OPINIÃO
07/06/2019 21:13 -03 | Atualizado 07/06/2019 21:13 -03

'Chernobyl' conquista público da HBO, descrente após o fim de 'Game of Thrones'

Apostando na qualidade de roteiro, direção e atuações, produção é uma das mais comentadas pelos fãs de séries no momento.

Pegando carona na comoção (ou, para muitos, decepção) causada com o final de Game of Thrones, a minissérie Chernobyl chega ao seu final conquistando corações e mentes dos amantes de uma produção que primou pela qualidade de roteiro, direção e atuações.

Ou seja, a antítese do que aconteceu na última temporada de GoT, também da HBO.

Os mais exigentes com dados históricos podem reclamar (com certa razão) de alguns pontos da trama que fogem do que realmente aconteceu naquela noite de 26 de abril de 1986, mas é inegável que a minissérie conseguiu encapsular com precisão o horror e a gravidade do desastre nuclear mais emblemático da história mundial.

A explosão do reator da usina de Chernobyl não serviu apenas para transformar o temor da guerra nuclear - que marcou as décadas de 1960, 70 e 80 - em uma realidade assustadora, mas também como um símbolo do perigo do descaso. 

Mesmo com todos os erros cometidos nas diversas esferas do estado soviético, no final das contas, o nosso tão familiar, querido e irresponsável desdém foi o grande vilão dessa tragédia.

Situação descrita com raro apuro na minissérie quando Valery Legasov (Jared Harris) reconstitui a sequência de eventos que resultou na explosão do reator no tribunal que julgava os culpados (ou bodes expiatórios) pelo desastre.

Na cena do último episódio, o cientista diz ao promotor que a explosão aconteceu porque as pontas das hastes de controle eram feitas de grafite, o que acelerou a reação.

Quando perguntado pelo promotor por que o reator foi projetado dessa maneira, Legasov cita que foi pela mesma razão pela qual outras precauções de segurança foram ignoradas: “Por que é mais barato.”

Homens, mulheres e crianças sacrificados por economia, contensão de gastos. 

É exatamente por isso que Chernobyl nos toca tão fundo. Não exatamente pelas consequências nefastas do uso da energia nuclear, mas pela eterna repetição dos erros mais idiotas que assombram a história da humanidade. E por quê? Por mesquinharia, por soberba, por irresponsabilidade. 

Estamos fadados a sofrer das mesmas atrocidades prescritas a canetadas. Tanto lá quanto cá, não importa se na década de 1980 ou em 2019.