LGBT
13/03/2019 16:50 -03 | Atualizado 14/03/2019 16:26 -03

Casa 1, local de acolhimento para LGBTs, vai fechar. E precisa de você

"Foi desesperador ter que anunciar o fechamento", afirma Iran Giusti, idealizador do projeto, em entrevista ao HuffPost Brasil.

Reprodução/Instagram
A Casa 1 nasceu em 2015, com a ajuda de uma "vaquinha" virtual, para ser uma casa de acolhimento para LGBTs expulsos de casa.

A ONG Casa 1 nasceu em 2016, na região central de São Paulo e, desde então, acolheu cerca de 200 pessoas LGBTs que foram expulsas de casa ou que estão em situação de rua por sua orientação sexual e identidade de gênero. Três anos depois, Iran Giusti, jornalista e fundador do projeto, anunciou que o local fechará as portas.

Quando criei a Casa 1 ela tinha um tempo de início, meio e fim. Na minha inocência, em um ano conseguiria mostrar para as pessoas a necessidade do espaço e coletivamente o projeto seguiria”, diz o anúncio oficial, publicado no Facebook de Giusti. “Não dá mais (...). A Casa 1 acaba em dezembro de 2019.”

O projeto, que é entendido como uma “república de acolhida e centro cultural”, fica no bairro do Bela Vista e atualmente abriga de forma fixa 20 pessoas de 18 a 25 anos. Além disso, também acolhe cerca de 41 crianças, atende 100 pessoas por dia em busca de roupas, oferece aulas de inglês, espanhol, costura, canto e yoga para cerca de 300 pessoas por mês, além de oferecer atendimento psicoterápico em sua clínica social para cerca de 70 pacientes.

Pela primeira vez em bastante tempo a gente teve que comprar produtos de higiene pessoal.Iran Giusti
Reprodução/Facebook
Iran Giusti, jornalista e idealizador da Casa 1, em evento do projeto realizado no Teatro Oficina, na Bela Vista, em São Paulo.

Todos os serviços prestados são gratuitos e, segundo Giusti, geram um custo de cerca de R$ 45 mil reais mensais, valor que, durante os últimos anos foi arrecadado por meio de doações, financiamentos coletivos e parcerias com empresas da iniciativa privada. Mas, em 2019, o orçamento chegou a um limite.

Giusti conta em entrevista ao HuffPost Brasil que, desde o fim do ano passado, o número de doações de colaboradores diminuíram exponencialmente e que empresas que eram parceiras desde o início do projeto encerraram a parceria.

“Durante o período das eleições as pessoas doaram mais. Mas depois, pararam. E agora, no início do ano, algumas empresas que diziam que iriam manter a parceria nem respondem mais nossos e-mails. Estamos nesse nível. A gente atira para todos os lados, mas não tem como ficar dependendo disso.”

É inviável continuar um projeto desse tamanho, com essa carga de trabalho, nesse processo.Iran Giusti
Divulgação/Melina Resende
Em dezembro de 2018, a Casa 1 realizou um casamento coletivo LGBT.

O projeto, que é oficialmente uma ONG, conta com algumas isenções fiscais mas, para se manter, depende de doações, parcerias com a iniciativa privada e editais de financiamento. Atualmente, existem 8 voluntários que trabalham na Casa cerca de 12 horas por dia, 7 dias por semana, e recebem uma ajuda de custo de R$ 800 reais por mês, conta Giusti. Para ele, isso é “inviável”. 

″É inviável continuar um projeto desse tamanho, com essa carga de trabalho, nesse processo. E é isso: depois de dois anos de projeto batalhando e trabalhando tanto a gente teve que pedir arroz e feijão. Aí você percebe que ainda está no básico”, lamenta Giusti. 

Ele conta que pela primeira vez em muito tempo, a ONG precisou tirar uma parte do orçamento para comprar alimentos e produtos de higiene pessoal. “Nos últimos anos, esses [produtos] eram frutos de doação. Foi um custo de R$ 350 a mais em um projeto que trabalha com dinheiro contado.”

Como ajudar a Casa 1 a continuar funcionando

Ao HuffPost Brasil, Giusti explica que há duas formas de manter a Casa 1 funcionando: bater a meta da “benfeitoria”, que são as doações mensais por meio de financiamento coletivo recorrente. A outra é estabelecer novas parcerias com a iniciativa privada. 

“Quanto mais gente, mais contribuidores, mais benfeitores a gente tiver, mais segurança a gente tem para a manutenção do projeto”, explica. “A Casa é um projeto experimental de muita luta, é um modelo que a gente quer replicar em outros lugares. Mas ela precisa das pessoas para acontecer.”

A 'Casa' é um projeto experimental de muita luta.Iran Giusti

E é nisso que o projeto quer focar para continuar ativo. “A gente tem batido muito nessa tecla: 10 reais. É disso que eu preciso. Eu prefiro ter 10 pessoas doando 10 reais, do que outras em valor maior. Se for assim, eu sempre terei investimento, mesmo se alguns pararem de doar.”

Para se tonar um “benfeitor” da Casa 1, é preciso se cadastrar no site da Benfeitoria e, em seguida, escolher a quantia que deseja colaborar. O pagamento pode ser feito via cartão de crédito ou paypal. Doações maiores, via depósito bancário, também são aceitas. 

Todas as doações são mensais e funcionam como um assinatura, ou seja, podem ser canceladas a qualquer momento.

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