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30/09/2019 16:29 -03

Procurador pede apreensão de livro em que Janot disse querer matar Gilmar Mendes

Antes de ser lançado, contudo, o livro vazou e tem sido compartilhado em grupos de WhatssApp nesta segunda-feira (30).

ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
 "A prova da confissão da suposta conduta delituosa está a suscitar comentários na sociedade e nas instituições", diz Moacir Guimarães Morais Filho.

O subprocurador-geral Moacir Guimarães Morais Filho pediu ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que determine a apreensão do livro Nada menos que tudo, em que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot revela ter planejado matar o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal)Gilmar Mendes.

“O certo é que, a prova da confissão da suposta conduta delituosa está a suscitar comentários na sociedade e nas instituições, razão pela qual o suplicante considera nociva à divulgação do livro sem que sejam excluídos dele os capítulos relativos ao fato confessado pelo autor da obra”, afirma Morais, em ofício enviado ao conselheiro Otávio Luiz Rodrigues, de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo.

Antes de ser lançado, contudo, o livro vazou e tem sido compartilhado em grupos de WhatssApp nesta segunda-feira (30). Janot assina a obra com os jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelin.

Em entrevista a veículos de comunicação na última quinta-feira (26), o ex-procurador geral contou que chegou a ir armado ao Supremo com intenção de matar Gilmar Mendes e, em seguida, se matar.

Segundo o relato, em maio de 2017, Janot planejou dar um tiro na cabeça do ministro e depois tirar a própria vida. Ele conta ter chegado armado à sala reservada onde os ministros se reúnem antes de iniciar os julgamentos no plenário, sacou uma pistola do coldre que estava escondido sob a beca e a engatilhou, mas desistiu.

“Quando procurei o gatilho, meu dedo indicador ficou paralisado. Eu sou destro. Mudei de mão. Tentei posicionar a pistola na mão esquerda, mas meu dedo paralisou de novo. Nesse momento, eu estava a menos de 2 metros dele. Não erro um tiro nessa distância. Pensei: ‘Isso é um sinal’. Acho que ele nem percebeu que esteve perto da morte. Depois disso, chamei meu secretário executivo, disse que não estava passando bem e fui embora. Não sei o que aconteceria se tivesse matado esse porta-­voz da iniquidade. Apenas sei que, na sequência, me mataria”, disse Janot à Veja.

Na época, o ministro e o então PGR viviam um embate após Janot pedir ao STF que impedisse Mendes de atuar em um processo que envolvia o empresário Eike Batista. O procurador alegou que a esposa do magistrado, Guiomar Mendes, trabalhava no mesmo escritório de advocacia que defendia o empresário.

Foram publicadas então notícias de que a filha de Janot era advogada de empreiteiras envolvidas na Lava-­Jato e Janot atribuiu a divulgação a Mendes.

Em resposta, Gilmar Mendes publicou uma nota, na sexta-feira (27), em que sugere que Janot “procure ajuda psiquiátrica” e ironiza a atuação do ex-procurador-geral. “Sempre acreditei que, na relação profissional com tão notória figura, estava exposto, no máximo, a petições mal redigidas, em que a pobreza da língua concorria com a indigência da fundamentação técnica. Agora ele revela que eu corria também risco de morrer”, diz trecho da nota.

No mesmo dia, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou ação de busca e apreensão feita pela Polícia Federal em endereço residencial e escritório de Janot, assim como a suspensão do porte de arma do ex-procurador-geral. Moraes também proibiu Janot de se aproximar a menos de 200 metros de qualquer um dos ministros ou entrar no STF. 

A medida foi tomada no âmbito do inquérito das fake news, que apura ataques a integrantes do Supremo. A investigação conduzida por Moraes foi aberta por determinação do presidente da corte, ministro Dias Toffoli, em um procedimento contestado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e por juristas.