LGBT
18/03/2019 15:30 -03 | Atualizado 18/03/2019 15:35 -03

Após mobilização, Casa 1 atinge 112% da meta necessária para não fechar as portas

Localizada na região central de São Paulo, a república de acolhida LGBT e centro cultural conseguiu verba para funcionar até 2020.

Reprodução/Instagram/Casa 1
Casa 1, local de acolhimento a LGBTs, bateu meta de financiamento coletivo e funcionará até 2020.

Menos de dez dias após anunciar que estava prestes a fechar as portas, a ONG Casa 1 conseguiu atingir 112% da meta estipulada em uma campanha de financiamento coletivo e seguirá aberta até dezembro de 2020. 

O resultado é fruto de mobilização de apoiadores fora e dentro das redes sociais e, também, de artistas LGBTs como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Lia Clark e Lorelay Fox que ajudaram a divulgar a campanha de financiamento. 

″Na minha inocência, em um ano conseguiria mostrar para as pessoas a necessidade do espaço e coletivamente o projeto seguiria”, escreveu Iran Giusti, criador da ONG, em anúncio publicado nas redes sociais no dia 11 de março. “Não dá mais (...). A Casa 1 acaba em dezembro de 2019.” 

Logo após o anúncio de que a ONG teria recursos apenas para continuar funcionando até o final deste ano, a primeira meta do financiamento coletivo e recorrente ― que era de R$ 32 mil reais ― foi batida em menos de 12 horas.

Aproveitando a mobilização, foi estabelecida o que a ONG chamou de “meta de ouro” e o objetivo, então, foi chegar até R$ 80 mil reais em doações. Até o fechamento desta reportagem, o valor chegava a quase R$ 90 mil reais.

A “república de acolhimento e centro cultural” informa que, com este valor, irá empregar formalmente voluntários que recebem apenas uma ajuda de custo, além de criar um fluxo de caixa para a manutenção de ações promovidas pela ONG e garantir o pleno funcionamento do projeto até 2020. 

Como ajudar a Casa 1 a continuar funcionando

DIVULGAÇÃO/MELINA RESENDE
Casamento LGBT foi celebrado em dezembro de 2018 no Galpão da Casa 1.

A ONG Casa 1 nasceu em 2016, na região central de São Paulo e, desde então, acolheu cerca de 200 pessoas LGBTs que foram expulsas de casa ou que estão em situação de rua por sua orientação sexual e identidade de gênero.

O projeto, que é entendido como uma “república de acolhida e centro cultural”, fica no bairro do Bela Vista e atualmente abriga de forma fixa 20 pessoas de 18 a 25 anos. Além disso, também acolhe cerca de 41 crianças, atende 100 pessoas por dia em busca de roupas, oferece aulas de inglês, espanhol, costura, canto e yoga para cerca de 300 pessoas por mês, além de oferecer atendimento psicoterápico em sua clínica social para cerca de 70 pacientes.

Todos os serviços prestados são gratuitos e, segundo Giusti, geram um custo de cerca de R$ 45 mil reais mensais, valor que, durante os últimos anos foi arrecadado por meio de doações, financiamentos coletivos e parcerias com empresas da iniciativa privada. Mas, em 2019, o orçamento chegou a um limite.

Giusti conta em entrevista ao HuffPost Brasil que, desde o fim do ano passado, o número de doações de colaboradores diminuíram exponencialmente e que empresas que eram parceiras desde o início do projeto encerraram a parceria.

“Durante o período das eleições as pessoas doaram mais. Mas depois, pararam. E agora, no início do ano, algumas empresas que diziam que iriam manter a parceria nem respondem mais nossos e-mails. Estamos nesse nível. A gente atira para todos os lados, mas não tem como ficar dependendo disso.”

 
Quanto mais gente, mais contribuidores, mais benfeitores a gente tiver, mais segurança a gente tem para a manutenção do projeto.Iran Giusti
Divulgação/Casa 1
Iran Giusti, jornalista e idealizador da Casa 1. 

Ao HuffPost Brasil, Giusti explica que há duas formas de manter a Casa 1 funcionando: bater a meta da “benfeitoria”, que são as doações mensais por meio de financiamento coletivo recorrente. A outra é estabelecer novas parcerias com a iniciativa privada.

“Quanto mais gente, mais contribuidores, mais benfeitores a gente tiver, mais segurança a gente tem para a manutenção do projeto”, explica. “A Casa é um projeto experimental de muita luta, é um modelo que a gente quer replicar em outros lugares. Mas ela precisa das pessoas para acontecer.”

E é nisso que o projeto quer focar para continuar ativo. “A gente tem batido muito nessa tecla: 10 reais. É disso que eu preciso. Eu prefiro ter 10 pessoas doando 10 reais, do que outras em valor maior. Se for assim, eu sempre terei investimento, mesmo se alguns pararem de doar.”

Para se tonar um “benfeitor” da Casa 1, é preciso se cadastrar no site da Benfeitoria (acesse aqui) e, em seguida, escolher a quantia que deseja colaborar. O pagamento pode ser feito via cartão de crédito ou paypal.

Doações maiores, via depósito bancário, também são aceitas. Todas as doações são mensais e funcionam como um assinatura, ou seja, podem ser canceladas a qualquer momento.

 
Também no HuffPost Brasil:
Galeria de Fotos 10 momentos históricos da luta LGBT Veja Fotos