MULHERES
26/01/2020 02:00 -03

Como mães lésbicas compartilham a responsabilidade com o bebê por meio da coamamentação

A deputada estadual canadense Jennifer Rice e sua esposa, Andrea Wilmot, são mães de Lua, que nasceu em dezembro de 2019.

Jennifer Rice/Facebook
A deputada estadual pela Colúmbia Britânica Jennifer Rice com sua esposa, Andrea Wilmot, e Lua.

Jennifer Rice é uma mulher que cumpre papéis diversos. Ela é deputada estadual da Colúmbia Britânica, no Canadá, pelo Novo Partido Democrata, representando o distrito eleitoral de North Coast, onde é defensora dos direitos dos indígenas e protege o litoral da província. Ela é também a secretária parlamentar de preparo para emergências na província.

Mas em dezembro do ano passado ela assumiu outro papel importante: o de mãe do garotinho Lua, que ela agora coamamenta com sua esposa, Andrea Wilmot. “Amamentar meu filho é uma coisa que estou adorando fazer neste momento”, disse Rice em um post no Facebook.

“Esta é uma história profundamente pessoal, mas minha esposa e eu achamos que é importante contribuirmos para normalizar a amamentação, e especialmente a amamentação por mães não gestacionais, como é o meu caso.”

A coamamentação não é incomum para casais de lésbicas, permitindo às duas mães compartilhar essa responsabilidade e experiência. No caso de Rice, que não gestou ou deu à luz a Lua, a coamamentação foi possível graças a um protocolo de lactação induzida.

Para induzir a lactação, a mãe não gestacional segue um protocolo que geralmente envolve hormônios, o fármaco domperidona (que aumenta a produção de leite) e o bombeamento regular. A Fundação Canadense de Aleitamento Materno recomenda que o protocolo seja iniciado cerca de seis meses antes da data prevista de nascimento do bebê, mas destaca que quanto mais cedo a pessoa puder começar, melhor.

Jennifer Rice disse à CBC da Colúmbia Britânica que iniciou seu protocolo três meses antes de Lua nascer e que o processo envolveu pílulas anticoncepcionais, ervas, domperidona, e, nas semanas, que antecederam o parto, usar a bomba tira-leite de três em três horas.

No Twitter, Rice disse que queria ter começado antes.

[Meu conselho às mães não gestacionais é iniciar o protocolo de lactação o quanto antes. Eu comecei 3 meses antes, mas se tivesse começado 9 meses antes poderia ter tido resultados ainda melhores. Amamentar meu filho é uma coisa que estou amando fazer.]

O protocolo também pode ser usado por mães adotivas, mães que têm seus filhos por meio de barriga solidária e mães transgênero. Em 2018 uma mulher transgênero que conseguiu produzir leite com a ajuda de tratamentos hormonais tornou-se a primeira na literatura médica a conseguir amamentar seu bebê.

Mais pessoas estão levando a coamamentação a público

Benzel Photography
Jaclyn e Kelly Pfeiffer amamentam seus gêmeos recém-nascidos nesta imagem emocionante captada por Melissa Benzel.

Em junho passado, as imagens belíssimas feitas pela fotógrafa Melissa Benzel do casal Jaclyn e Kelly Pfeiffer amamentando seus bebês gêmeos viralizaram.

“As imagens delas amamentando são incrivelmente especiais e emocionantes. Mostram o amor compartilhado por Jaclyn e Kelly e o fato de que mães não gestacionais podem, sim, amamentar”, disse Benzel ao HuffPost Canadá na época.

Em 2017 um casal de lésbicas australianas interessadas em promover a conscientização da coamamentação compartilhou imagens que as mostram alternando-se para amamentar sua filha.

“Podemos falar de como isso deveria ser NORMAL? Querer compartilhar a responsabilidade com sua companheira é normal e POSSÍVEL. Meninas, vocês sabiam que NÃO É PRECISO ser a mãe gestacional para poder amamentar seu filho?”, escreveu a fotógrafa Lacey Barratt no Instagram.

Mulheres na política que amamentam seus filhos abertamente

Outra coisa importante é que Jennifer Rice, que é deputada estadual, está convertendo a amamentação de modo geral em algo visto como normal, tanto que está se tornando mais comum para mulheres que ocupam cargos de poder público.

Em 2018 a deputada canadense Karina Gould descartou as críticas que recebeu depois de amamentar seu filho na Câmara dos Comuns, escrevendo no Twitter: “Meu bebê precisava comer, e eu fui eleita pelo voto”.

Em 2017 a senadora australiana Larissa Waters tornou-se a primeira política a amamentar seu bebê no Parlamento desse país. E em 2016 a política Unnur Bra Konradsdottir amamentou seu filho enquanto discursava no Parlamento da Islândia sobre um projeto de lei de imigração que havia apresentado.