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17/03/2020 12:49 -03 | Atualizado 17/03/2020 18:05 -03

Para chefiar comitê do coronavírus, Bolsonaro escolhe um general — o 9° militar da Esplanada

Braga Netto, que comandou a intervenção militar no Rio, é o 4º militar na cúpula do Planalto.

Andressa Anholete via Getty Images

O comitê de crise instaurado pelo presidente Jair Bolsonaro na segunda-feira (16) para “supervisão e monitoramento dos impactos” do coronavírus será comandado pelo general Walter Braga Netto, chefe da Casa Civil. 

Ele é o quarto com formação militar na cúpula do governo e o nono no comando de pastas na Esplanada dos Ministérios.

É considerado por Bolsonaro o nome ideal para lidar com momentos de crise, por ter uma boa capacidade de “cobrança”. Em 2018, o ministro comandou a intervenção militar no Rio de Janeiro.

Na manhã desta terça-feira (17), ocorreu uma reunião burocrática, para definir diretrizes e ações de cada ministério que integra o comitê. Estão por lá 17 ministros: além palacianos, (Casa Civil, Secretaria-Geral, Secretaria de Governo e Gabinete de Segurança Institucional), também Justiça e Segurança Pública, Defesa, Itamaraty, Economia, Infraestrutura, Educação, Cidadania, Saúde, Ciência e Tecnologia, e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, CGU (Controladoria-Geral da União), AGU (Advocacia-Geral da União), e Banco Central. 

Também estão, Caixa Econômica, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

A Casa Civil é o órgão que, de forma geral, gerencia os trabalhos interministeriais. Desde semana passada, antes mesmo do comitê ser formalizado, o general que chefia a pasta já vinha se reunindo com os ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e da Economia, Paulo Guedes, para tratar de respostas do País ao coronavírus. 

Braga Netto foi escolhido por Jair Bolsonaro para o governo em substituição a Onyx Lorenzoni, que foi para a Cidadania, após desgaste do antecessor no cargo.

Nesta terça, foi registrada a primeira morte por coronavírus, de um homem de 62 anos, em São Paulo. Já são mais de 300 infectados no país. 

Apesar disso, as atitudes do presidente Jair Bolsonaro têm sido muito criticadas internamente, até mesmo por auxiliares e assessores. O mandatário, que esteve com o chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Fabio Wajngarten, cujo teste foi positivo para coronavírus, deveria, por orientação médica, estar em isolamento, mas tem se exposto. 

No domingo (15), cumprimentou apoiadores que estavam na manifestação em Brasília. Na segunda (16) e também nesta terça, despacha no Planalto, quando deveria estar no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

Governo militarizado

Desde o fim do ano passado, Jair Bolsonaro vem reforçando o núcleo militar do governo. Nesta terça, decidiu colocar mais um companheiro da caserna em um cargo de comando. Desta vez, trocou a chefia da ANP (Agência Nacional do Petróleo). 

A diretoria-geral da agência ficará com o contra-almirante Rodolfo Henrique de Saboia, em substituição a Décio Oddone, cuja renúncia foi publicada em edição extra do DOU (Diário Oficial da União) nesta tarde. A indicação de Saboia ainda precisa passar por avaliação do Senado. 

A ANP é ligada ao Ministério de Minas e Energia, chefiada pelo almirante Bento Albuquerque e a nomeação de Saboia é vista como um fator da influência do ministro sobre o presidente.