ENTRETENIMENTO
21/03/2019 17:05 -03 | Atualizado 21/03/2019 17:16 -03

'Coisa Mais Linda', nova série da Netflix, é uma ode à busca das mulheres por protagonismo

Produção que estreia nesta sexta (22) acompanha a trajetória de quatro mulheres no Rio de Janeiro de 1959.

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"Acho que os homens podem sim se identificar com as histórias dessas mulheres”, diz a atriz Maria Casadevall, que interpreta Malu.

″É bastante raro ver tantas protagonistas mulheres, e poder falar sobre nós com esse destaque é muito bom”, constatou Maria Casadevall na coletiva de imprensa que reuniu integrantes do elenco e produção de Coisa Mais Linda, nova série brasileira da Netflix que estreia na plataforma nesta sexta-feira (22).

A atriz vive a personagem Malu, uma das quatro protagonistas da produção. As outras são Pathy Dejesus (como Adélia), Mel Lisboa (como Thereza) e Fernanda Vasconcellos (como Lígia). A trama se passa no Rio de Janeiro de 1959, época em que Bossa Nova - ritmo brasileiro que ganhou o mundo - dava seus primeiros passos.

“Era a época do Brasil que dava certo. De grande efervescência cultural, no futebol, arquitetura, música e cinema”, explicou Hugo Prata, um dos diretores da produção juntamente com Julia Rezende e Caito Ortiz.

A imagem romantizada da então capital brasileira - onde tudo é “limpinho” e idílico (até as favelas) - não corresponde à realidade mostrada, por exemplo, em Rio 40 Graus ou Rio Zona Norte, dois clássicos do cineasta Nelson Pereira dos Santos (1928-2018) filmados na Cidade Maravilhosa na década de 1950. Mas o extremo machismo do período retratado na série era (e ainda é) bem real.

Coisa Mais Linda é um show comandado pelas mulheres, mas sem pretensão de dialogar apenas com seus pares. “Crescemos vendo histórias contadas pelo ponto de vista dos homens e nem por isso não deixamos de nos identificar com algumas delas. Por isso acho que os homens podem sim se identificar com as histórias dessas mulheres”, enfatizou Casadevall.

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Adélia (Pathy Dejesus) e Malu (Maria Casadevall) na inauguração do clube Coisa Mais Linda, que serve de palco para uma nova onda na música brasileira, a Bossa Nova.

A trama acompanha a trajetória de Malu, uma jovem paulistana de família rica que se muda para o Rio com o objetivo de abrir um restaurante com seu marido, mas que vê os planos irem por água abaixo quando descobre que ele fugiu com outra mulher levando todo o seu dinheiro. Inspirada na figura “prafrentex” de Thereza e no apoio da amiga de longa data Lígia e de Adélia, uma empregada doméstica que cruza o seu caminho, ela segue seu instinto em montar uma casa com música ao vivo depois de escutar a Bossa Nova pela primeira vez.

Os homens são coadjuvantes nessa história? Com certeza. Mas em seus sete episódios, Coisa Mais Linda mostra o quanto a luta das mulheres por espaço era uma empreitada árdua. Se hoje elas ainda lutam por direitos básicos, como equiparação salarial, por exemplo, em 1959 os homens ditavam totalmente o ritmo e o rumo de suas vidas.

Por isso as histórias das quatro personagens ganham ainda mais força nesse cenário irreal de “País das Maravilhas” tupiniquim. Por baixo dessa casca da Cidade Maravilhosa, a pressão (e repressão) sobre elas era imensa. Ainda mais quando nos deparamos com personagens como Adélia, que ao contrário das outras três protagonistas, é uma mulher pobre e negra.

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A "prafrentex" Thereza (Mel Lisboa), que mesmo livre de muitas das amarras da época, ainda precisa lutar por espaço em uma revista feminina onde os homens são maioria.

“Me sinto uma mulher empoderada e interpretar uma mulher que não tem voz foi muito difícil para mim. Doeu mesmo. Tive de me livrar de tudo que eu acredito e aguentar calada situações horríveis”, revelou a atriz Pathy Dejesus. ”Mas a transformação da personagem me deu muito conforto.” 

Essa transformação, no entanto, ocorre sob muita fricção, principalmente com a personagem Malu. “Respeito muito a Malu por ela ser determinada, mas algumas atitudes classistas dela me deixam muito incomodada. Ainda bem que ela vai amadurecendo, muito por conta de seu relacionamento com Adélia”, contou Casadevall.

A cena abaixo, que tem viralizado nas redes sociais, exemplifica o comentário da atriz:

“Nós buscamos sempre trazer a diversidade. Trazer novas vozes, contar histórias diferentes. E isso a gente só consegue tendo diversidade. Isso faz parte do nosso objetivo no sentido de que para criar boas histórias, precisamos incentivar olhares diferentes, visões novas, novos ângulos”, disse Maria Angela de Jesus, diretora de produções originais brasileiras da Netflix. ”Estamos abrindo mais espaço no Brasil para novos criadores, para o talento feminino, para o talento negro”, completou. 

Coisa Mais Linda está longe de ser perfeita. Ainda sofre com diálogos um pouco recitados demais e uma visual excessivamente clean, mas ganha muitos pontos por contar histórias de mulheres por seus pontos de vista sem medo de desagradar um público ainda pouco acostumado com tantas protagonistas, um caminho que a Netflix quer trilhar por aqui.

Assista ai trailer de Coisa Mais Linda:

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