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14/01/2019 14:05 -02 | Atualizado 14/01/2019 14:08 -02

Cesare Battisti na Itália: 'Agora sei que vou para a prisão'

Primeiro-ministro afirma que conversou com Bolsonaro sobre rota de Battisti da Bolívia para a Itália.

ASSOCIATED PRESS
Cesare Battisti chega à Itália após anos asilado no Brasil e depois como fugitivo.

“Agora sei que irei para a prisão”, disse Cesare Battisti a agentes do grupo antiterrorismo que o receberam na manhã desta segunda-feira (14) no Aeroporto de Ciampino, em Roma.

O italiano pareceu estar conformado com a sua prisão e agradeceu o tratamento que recebeu dos agentes, além das roupas extras que lhe deram durante o voo para encarar as baixas temperaturas do inverno europeu.

O ministro da Justiça da Itália, Alfonso Bonafede, anunciou que Cesare Battisti ficará preso em Oristano, na Sardenha, por questões de segurança. A informação foi dada durante uma coletiva de imprensa nesta tarde, horas após Battisti chegar à Itália em um voo proveniente de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde foi detido na noite de sábado (12).

A primeira informação apontava que Battisti seria, então, enviado para o centro de detenção de Rebibbia, que fica perto de Roma.

De acordo com o procurador-geral de Milão, Roberto Alfonso, Battisti terá de cumprir prisão perpétua sem chance de benefícios na pena. Ele deverá ficar sozinho em uma cela e em isolamento diurno por 6 meses. 

“Queria ressaltar que garantimos o percurso mais veloz e seguro para que Battisti chegasse à Itália. Conversei com o presidente do Brasil [Jair Bolsonaro] e agradeço pela mudança de rota que foi determinante. Obrigado também ao governo boliviano pela colaboração”, afirmou, por sua vez o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.

 

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Battisti disse que foi bem tratado pelos agentes responsáveis por sua prisão.

 

Conte, Bonafede e o ministro do Interior, Matteo Salvini, deram uma coletiva de imprensa conjunta no Palácio Chigi, em Roma, sobre a prisão de Battisti. Salvini, por sua vez, disse que as autoridades italianas “estão trabalhando em outra dezena” de casos de “terroristas” que precisam ser extraditados.

“Mas não vou entrar no mérito do nome deles nem do local onde estão”. O ministro já vinha dizendo que pretende iniciar uma caça a outros condenados italianos que vivem no exterior. “A prisão de Cesare Battisti não é um ponto final, mas um começo”, comentou.

“Tenho certeza de que as forças de ordem, com os serviços de inteligência, levarão à prisão outras dezenas de delinquentes e assassinos que estão viajando pelo mundo e aproveitando a vida”, disse Salvini.

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