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25/03/2020 17:53 -03

Cloroquina será usada para casos graves de covid-19, esclarece Ministério da Saúde

Secretário alerta que medicamento não deve ser usado pela população comum e fora de hospitais, um dia depois de presidente citar medicação em rede nacional.

Maksim Tkachenko via Getty Images
De acordo com Anvisa, não há estudos conclusivos que comprovem o uso de medicamentos que contêm hidroxicloroquina e cloroquina para o tratamento do novo coronavírus.

O sistema de saúde brasileiro vai passar a usar a cloroquina e hidroxicloroquina para tratamento de pacientes de covid-19 em estado grave. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Ministério da Saúde. O medicamento não deve ser usado pela população comum infectada pelo novo coronavírus

De acordo com o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Denizar Vianna de Araújo, será adotado um protocolo de tratamento por 5 dias nos hospitais, junto com outros recursos já usados, como o uso de respiradores. “Temos de oferecer alguma alternativa terapêutica”, disse.

Segundo o ministério, estudos apontam que 14% dos pacientes de covid-19 evoluem para casos graves e 5% considerados críticos.

Araújo deixou claro que o medicamento não deve ser usado em casos leves e alertou sobre riscos do uso inadequado, como alteração no ritmo do coração. Amanhã serão enviados 3,4 milhões de unidades do medicamento para os estados.

A mesma recomendação foi reforçada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta: “Se você cometeu essa iniciativa [de comprar o remédio na farmácia], o mais correto a fazer é pegar e devolver na farmácia, levar ao hospital ou ao posto de saúde. Porque se você não tem malária, lúpus, artrite rematoide, você não deve fazer uso desse medicamento”.

Mandetta afirmou que os estudos sobre a eficiência da cloroquina no tratamento da covid-19 ainda estão em curso e que se tratará de uma alternativa. “O que o Ministério da Saúde está fazendo é colocar no arsenal [de tratamentos]. Deixar à mão do profissional médico assistente, se ele entender que aquele paciente grave pode se beneficiar desse remédio e deixar ao alcance dele”, afirmou.  

De acordo com nota divulgada pela Anvisa na sexta (20), não há estudos conclusivos que comprovem o uso de medicamentos que contêm hidroxicloroquina e cloroquina para o tratamento do novo coronavírus, e não há recomendação da agência para a sua utilização.

A Anvisa, inclusive, decidiu enquadrar as duas substâncias como medicamentos de controle especial para evitar que pessoas que não precisam desses medicamentos provoquem um desabastecimento no mercado. 

Apesar da nota da Anvisa, o presidente Jair Bolsonaro tem defendido o aumento da produção do medicamento. Ele elogiou a liberação do medicamento nos Estados Unidos. No sábado, o presidente publicou um vídeo nas redes sociais em que afirma que acertou com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, o aumento da produção do medicamento pelo Exército.

Nesta terça-feira (24), o presidente anunciou, em seu pronunciamento em rede nacional, que testes com cloroquina para tratar coronavírus estão sendo realizados no Brasil. “Acredito em Deus, que capacitará cientistas e pesquisadores do Brasil e do mundo na cura desta doença”, afirmou.