ENTRETENIMENTO
06/05/2019 01:00 -03

A hora e a vez de 'Cine Holliúdy' brilhar na telinha da Globo

"É uma história de resistência muito importante para os dias esquisitos que estamos vivendo", diz a diretora artística da série.

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Leticia Colin, Edmilson Filho e Haroldo Guimarães em cena da versão televisiva de Cine Holliúdy.

Fenômeno nos cinemas brasileiros, principalmente no Ceará, onde superou a bilheteria de blockbusters de Hollywood, como Wolverine: Imortal e Capitã Marvel, só para dar alguns poucos exemplos, Cine Holliúdy chega à TV nesta terça-feira (7).

A nova série da Rede Globo - que já está disponível na Globoplay - é baseada no universo criado pelo cineasta Halder Gomes, que, ironicamente, conta a história de Francisgleydisson (Edmilson Filho), o dono do único cinema de uma cidade do sertão do Ceará que, na passagem dos anos 1970 para 1980, vê seu negócio ameaçado com a chegada da televisão na cidade.  

Quem diria que a luta de Francis contra a telinha ganharia a chance de ter um público maior exatamente por conta da televisão… Mas a transição para o formato da TV não veio sem algumas adaptações. O “cearencês” carregado das versões cinematográficas, que são até legendadas em “português”, foi amenizado.

“Não forçamos tanto na tinta regional quanto nos filmes. Tomamos cuidado com isso porque todo mundo tinha que entender. Eu, como carioca, não entendia algumas expressões, mas não dava para deixar o sotaque totalmente de fora. Mantivemos algumas expressões, mas tivemos cuidado para que a série seja compreendida em todo o Brasil”, explica Patrícia Pedrosa, diretora geral e artística da série.

“Essa linguagem regional tem uma musicalidade no jeito de falar, que mais parece que estamos escrevendo uma poesia”, pontua o autor Claudio Paiva, que assina o roteiro da série com Marcio Wilson.

“Espilicute, por exemplo. Nunca ouvi na vida, mas adorei a expressão. É uma abreviação de ‘It’s pretty cute’. Você pode não entender o que significa, mas quando olhar para a Marylin (Leticia Colin) quando o Francis diz essa palavra, você vai entender. O Matheus [Nachtergaele] criou um dialeto próprio para a série que nem cearense vai entender”, completa Patrícia.

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A diretora geral e artística da série Cine Holliúdy, Patrícia Pedrosa

A mudança, porém, não comprometeu a história, que segue divertida, anárquica e de alma legitimamente cearense, assim como seus pares da telona. Mas seria esse um risco muito grande ao se tratar de uma produção que alcançará em público muito maior do que o do cinema nacional? “Acho que não. A série é muito brasileira. Os temas abordados vão agradar o público de todo o Brasil”, diz Patrícia.

Passada antes dos acontecimentos de Cine Hollliúdy e Cine Holliúdy 2 - A Chibata Sideral, a série traz um Francisgleydisson ainda solteiro. Tudo vai bem em sua vida e o seu cinema, o Cine Holliúdy, ainda é a principal (e única) forma de entretenimento da pequena Pitombas.

Mas isso muda quando chegam de São Paulo a nova namorada do prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele), Maria do Socorro (Heloísa Perissé), e sua filha Marylin.

Para agradar sua futura esposa, o prefeito compra um aparelho de TV, que acaba sendo instalado na praça da cidade. Com seu cinema às moscas, Francis conta com a ajuda de seu amigo Munízio (Haroldo Guimarães) e da própria Marylin, por quem é apaixonado, para fazer filmes em português e atrair seu público de volta.

Série brinca com a briga entre TV e cinema, mas é mesmo uma homenagem à sétima arte na telinha.

Tirando alguns atores que não participaram dos filmes, como Nachtergaele, Perissé e Colin, por exemplo, a série mantém o estilo empregado por Halder no cinema, trazendo uma tonelada de referências a gêneros cinematográficos que influenciaram o diretor, como o filmes de kung-fu, faroestes e ficção científica.

“Temos o argumento do filme do Halder e temos o Francisgleydisson, que é uma joia de personagem. Mas estamos inseridos em outro contexto. Na série, o cinema entra forte na ‘briga’ com a televisão e damos espaço para a produção de filmes do Francis, uma verdadeira homenagem à sétima arte”, acrescenta Patrícia.

Ou seja, nessa “guerra” não há mortos, feridos, perdedores ou vencedores. Tanto que boa parte dos profissionais envolvidos nos filmes fazem parte da equipe da produção televisiva.

“Manter equipe de criação e produção dos filmes era uma preocupação minha. Diretora de arte, figurinista, fotografa, o Halder, câmera... Várias pessoas que fizeram os filmes também fizeram parte do time da série. E foi uma decisão acertada porque fiquei muito feliz com o trabalho deles”, conta Patrícia.

“Eu adoro essa crítica social, política e comportamental de uma maneira leve que a série faz. Essa é uma história de resistência que é muito importante para os dias esquisitos que estamos vivendo hoje. Cine Holliúdy tem um colorido e leveza que são necessários. O público está precisando disso”, completa.

Com 10 episódios, Cine Holliúdy traz, além do roteiro de Marcio Wilson e Claudio Paiva e a direção artística de Patrícia Pedrosa, a direção de Halder Gomes e Renata Porto D’Ave e participação especial de Ney Latorraca, Chico Diaz, Miguel Falabella, Ingrid Guimarães, Falcão, Tonico Pereira, Bruno Garcia, Rafael Infante, Rafael Cortez, entre outros.