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02/11/2019 13:13 -03 | Atualizado 02/11/2019 15:00 -03

Empresa contraria MPF e diz que 'não há provas' de que navio grego tenha vazado óleo no nordeste

Navio Bouboulins, de bandeira grega, da Delta Tankers Ltda, é suspeito de ser a fonte do óleo que atingiu a costa do nordeste brasileiro.

Lucas Landau / Reuters
Um morador trabalha para remover um derramamento de óleo que contaminou a praia de Barra de Jacuipe, em Camaçari, na Bahia.

Gerente da Delta Tankers Ltda, empresa que administra o Bouboulina, navio petroleiro de bandeira grega que é suspeito de ter derramado óleo na costa do Brasil afirmou à Reuters, por meio de nota, que não encontrou “nenhuma prova” de que a embarcação possa ter causado vazamentos.

Em comunicado enviado à agência de notícias neste sábado (2), a empresa disse que foi feita uma busca completa em câmeras e sensores de todas as embarcações e que não foram encontradas evidências de que o navio “tenha parado para fazer qualquer tipo de operação entre dois navios, vazado óleo, desacelerado e desviado do seu curso”.

Navio estava saindo da Venezuela, com curso direcionado para a Malásia. A Delta Tankers reiterou, em nota, que o navio saiu da Venezuela em 19 de julho e direto para Melaka, na Malásia, onde o navio descarregou toda a sua carga. A empresa reitera que a embarcação não fez paradas durante o percurso.

A empresa ainda assegurou que o material obtido a partir da análise de seus equipamentos de segurança nos navios será compartilhado com as autoridades brasileiras quando entrarem em contato com a empresa sobre a investigação.

A Delta informou ainda que, até o momento, não recebeu nenhuma notificação. “Nem a Delta Tankers nem a embarcação foram contatadas pelas autoridades brasileiras em relação a essa investigação”, disse em nota.

Enquanto não há respostas para o ”óleo misterioso” que inundou a costa brasileira, a Marinha informou, neste sábado (2), que pequenos fragmentos da substância foram detectados em Abrolhos, na Bahia, região conhecida como “berço” das baleias jubarte e espécies raras de corais.

Estudo do Inpe, divulgado na última sexta-feira (1), aponta que manchas de óleo podem estar “represadas” em alto mar e sendo arrastadas por correntes marítimas, podendo chegar ao Espírito Santo e ao Rio de Janeiro.

 

O que diz a investigação sobre o navio Bouboulina

Stringer . / Reuters
Voluntários recolhem óleo que contaminou praias do Nordeste.

Autoridades brasileiras afirmaram, última sexta-feira (1), que o navio de bandeira grega, da Delta Tankers Ltda, é suspeito de ser a fonte do óleo que atingiu a costa do nordeste brasileiro nos últimos dois meses.

Segundo procuradores da República em representação encaminhada à Justiça Federal, o navio teria derramado o petróleo a cerca de 700 km da costa do Brasil entre 28 e 29 de julho, depois de ser abastecido com óleo da Venezuela.

De acordo com a investigação, evidências apontam que o capitão e a tripulação do navio não conseguiram comunicar às autoridades o derramamento, apontando negligência.

“Nesse sentido, cristalino a existência de fortes indícios que o NM BOUBOULINA, da empresa DELTA TANKERS LTD., foi o navio envolvido com o vazamento de petróleo que gerou uma poluição marinha sem precedentes na história do Brasil”, disseram os procuradores.

“Também há fortes indícios de que a empresa DELTA TANKERS, o comandante do NM BOUBOULINA e tripulação deixaram de comunicar às autoridades competentes acerca de vazamento/lançamento de ‘petróleo cru’ no oceano Atlântico que veio a poluir centenas de praias brasileiras”, completaram.

A pedido do MPF (Ministério Público Federal), a Justiça Federal autorizou buscas e apreensão na Lachmann Agência Marítima e Witt O Brien’s, ambas sediadas no Rio de Janeiro, que teriam ligações com o navio petroleiro suspeito do vazamento.

O delegado da Polícia Federal Agostinho Cascardo, um dos responsáveis pela Operação Mácula, no âmbito da qual foram cumpridos os mandados de busca e apreensão, disse que as duas empresas com sede no Rio de Janeiro, alvo dos mandados, não são em princípio suspeitas do vazamento, mas teriam ligações com o navio de bandeira grega.

“As duas empresas são endereços ligados à empresa, são representantes, empresas que prestam consultoria, eles não são em princípio suspeitos de crime. São pessoas que podem ter arquivos e dados que sejam úteis à investigação da Polícia Federal”, disse o delegado, em entrevista coletiva.

Cascardo disse ter enviado cinco pedidos de cooperação internacional a cinco países diferentes, via Interpol, com o objetivo de investigar também o navio supostamente autor do vazamento do óleo em águas brasileiras. Ele destacou que essa é uma das linhas da apuração.

Ele disse que não é possível saber o motivo do descarte do material, uma vez que, “apesar de a materialidade do crime estar bem definida”, não se tem a circunstância do delito.

Delegado afirmou que o navio tem capacidade de transportar 80 mil toneladas de petróleo, não sendo um dos maiores para esse tipo de uso. “O que chegou na costa brasileira é uma pequena fração”, disse.