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11/01/2020 11:18 -03 | Atualizado 11/01/2020 11:56 -03

Cervejaria Backer em BH é interditada após morte por síndrome misteriosa

Laudo preliminar da Polícia Civil encontra substância tóxica em 2 lotes da cerveja Belorizontina, mas pondera que ainda não é possível apontar responsáveis.

Divulgação
Fabrica da cervejaria Backer foi interditada pelo Ministério da Agricultura após laudo apontar presença de substância tóxica em dois lotes da cerveja Belorizontina.

A fábrica da cervejaria Backer, em Belo Horizonte (MG), que produz a cerveja Belorizontina, foi interditada pelo Ministério da Agricultura nesta sexta-feira (10). A medida, segundo a pasta, preventiva, ocorre após a identificação da substância dietilenoglicol em amostras do produto. A Polícia Civil mineira apura se o consumo do produto tem relação com uma síndrome, chamada pelas autoridades de nefroneural, que atingiu 10 pessoas. Uma delas morreu. 

De acordo com o ministério, que decidiu periciar todos os lotes da fábrica, foram apreendidos 16 mil litros de cerveja. O Mapa informou ainda que auditores nas especialistas farmacêutica, química e de engenharia agrônoma têm atuado junto às autoridades da região para esclarecer “as circunstâncias em que ocorreram a contaminação”. 

Laudo preliminar divulgado na noite da última quinta-feira pela Polícia Civil, aponta que haveria dietilenoglicol em dois lotes da cerveja Belorizontina, produzida pela cervejaria Backer. A polícia mineira pondera, contudo, que ainda não é possível responsabilizar a cervejaria.

A Backer divulgou em seu site um comunicado em que afirma que a substância “não faz parte do processo de produção da cerveja”. “Por precaução, os lotes em questão - L1 1348 e L2 1348 - citados pela Polícia Civil e recolhidos na residência dos consumidores, serão retirados imediatamente de circulação, caso ainda haja algum remanescente no mercado”. A empresa também se coloca à disposição das autoridades para auxiliar nas investigações. 

Lotes da cerveja foram vendidos para São Paulo, Espírito Santo e Distrito Federal. Foram 33 mil garrafas ao todo. Recomenda-se a quem tiver Belorizontina em casa conferir se fazem parte dessa safra. 

A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva)  divulgou uma nota na quinta (9) em que salienta o fato de “que as hipóteses para o surgimento da síndrome nefroneural ainda não foram esclarecidas”. “Ressaltamos que as normas para abertura e manutenção de fábricas de cervejas são bastante rigorosas a fim de evitar qualquer dano à saúde”.  

Síndrome desconhecida

Misteriosa, a síndrome foi denominada nefroneural por provocar nos pacientes problemas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e dores abdominais, mas também insuficiência renal aguda e alterações neurológicas, como dificuldades de visão e até paralisia. 

Secretaria de Saúde de Minas também acompanha o caso. A presença de dietilenoglicol, que é “um solvente orgânico altamente tóxico”, de acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), foi confirmada em exames de sangue de três pacientes. Os outros resultados ainda não ficaram prontos. 

“Consumidores que possuem a cerveja Belorizontina e desejarem se desfazer do produto podem encaminhá-lo à vigilância sanitária de Belo Horizonte e, no interior do estado, aos Procons municipais”.