MULHERES
22/05/2020 18:00 -03 | Atualizado 23/05/2020 08:50 -03

Engravidei aos 19, levei um susto, mas foi a melhor coisa da minha vida

A dona do 20º depoimento do projeto "Prazer, Sou Mãe" é Carolina Agostineli, que enfrentou dificuldades por ser mãe jovem, mas teve muita força de sua rede de apoio.

Divulgação/Arquivo Pessoal
A advogada Carolina Agostineli e o filho Bernardo, de 4 anos.

A experiência de ser mãe é maravilhosa! Foi, sem dúvidas, a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Mesmo sendo mãe nova, só com 19 anos, não me arrependi nem por um segundo da escolha que fiz.

Eu amei ficar grávida, amei dar à luz, é uma sensação incrível gerar e sentir um ser só seu e sentir ele mexendo dentro de você... E, quando te mostram o rostinho dele pela primeira vez, é uma felicidade, uma explosão de sentimentos indescritível.

É tudo verdade o que dizem sobre a gravidez: quando nasce uma criança, nasce uma mãe... Algumas noites serão mais difíceis; vão ser muitas noites maldormidas. Mas a verdade é que os desafios de ser mãe não param de aparecer ao longo do tempo. E ninguém te avisa que falar um “não” ou deixar de castigo causam uma exaustão e um aperto no coração muitas vezes até maiores do que a perda de uma noite de sono por cólica. Ninguém avisa que às vezes você chora junto com a criança por não conseguir resolver o problema dela naquele momento.

Quando eu descobri que estava grávida, eu levei um susto. Eu namorava o pai do Bernardo mas não estávamos preparados, não estava nos planos ter um filho naquele momento. A gente levou um susto, mas ambas as famílias abraçaram a causa e nos ajudaram em tudo, de verdade. 

No dia que eu contei para a minha mãe, ela chegou a achar que eu estava doente. Foi muito difícil dizer “estou grávida”, então quando eu fui contar eu fiquei parada com o exame na mão e ela falava: “o que foi? Você está doente, você tem câncer?”.

E eu entreguei o envelope e ela: “Graças a Deus. É só uma gravidez, Carol, para com isso. Está tudo bem, você vai conseguir”. E já começou a passar a mão na minha barriga...

Inclusive a aceitação dela foi muito mais rápida do que a minha própria aceitação porque eu pensava no que eu ia fazer, como eu ia conciliar tudo, eu tinha acabado de entrar em um estágio e não tinha licença-maternidade... E eu fiquei pensando como ia fazer. 

Jamais pensei em interromper a gravidez ou largar a faculdade.

Quando o Bernardo nasceu, eu estava no 5º semestre de Direito. Como ele nasceu em julho, consegui a licença na faculdade e não precisei parar de estudar. Não tive medo de não conseguir fazer a faculdade porque a gente sempre teve muito apoio. Minha maior preocupação era em como pagar a faculdade. Mas deu tudo certo.

Os conteúdos das aulas eu pegava com meus amigos e estudava em casa e fui para faculdade apenas fazer as provas finais. Consegui concluir o meu curso no prazo esperado e me formei com meus amigos com quem entrei na faculdade. Apesar de tudo isso, jamais pensei em interromper a gravidez ou largar a faculdade.

Atualmente sou advogada e trabalho em um escritório renomado em São Paulo. Até hoje, alguns dias são mais difíceis que os outros, e sei que a maternidade é igual um jogo de vídeo game; a cada fase que você passa, fica mais difícil.

Só que eu garanto que nada nesse mundo é mais gratificante do que um sorriso no fim de um dia conturbado, um “eu te amo” em um momento de fragilidade, ou simplesmente aquela hora que você se pega olhando para o bebê e percebe o quão sortuda você é, por poder dividir sua vida com alguém que você realmente ama incondicionalmente.

Carolina Agostineli é dona do 20º depoimento do projeto “Prazer, Sou Mãe”. Ela tem 24 anos, é mãe do Bernardo de 4 anos. É advogada e mora em São Paulo.