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Chá de erva-doce ou vitamina C contra coronavírus? Ministério refuta fake news

Ministério da Saúde monitora o compartilhamento de diversas notícias falsas sobre alimentos que previnem e curam o novo vírus.

A disseminação do novo coronavírus tem causado apreensão em todo o mundo. No Brasil, já foram confirmados dois casos de infecção pelo covid-19, ambos em pacientes de São Paulo que estiveram na Itália.

A velocidade com que a infecção se espalhou também aumentou o compartilhamento de notícias falsas sobre a cura ou prevenção do vírus por meio de alimentos ou ingredientes milagrosos.

O Ministério da Saúde monitora estas informações falsas e, por meio do projeto Saúde sem Fake News, desmistifica as mais famosas mensagens sobre o novo coronavírus. Veja abaixo as principais fake news relacionadas a alimentos e ao vírus:

A fake news mais compartilhada nos últimos meses é referente aos benefícios 'milagrosos' do chá de erva-doce. 
A fake news mais compartilhada nos últimos meses é referente aos benefícios 'milagrosos' do chá de erva-doce. 

Chá de erva-doce: fake news

Uma das notícias mais compartilhadas nos grupos de WhatsApp são sobre os poderes do chá de erva-doce, que poderia “prevenir” a contaminação do coronavírus.

A mensagem diz que a erva-doce tem a mesma substância do medicamento Tamiflu, usado para tratar a gripe H1N1. “Aconselha-se tomar o chá como se fosse café, após as refeições”, diz o texto.

O Ministério da Saúde, no entanto, pede para não compartilhar essa mensagem, pois ela é falsa ― tanto em relação à prevenção ao coronavírus, quanto à substância do medicamento.

“O chá de erva-doce não possui o princípio ativo do Tamiflu (fosfato de oseltamivir). O Hospital das Clínicas de São Paulo, citado no texto da mensagem, esclareceu que não realizou alertas à população”, informa o ministério. E acrescenta:

“Até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus”.

Vitamina C natural: fake news

Outra notícia falsa que viralizou nas redes sociais é de uma suposta estudante de medicina que aconselha o uso “máximo possível” de vitamina C natural para prevenir a infecção do vírus. De acordo com o material compartilhado, o novo coronavírus foi causado “pela fusão do gene entre uma cobra e um morcego e adquiriu a capacidade de infectar mamíferos, incluindo humanos”.

A mensagem ainda sugere o consumo de água com limão para “matar células cancerígenas”.

“O texto contém diversas informações erradas”, alerta o ministério. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) não existe nenhuma comprovação científica de que o novo coronavírus veio dos animais.

“As investigações sobre as formas de transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa, ou seja, a contaminação por contato, está ocorrendo.”

A transmissão do coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como o espirro, gotículas de saliva, tosse, catarro e contato pessoal (como um aperto de mão) ou contato com objeto ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Água de alho recém-fervida: fake news

Outra fake news de alimentação relacionada à “cura” do coronavírus é uma corrente que se espalhou no WhatsApp sobre uma receita chinesa de uma tigela de água de alho recém-fervida.

“O coronavírus de Wuhan pode ser curado”, segundo a mensagem, por uma receita de oito dentes de alho picado com sete xícaras de água fervente.

“Melhoria e cura durante a noite”, promete a notícia, que é claramente falsa.

Chá de abacate com hortelã: fake news

Outra notícia falsa que circulou nas redes em fevereiro informa que o chá de abacate com hortelã evita a contaminação do vírus. O ministério volta a afirmar não existe vitamina ou substância específica que previna a infecção pelo coronavírus.

As (verdadeiras) recomendações do Ministério da Saúde

Uma vez que ainda não há um medicamento ou vacina contra o novo coronavírus, a recomendação do ministério é de prevenção ou, caso há suspeitas, buscar um posto de saúde mais próximo.

Abaixo estão as recomendações de como evitar a infecção por coronavírus:

  • Evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;
  • Lavar frequentemente das mãos;
  • Usar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar nas mucosas de olhos, nariz e boca;
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal;
  • Manter os ambientes bem ventilados;
  • Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;
  • Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.