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26/04/2019 10:11 -03

Veto de Bolsonaro à diversidade em comercial do Banco do Brasil gera críticas

Diretor do banco foi demitido por peça de publicidade com diversidade sexual e racial.

Reprodução/YouTube
Diretor do banco foi demitido por peça publicidade com diversidade sexual e racial.

Uma campanha publicitária do Banco do Brasilpara jovens, com atores que representam a diversidade racial e sexual do País, resultou na demissão do diretor de Comunicação e Marketing do banco, Delano Valentim, após descontentamento do presidente Jair Bolsonaro com o vídeo. O veto presidencial ao comercial e a intervenção no banco foram criticados por parlamentares e artistas.

A peça de 30 segundos veiculado na TV e na internet divulgava o serviço de abertura de conta corrente por aplicativo no celular. O vídeo começou a ser veiculado em 1º de abril e saiu do ar no dia 14.

Produzida pela agência WMcCann, a peça custou R$ 17 milhões, segundo a assessoria do Banco do Brasil.

No comercial, há mulheres e homens negros, e uma das personagens é transexual. Muitos atores têm tatuagens e cabelos coloridos.

Bolsonaro procurou o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, após assistir à peça e mandou retirá-la do ar. “O presidente e eu concordamos que o filme deveria ser recolhido. Saída do diretor em decisão de consenso, inclusive com aceitação do próprio”, escreveu Novaes, em nota enviada à imprensa.

O Palácio do Planalto disse que não comentaria o assunto.

A interferência do presidente foi motivo de críticas no Congresso. O deputado Marcelo Freixo (PSol-RJ) classificou a medida como autoritária.

Ex-ministro da Cultura, o deputado Marcelo Calero (Cidadania-RJ) chamou atenção para questões mais graves no Brasil.

O veto ao comercial também reverberou no meio do entretenimento. A apresentadora de TV Paola Carosella lamentou o episódio e defendeu a representação da diversidade brasileira.

O publicitário e escritor Alê Santos criticou também a postura do banco.

Este não é o primeiro episódio de intervenção do governo no Banco do Brasil. Novaes também nomeou como assessor pessoal Antônio Rossell Mourão, filho do vice-presidente, general Hamilton Mourão. Funcionário do banco há 20 anos, Rossell triplicou o salário para cerca de R$ 37 mil.