LGBT
17/12/2019 14:20 -03 | Atualizado 17/12/2019 14:26 -03

Ludmilla organizou em 24h seu próprio casamento surpresa com Brunna Gonçalves

“Tu aceita? Então bora lá fora casar, então!” 🌈❤️

Reprodução/Instagram/@ludmilla
Ludmilla (à esq.) e Brunna Gonçalves (à dir.) se beijam após assinarem os papeis.

“Bru, reuni todo mundo que a gente ama aqui, que vive com a gente, que torce pela gente, pra te fazer um pedido: eu queria saber se você aceita se casar comigo”. Foi assim que a cantora Ludmilla, de 24 anos, surpreendeu a namorada, Brunna Gonçalves, na noite desta segunda-feira (16): no momento em que ficaram noivas, também formalizaram a união com direito a festa.

Em vídeos publicados no Instagram é possível ver que a bailarina respondeu ao pedido imediatamente. Em seguida, Ludmilla deu a ela uma flor artificial branca ― do tipo que é usada para enfeitar árvores de Natal e surpreendeu Brunna novamente, ao dizer: “Tu aceita? Então, bora lá fora casar então!”

Para surpreender Brunna, tudo foi planejado nos mínimos detalhes e em cerca de 24 horas, segundo Ludmilla disse ao site do Hugo Gloss. A cantora pediu para que Brunna se arrumasse e esperasse no andar de cima da casa que, no momento certo, seria chamada. Nesta segunda também era o dia do aniversário da companheira de Ludmilla, que completou 28 anos.

“Hoje é o dia da minha pessoa preferida. Obrigada por ter aparecido na minha vida, você é minha companheira, minha amiga, meu confessionário. Ter você do meu lado é uma benção”, afirmou Ludmilla em publicação no Instagram em que parabeniza Brunna pelo aniversário e também declara seu amor a ela.

Em seu Instagram, Brunna fez alguns vídeos em que aparece arrumada para a “surpresa” e esperando ser chamada. Ansiosa, ela conversa com fãs e faz especulações sobre o que seria, lembrando que anualmente Ludmilla faz uma “célula” em casa - uma reunião com amigos da igreja ― e que poderia ser isso.

Mas estava certa de que seria qualquer outra coisa, menos um casamento. Assim que vídeos do pedido e da festa começaram a circular pelas redes sociais, fãs do casal comemoraram a união, o que fez com que o termo “ludmilla casou” ficasse entre os assuntos mais comentados no Twitter.

Mesmo preparada às pressas, a cerimônia contou com a ajuda de familiares das noivas e teve direito a marcha nupcial, juiz de paz, beijo e chuva de arroz. A dançarina ainda jogou o “buquê” para as convidadas e logo foi comemorar.

Depois da surpresa, Brunna fez uma série de stories no Instagram mostrando a festa. Ela aparece ao lado de Ludmilla, mostra as alianças e afirma que este foi “o dia mais feliz” de sua vida e que “não desconfiava de nada”. “Como que você armou nosso casamento assim, amor? Você é muito perfeita”, disse.

Juntas desde 2018, Brunna e Ludmilla só tornaram o relacionamento público em junho deste ano. “A música Espelho, que está no meu novo DVD foi dedicada a ela”, revelou Ludmilla à época, em entrevista ao blog do jornalista de celebridades Leo Dias, referindo-se ao seu novo álbum, Hello Mundo.

 Casamento entre pessoas LGBT aumentou no Brasil

Motortion via Getty Images
Casamento entre pessoas do mesmo sexo não é lei no Brasil, mas é garantido pela Justiça.

A decisão pelo casamento vem se intensificando entre casais LGBTs desde a campanha eleitoral de 2018 e ainda mais após a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência, que é conhecido por ter um histórico recente de declarações consideradas homofóbicas

Dados do IBGE divulgados nesta semana mostram os efeitos da decisão de LGBTs pela oficialização da união: o número de casamentos homoafetivos se multiplicou no Brasil em 2018. Os dados também mostram que, entre os meses de outubro e dezembro — justamente após a eleição presidencial, esse tipo de união ganhou fôlego no País.

No total, 9.520 casais homoafetivos decidiram se unir formalmente no ano passado, frente a 5.887 em 2017, o que representa um aumento de 61,7%.

Em outubro, foram registrados 674 casamentos entre pessoas do mesmo sexo e, sobretudo, em dezembro, quando as uniões homoafetivas tanto de gays e de lésbicas somaram 3.098, trazendo aumento de 360% de um mês para o outro.

As mulheres foram responsáveis por 64,2% das uniões, passando de 3.387 em 2017 para 5.562 em 2018. Já os casamentos entre homens subiram de 2,5 mil para 3.958, o que representa um aumento de 58,3%. A idade média ao contrair o casamento foi de 34 anos para os homens e 32 anos para as mulheres.

No Brasil, a união estável entre pessoas do mesmo sexo foi reconhecida em 2011 pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O tribunal decidiu, por unanimidade, que a união estável entre casais do mesmo sexo deve ser tratada como entidade familiar. Na prática, a decisão significou que as regras que valem para relações estáveis entre homens e mulheres deveriam ser aplicadas a casais homossexuais.

A partir do entendimento de que as normas deveriam ser as mesmas, casais homoafetivos passaram a pedir também a conversão da união estável em casamento, como prevê o Código Civil.

Com a resistência dos cartórios em reconhecer esse direito e até mesmo o que foi explicitamente garantido pelo STF, o CNJ aprovou, em 2013, uma resolução determinando que todos realizassem, além do reconhecimento da união estável, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.