Há muita aleatoriedade nesse processo. Mas provavelmente também há padrões de discriminação.”

Sharone descreveu a armadilha do desemprego para profissionais desempregados de longa duração como um “buraco negro” no qual eles aplicam para as novas vagas e não conseguem resposta porque estão sendo sistematicamente filtrados por um viés do próprio empregador.

Mas diminuir as expectativas não ajuda as pessoas deste grupo.

“Esses empregos também são bloqueados para eles porque são percebidos como superqualificados”, diz Sharone. “Muitos recrutadores dizem: ‘Ei, alguém que tem 10 anos de experiência mas quer se candidatar a um emprego que exige apenas cinco anos de experiência - eu nem vou olhar para eles porque eles vão ficar entediados, eles vão esperar mais dinheiro na proposta.’”

Uma pesquisa realizada pelo economista Rand Ghayad experimentou enviar 4.800 currículos falsos para mais de 600 vagas. Em cada um dos perfis, ele variava o quanto tempo esses candidatos a emprego ficcionais estavam sem trabalho e quanta experiência tinham, mantendo o gênero masculino e a formação educacional como constantes.

Para os candidatos a emprego fictícios que estavam desempregados há menos de seis meses, os empregadores eram mais propensos a ligar de volta, mesmo que tivessem menos experiência.

Mas os empregadores não tinham esse mesmo interesse quando o candidato estava desempregado havia mais de seis meses, mesmo que ele fosse mais qualificado.

Sharone diz que um dos pensamentos que pode acontecer é que em países com economias com baixas taxas de desemprego, esse estigma é mais forte. É mais ou menos esse o pensamento: “Meu Deus, se a taxa de desemprego é muito baixa, como você está desempregado há mais de seis meses ou um ano?”

Mas a gente sabe que não é bem assim.

Se você está procurando emprego há um tempo, veja o que você pode fazer

Em vez de se preocupar se a sua experiência está à altura dos seus colegas, concentre-se no que você pode controlar. Para acelerar o processo e manter sua esperança, existem algumas ações importantes que os especialistas dizem que você pode executar:

Encontre o seu sistema de apoio. Se você está entre os desempregados de longa duração, Sharone diz que você precisa “ver isso como uma maratona e, para estar nessa maratona, você precisa cuidar do seu bem-estar”. Para fazer isso, você precisa ter certeza de que não está isolado e, em vez disso, “encontrar outras pessoas que estão no mesmo barco” por meio de um grupo de procura de emprego, ele recomendou.

Acompanhe seu progresso para descobrir o que está e o que não está funcionando. Watkins diz que acompanhar os resultados da procura de emprego pode ajudá-lo a ver onde está sendo o seu nó. “Se você está avançando até as entrevistas, mas não recebe ofertas, talvez seja bom voltar um passo e dizer: ‘Bem, tudo bem, a entrevista pode ser o problema’”, diz ela. “Nesse cenário, peça a alguém que faça uma entrevista simulada com você e treine essa etapa”, diz Watkins.

Priorize a sua rede de contatos. Watkins estimou que mudanças de carreira, como se realocar ou mudar de setor, podem acrescentar mais três meses à sua busca de emprego. Para reduzir esse tempo, ela aconselhou o trabalho em rede e o marketing de suas habilidades antes que você planeje fazer essa mudança. “As coisas que você faz antes de precisar de um emprego - elas geralmente andam de mãos dadas com o seu sucesso na procura de emprego”, diz ela.

Para quem procura emprego e está desempregado há um tempo, o networking é “a melhor coisa que pode romper o viés”, diz Sharone. Converse com uma pessoa de dentro de uma empresa que possa dizer: “Ei, você deve dar uma olhada nessa pessoa, porque ela é realmente boa ou eu já trabalhei com ela antes” e isso pode interromper a triagem automática dos currículos.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.