COMPORTAMENTO
23/07/2019 07:18 -03

Como evitar perguntas desnecessárias dos colegas de trabalho

Um guia para responder às perguntas bem-intencionadas, mas indesejadas, sem ser mal-educado.

Thomas Barwick via Getty Images
Lembre-se de que a linha que separa uma pergunta bem intencionada e comportamento discriminatório é tênue.  

Desviar das perguntas indesejadas dos colegas exige finesse. Muitas vezes passamos mais tempos com eles que com nossas famílias, e essas 2 mil horas anuais podem dar a impressão de que eles têm o direito de saber mais sobre nossas vidas ― como aqueles parentes enxeridos.

Minha tática de ficar em silêncio parece apenas incentivar a pessoa a continuar falando. É difícil saber quando o colega está genuinamente querendo se conectar com você, como as perguntas quando você está se recuperando de uma doença. Simplesmente dizer que você não quer falar do assunto pode causar mágoas e prejudicar os relacionamentos no trabalho.

Aprendi na Conferência Nacional sobre Câncer e Carreiras uma solução que vai além do silêncio e de terminar a conversa. Trata-se da ‘estratégia da cadeira’, uma técnica criada pela diretora executiva da organização, Rebecca Nellis.

“Não se trata de simplesmente dar às costas para a pessoa e fugir das perguntas desnecessárias”, diz Nellis.

“Também se trata – se for importante para você – de continuar sendo visto como um funcionário envolvido e dedicado, profissional e bom líder, quaisquer que sejam as palavras usadas para te descrever no trabalho. Trata-se de lembrar aos colegas que você continua contribuindo.”

“Como você está se sentindo?”

A fórmula da cadeira é elástica. Você deixa claro que ouviu a pessoa, demonstrando apreciação e empatia, e usa frases com “’e’ ou ‘mas’, ou algo que introduza um novo assunto”, diz Nellis.

Por exemplo, você pode responder a comentários sobre sua volta ao trabalho depois de uma licença médica dizendo algo como “Estou muito feliz por estar de volta!”

Se você for próximo do colega, nem sempre é necessário manter um tom formal. “A saída pode ser: ’Estou muito empolgado por voltar e focado na reunião que tenho com fulano em uma hora. Adoraria conversar com você sobre os filmes que você viu, perdi muita coisa e preciso fazer uma lista”, afirma Nellis.

“Está a fim de participar dessa reunião com a gente hoje?”

Lembre-se de que a linha que separa uma pergunta bem intencionada e comportamento discriminatório é tênue.

Se você está lidando com câncer, por exemplo, as leis americanas impõem limites ao tipo de perguntas que seu empregador pode fazer, bem como à exigência de exames.

Afinal de contas, sua performance no trabalho é o que conta.

Mas, se você tiver de lembrar seus colegas do seu compromisso com o trabalho e ao mesmo tempo quiser dizer “não” a quem pede seu tempo, Nellis deu um exemplo.

Quando questionado sobre uma reunião que estava marcada previamente, uma boa resposta é: “Adoraria participar da reunião, mas tenho que resolver essas coisas hoje e estou atolado de trabalho, já que acabei de voltar”, afirma Nellis. “Não é uma ‘cala boca’ formal, mas é uma resposta positiva que ao mesmo tempo diz ‘não’.”

Assim, você deixa claro que está disposto para novas tarefas e projetos – de maneira profissional.

“Meu X teve câncer...”

Quando seus colegas usam seu diagnóstico como oportunidade de falar de suas próprias experiências, pode ser uma tentativa bem intencionada, mas desastrada, de se conectar. Talvez você não queira demonstrar vulnerabilidade naquele momento, ou para aquela pessoa. Não é necessário se explicar. Você não deve informações a ninguém. Apenas mude de assunto.

Nellis diz que você pode redirecionar a conversa de gentil, mas firme, dizendo algo como: “Imagino que tenha sido difícil. Obrigado por me contar. Aproveitando, vi que você vai ter uma reunião com fulano na quinta, e preciso mostrar uma coisa para ele. Posso te entregar?”

O primeiro passo é deixar claro que você ouviu a história do colega. E, então, seguir em frente. “O que você não deve fazer é terminar a conversa em: ‘Deve ter sido muito difícil, sinto muito’, porque aí a pessoa vai contar como de fato a situação foi difícil”, diz Nellis.

“Apreciação, empatia e reconhecimento são essenciais para a counicação funcionar. Isso garante que você se sinta empoderado e não dá a impressão de que você está se esquivando das perguntas.”

Esses cenários dizem respeito especificamente às perguntas indesejadas sobre sua saúde, mas, uma vez dominada a técnica, você pode aplicá-la para outros assuntos – sempre oferecendo algum assunto novo para a conversa com seus colegas.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.