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23/04/2020 14:32 -03 | Atualizado 23/04/2020 14:32 -03

Conselho Federal de Medicina permite prescrição da cloroquina em estágio inicial da covid

Anúncio foi feito após reunião com Bolsonaro; Conselho destaca não haver 'evidência robusta' de resultado, mas autoriza uso diante de 'excepcionalidade' da situação.

Após uma reunião do presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Luiz Britto Ribeiro, com o presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, o órgão divulgou um parecer no qual permite a prescrição da cloroquina e da hidroxicloroquina para tratar a covid-19 já em estágios iniciais da doença.

Bolsonaro defende há semanas o amplo uso do medicamento contra o coronavírus e esse foi um dos principais pontos de divergência entre o presidente e o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, demitido na última semana. O presidente vinha pressionando Ribeiro.

O documento do CFM destaca que “não existem evidências robustas de alta qualidade que possibilitem a indicação de uma terapia farmacológica específica para a covid-19”.

“Porém, diante da excepcionalidade da situação e durante o período declarado da pandemia de covid-19, o CFM entende ser possível a prescrição desses medicamentos em três situações específicas”, diz o texto.

As três situações são: “no caso de paciente com sintomas leves, em início de quadro clínico, em que tenham sido descartadas outras viroses (como influenza, H1N1, dengue) e exista diagnóstico confirmado de covid-19”, “em paciente com sintomas importantes, mas ainda sem necessidade de cuidados intensivos” e “em paciente crítico recebendo cuidados intensivos, incluindo ventilação mecânica”.

Buda Mendes via Getty Images
Documento diz que "não existem evidências robustas de alta qualidade que possibilitem a indicação de uma terapia farmacológica específica para a covid-19".

Ainda segundo o texto, a prescrição do remédio caberá ao médico que o acompanha “em decisão compartilhada com o paciente” e não que o médico que utilizar a cloroquina ou hidroxicloroquina em pacientes portadores da doença “não cometerá infração ética”.

Até agora, a recomendação do Ministério da Saúde era para que a cloroquina, usada para tratar malária, artrite reumatoide e lúpus, fosse receitada apenas para casos graves ou críticos de covid-19. A principal preocupação do ministério era com o potencial da droga gerar arritmias cardíacas.

O texto do CFM alerta para as reações colaterais comuns, como desconforto abdominal, náuseas, vômitos e diarreia, mas também “toxicidade ocular, cardíaca, neurológica e cutâneas”.

Segundo o conselho, o médico é “obrigado a relatar ao doente que não existe até o momento nenhum trabalho que comprove o benefício do uso da droga para o tratamento da covid-19, explicando os efeitos colaterais possíveis, obtendo o consentimento livre e esclarecido do paciente ou dos familiares, quando for o caso”.

O documento destaca ainda “que a Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, em documento publicado em 11 de abril, recomenda que a hidroxicloroquina e a cloroquina, isoladamente ou associadas a azitromicina, só sejam utilizadas em pacientes internados sob protocolos clínicos de pesquisa”.

O CFM diz ainda que “as medidas de isolamento social têm sido recomendadas em todo o mundo como a única estratégia eficaz para impedir a disseminação rápida do coronavírus e para evitar que sobrecarregue o sistema de saúde”.