OPINIÃO
30/03/2019 00:45 -03 | Atualizado 18/04/2019 19:46 -03

O centro histórico de São Paulo precisa de vida noturna (e isso está prestes a acontecer)

Conheça o projeto que pretende atrair pessoas e transformar o centro histórico numa espécie de distrito gastronômico e cultural.

Martinelli73 via Getty Images

Por Clayton Melo

O centro histórico de São Paulo é uma área riquíssima do ponto de vista histórico e arquitetônico, mas que sofre de um problema sério: o esvaziamento à noite. Como lá não há moradores (praticamente todos os prédios são comerciais), o movimento se dá basicamente no horário comercial, deixando as ruas desertas e, por isso mesmo, inseguras no período noturno (é bom ressaltar que me refiro ao centro histórico; em outros pontos da zona central, a noite é intensa e vibrante, como a região da República, Copan, Praça Roosevelt e Vila Buarque).

É justamente esse vazio que um projeto criado agora pela prefeitura de São Paulo pretende atacar. Chamado de Triângulo SP, o plano busca incentivar que as pessoas frequentem a região à noite, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo. Diferentemente de outros planos mirabolantes para o Centro que nunca deram em nada, este parece ser mais “pé no chão” e tem o mérito de tentar resolver esse que é um dos principais entraves à reocupação da área onde a cidade nasceu.

 

Pessoas  

Resumidamente, a iniciativa está estruturada em seis pilares: calçamento, iluminação, segurança, zeladoria, assistência social e estratégias de ativação – neste último caso, um exemplo é a reabertura, em abril, do mirante do histórico Edifício Martinelli, onde será instalado um centro de atendimento ao turista.

O perímetro do plano não é exatamente um triângulo, mas um polígono que envolve as ruas Benjamin Constant, Boa Vista e Líbero Badaró. Já há verba destinada para isso. A implantação contará com recursos de R$ 28 milhões repassados pelo Ministério do Turismo. Além disso, também deve haver investimento por parte do município.

O projeto também quer transformar o Centro num polo de economia criativa - algo no qual nós, doA Vida no Centro, sempre acreditamos, e que já está acontecendo (faltava apenas o poder público fazer sua parte e criar condições para esse movimento avançar).

A população e a iniciativa privada, com coletivos e empreendedores de diferentes áreas, como gastronomia e cultura, já vinham fazendo a sua parte e dinamizando o Centro. Mas faltava o poder público tomar uma atitude.

 

Economia criativa

Quando criamos o A Vida no Centro, em agosto de 2017, o Centro não era assunto na mídia, a não ser pelo lado negativo. É muito gratificante ver que, hoje, o Centro está na pauta da cidade. Isso nos dá ainda mais ânimo para seguir adiante. Já falamos em outros momentos sobre os novos negócios criativos e a transformação positiva que a economia criativa já provoca na região.

O projeto Triângulo SP mira essas áreas, direcionando a atenção para a economia noturna, um fator fundamental para ativar o Centro Histórico e atrair as pessoas, tornando as calçadas movimentadas e, portanto, seguras.

“É uma coisa que todos já sabem: uma rua movimentada consegue garantir segurança; uma rua deserta, não”, já dizia a jornalista Jane Jacobs, uma das principais referências do urbanismo internacional. “O requisito básico da vigilância é um número substancial de estabelecimentos e outros locais públicos dispostos ao longo das calçadas”, escreveu a autora de “Morte e vida nas grandes cidades”.

A economia noturna é um ponto importante para a recuperação do Centro Histórico, assim como de toda a região central. Agora, a sociedade precisa debater o projeto, cobrar e acompanhar para que as ações se tornem, de fato, realidade.

 

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.