LGBT
14/09/2019 03:00 -03 | Atualizado 14/09/2019 10:30 -03

Não somos sugar daddy e sugar baby, diz casal gay com 29 anos de diferença

O economista Flávio Chevis, 47 anos, e o universitário Gabriel Mallet, 18 anos, enfrentaram onda de ataques ao tornar o relacionamento público.

Montagem/Instagram
Flávio Chevis e Gabriel Mallet querem celebrar o amor a despeito dos ataques.

O economista Flávio Chevis, 47 anos, e o universitário Gabriel Mallet, 18 anos, enfrentaram uma onda de críticas e acusações quando decidiram contar sobre o relacionamento deles em um vídeo no YouTube, publicado em agosto deste ano. “A internet foi abaixo”, ressaltaram reportagens sobre o casal com 29 anos de diferença. Em entrevista ao HuffPost Brasil, a primeira dada à imprensa, os dois rebateram o rótulo de sugar dating e relataram os ataques sofridos.

A ideia do vídeo era justamente mostrar como estava a relação — independentemente da diferença de idade. “Foi aí que as acusações começaram, e eu me deparei com o status de sugar daddy, mas isso é fora de contexto. Porque o sugar daddy é algo combinado, um contrato de obrigação; um paga e outro recebe. Na nossa história prevaleceu a relação amorosa, o resto é acessório”, revela Chevis.

Mallet também lamentou ser tachado por gays como sugar baby. “Eu acho que ser sugar baby é quando eu vendo meu corpo. Claro que existe uma jornada muito diferente; eu tenho 18 anos e não tenho tempo de vida para ter o que ele [Flávio] já tem”, pondera o estudante de rádio e TV.

As pessoas só veem as coisas com preconceito, chamam ele [Flávio] de maricona, de cacura, mas o fato é que todo mundo vai ficar velho. E mesmo velho, essa pessoa tem o direito de namorar quem ela quiser.

O economista conta que a repercussão do vídeo o deixou bastante apreensivo com possíveis agressões na rua. “Eu vivi uma paranoia, achei que ia apanhar na rua, foram muitos insultos”. Com medo dos haters, Chevis chegou a encerrar as contas em redes sociais.

Seu maior incômodo foi ouvir a acusação de pedofilia, uma vez que os dois começaram a se relacionar quando Mallet tinha 17 anos. “Quem conhece a legislação sabe que isso não é pedofilia. Não há amparo legal para essas acusações”, contesta.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a pedofilia é uma doença de pessoas adultas que têm interesse sexual por crianças — sobretudo meninos e meninas que ainda não chegaram à puberdade ou estão no início dela.

O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) considera crime a relação sexual ou ato libidinoso de adulto praticado com criança ou adolescente menor de 14 anos.

Quando ele [Mallet] veio morar comigo, ele já tinha 18 anos. Eu não vi problema; nossa relação é muito saudável, eu nunca vi interesse [financeiro] nele.

Questionado se um garoto de 17 anos não teria condições de discernir amor, sentimento e relacionamento — especialmente tendo um histórico de agressão em família —, Chevis é categórico: “Não na fase em que eu o conheci. Os problemas dele já estavam para trás... Eu já saí com outros garotos, e eles brilharam o olho pela questão financeira. Nele [Gabriel] eu tenho certeza que isso não faz a mínima diferença”.

Gabriel Mallet saiu da casa da família aos 17 anos por conta da violência que conta ter sofrido. Ele diz que frequentemente apanhava do padrasto por ser gay. Sua mãe, conta, era conivente com as agressões e tampouco aceitava a sexualidade dele.

Já na casa da avó, sem trabalhar e estudar, conheceu Chevis em um app de relacionamentos. Primeiro, eles se tornaram amigos próximos. Pouco menos de um ano depois, Mallet mudou-se para a casa do namorado.

Sugar dating é expressão para relacionamentos românticos entre pessoas com idades muito distintas, nos quais uma das partes é sustentada por dinheiro, presentes ou outros benefícios em troca da relação amorosa. Nesse tipo de relacionamento, sugar baby (independentemente do gênero) é aquela pessoa que recebe os agrados e mimos, enquanto sua (seu) parceiro(a) é referido(a) como sugar daddy.

“Lembro de uma menina que comentou ‘seu velho safado’, algo que eu acho muito esdrúxulo e fora de contexto... Os olhares negativos surgiram após o vídeo da internet. Na rua nunca sofremos com isso”, desabafa Chevis.

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A diferença é seu preconceito 😉

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Gabriel Mallet não vai parar de gravar vídeos sobre a rotina do casal. Com isso, ele espera fazer de suas redes sociais um canal de combate ao preconceito e ao etarismo.

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