LGBT
26/06/2020 12:08 -03

Cinco anos após decisão da Suprema Corte, casais temem futuro do casamento gay nos EUA

Em 26 de junho de 2015, veredicto histórico permitiu casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o território do país norte-americano.

Só foi preciso um ano de relacionamento para Greg Borski perceber que seu então namorado Phillip era a pessoa certa. “Eu simplesmente sabia que queria passar o resto da vida com ele”, disse Borski por telefone da casa deles no estado norte-americano do Texas. “Queríamos fazer direito – casar e depois ter filhos”, contou ele à Thomson Reuters Foundation.

Mas foram necessários oito anos e uma decisão emblemática da Suprema Corte dos Estados Unidos em 2015 para o país reconhecer sua união. “Foi como tirar um fardo das costas”, lembrou Phillip Borski, acrescentando que o casal passou anos temendo perder a guarda dos três filhos. “Não precisamos mais nos preocupar com nossa família”.

Nesta sexta-feira (26), a comunidade LGBT comemora os cinco anos do veredicto histórico, mas a guinada conservadora e acentuada na política dos Estados Unidos após a eleição de Donald Trump deixou alguns casais preocupados com o futuro de conquistas como o casamento homoafetivo.

“Isso me assusta”, disse Greg sobre o conservadorismo. “Sempre há essa reação, eles estão minando nossos direitos lentamente, um pouco aqui, um pouco ali”, completou.

Lucy Nicholson / Reuters
A Suprema Corte americana aprovou por cinco votos a quatro o casamento gay em todo o país em 26 de junho de 2015.

A decisão de 2015 ― tomada a partir da ação coletiva conhecida como Obergefell vs. Hodges ― foi uma vitória para todos aqueles que lutavam há anos pelo casamento igualitário.

Os juízes determinaram que a partir de agora todos os Estados devem emitir licenças de casamento para casais do mesmo sexo e reconhecer uniões do mesmo sexo que foram legalmente realizados em outros estados.

Primeiro presidente americano em exercício a apoiar a igualdade de casamento, Barack Obama comemorou a decisão na época em sua conta no Twitter e disse que foi um grande passo rumo a igualdade. “Casais de gays e lésbicas agora têm o direito de casar, como todo mundo”, disse à época.

Em seguida, Obama fez um discurso na Casa Branca em que afirmou que “as pessoas devem ser tratadas de maneira igual independentemente de quem eles amam ou o quem elas são” e ressaltou que a decisão foi uma “consequência de atos de coragem de milhares de pessoas ao longo de décadas”.

Kevin Lamarque / Reuters
Recentemente, o governo Trump também se posicionou contra proteções a pessoas LGBT no ambiente de trabalho.

Desde a eleição do presidente Trump em 2016, direitos LGBT vêm sofrendo crescente pressão tanto de decretos executivos quanto de ações legais. Em 2017, Trump anunciou uma proibição ao ingresso de pessoas transgêneros no exército e, neste mês, rescindiu diretrizes do governo Obama que protegiam pessoas trans de discriminação nos serviços de saúde.

O governo Trump também se posicionou contra proteções a pessoas LGBT no ambiente de trabalho, uma iniciativa refutada por um parecer histórico da Suprema Corte da semana passada. Decisão, considerada histórica, impede que pessoas sejam demitidas com base em sua orientação sexual ou gênero.

Apesar disso, famílias gays e lésbicas, assim como ativistas LGBT, temem que o casamento de pessoas do mesmo sexo se torne um alvo. “Nós duas ainda temos esse medo”, disse Cheralyn Stevenson, que está com a esposa, Stacey, há 14 anos. “Não importa para nós estarmos casadas... (isso) pode ser tirado de nós a qualquer momento”.

Embora uma rejeição do casamento homossexual seja considerada altamente improvável, especialistas dizem que decisões no âmbito estadual e em tribunais inferiores, repletos de juízes indicados por Trump, podem erodir as proteções aos casais homoafetivos.

Desde o veredicto de 2015, quase 300 mil casamentos aconteceram, injetando cerca de 3,8 bilhões de dólares em economias estaduais e locais, segundo o Instituto Williams, um centro de estudos da Universidade da Califórnia.