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22/04/2019 07:48 -03 | Atualizado 22/04/2019 16:58 -03

Confederação israelita processará Ciro por declaração ao HuffPost

Ciro disse que Bolsonaro prometeu mudar a embaixada do Brasil para Jerusalém 'a custo de grana' de 'corruptos da comunidade judaica'. Conib o acusa de antissemitismo.

THIAGO GADELHA via Getty Images
Ciro Gomes, no dia do primeiro turno das eleições, em outubro.

 A Confederação Israelita do Brasil (Conib) anunciou neste domingo (21), em nota, que processará o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) por declarações dadas em entrevista ao HuffPost Brasil.

A Conib disse ter acionado advogados “para iniciarem processo legal contra o ex-governador” por antissemitismo. 

Na entrevista, concedida na última terça-feira, em São Paulo, e publicada no último sábado (20), Ciro fala em “corruptos da comunidade judaica”e diz que o presidente Jair Bolsonaro prometeu mudar a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém “a custo de grana para campanha”.

“Agora Bolsonaro diz aos grupos de interesse o que eles querem ouvir. Por exemplo, para os amigos dele aí, esses corruptos da comunidade judaica, que acham que, porque são da comunidade judaica, têm direito de ser corrupto. Corrupto, para mim, não interessa se é curdo ou cearense. Corrupto é corrupto, ladrão é ladrão. Ele [Bolsonaro] disse para eles que ia transferir a embaixada do Brasil [de Tel Aviv para Jerusalém] a custo de grana para campanha. Depois chegou lá dizendo que não vai mais porque ele pensou que era, mas não era”, disse Ciro ao HuffPost.

Segundo nota da Conib, a confederação já havia condenado uma declaração de Ciro de que Bolsonaro foi financiado pelo “sionismo radical”.

“Mais uma vez, Ciro Gomes nos ataca de forma generalizada, agora chamando membros da comunidade de ‘corruptos’. Não vemos Ciro ligar outras minorias ou grupos à corrupção no Brasil”, diz o comunicado.

 

 

“Se pretende ser visto como um político despido de ódios e preconceitos, cabe ao ex-governador se retratar das infelizes declarações contra os judeus brasileiros”, completa a nota.

Após a repercussão das declarações, a assessoria de Ciro enviou uma nota ao HuffPost na qual reproduz frase que foi dita antes pelo ex-ministro, em entrevista a outro veículo. O HuffPost Brasil estava na mesma sala aguardando para fazer a sua entrevista.

Segundo a assessoria, Ciro, no momento anterior, “foi muito claro ao dizer que apenas uma ‘fração’ de pessoas, essas ‘corruptas’, como existem em ‘qualquer comunidade’, estão sendo investigadas por clandestinamente apoiar a candidatura de Bolsonaro”.

Ao outro jornal, Ciro disse: “Minha palavra não tem nada de antissemita, eu sou uma pessoa que conhece a tragédia, conhece o que aconteceu e tenho absoluta solidariedade. Não tem nenhum traço da minha extensa vida pública que não seja de respeito. Isto não quer dizer e muito menos eu vou aceitar a imposição de que um bando de vagabundos, porque tem muito dinheiro, comece a financiar campanhas no Brasil de um canalha como Bolsonaro.”

Na entrevista ao HuffPost, Ciro também ataca o PT, chamando mais uma vez o partido de “quadrilha”, diz que a cúpula do partido “apodreceu” e que “nunca mais” se associará ao PT, jogando por terra - pelo menos, por ora - qualquer chance de articulação de oposição.

Ciro, contudo, nega que a repulsa tenha como fundo uma mágoa das eleições, quando o ex-presidente Lula articulou para que o pedetista ficasse isolado. 

“Um cara como eu, com 40 anos de vida pública, não faz mágoa, faz política. Quando eles fizeram o que fizeram, eles estavam fazendo política”, disse. “Agora eles [PT] aguentem, agora eu estou fazendo política.”