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04/04/2020 12:28 -03 | Atualizado 04/04/2020 14:43 -03

Carlos Bolsonaro ataca Mourão no Twitter e intensifica tensão na ala militar

Vereador do Rio reproduziu post de Flávio Dino (PCdoB), em que elogia reunião "técnica" e "respeitosa" com o vice-presidente.

Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador pelo Rio de Janeiro, atacou o vice-presidente Hamilton Mourão em uma publicação realizada no Twitter na noite desta sexta-feira (3). Carlos insinuou que Mourão conspira para tirar seu pai da presidência. No atual contexto, comentário agrava tensão no governo.

O comentário vem em momento inoportuno e tenso na ala militar do governo - a qual Mourão pertence -. Este segmento vem tentando contornar os conflitos de Bolsonaro com governadores e o ministro da Saúde na crise do coronavírus.

O vereador reproduziu uma postagem de Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, na qual ele relatava uma reunião virtual do Conselho da Amazônia com Mourão. O encontro, realizado com todos os chefes estaduais da região, aconteceu na última quinta-feira (2).

“O que leva o vice-presidente da república se reunir com o maior opositor SOCIALISTA do governo, que se mostra diariamente com atitudes totalmente na contramão de seu Presidente?”, escreveu Carlos.

Na imagem publicada pelo filho do presidente Jair Bolsonaro, Dino afirma que teve uma “reunião com diálogo técnico, respeitoso e sensato. Claro que Mourão não é do meu campo ideológico. Mas, se Bolsonaro entregar o governo para ele, o Brasil chegará em 2020 em melhores condições.”  

Mais tarde, após a repercussão negativa da mensagem publicada na rede social, Carlos criticou os jornais. “Uma pessoa que se dá ao trabalho de tirar conclusão em cima de 3 linhas ignorando as outras 5 escritas é digno de trabalhar em qualquer órgão da maioria da imprensa”, escreveu no Twitter.

Não é de hoje que Carlos sugere que Mourão quer a cadeira de seu pai. Desde a campanha eleitoral, Mourão e os filhos do presidente demonstram não ter uma relação harmoniosa. No ano passado, primeiro ano de governo Bolsoanro, Carlos atacou diretamente o vice-presidente repetidamente nas redes sociais.

Carlos já se referiu ao vice-presidente como “o tal de Mourão” e “queridinho da imprensa” e destacou uma fala do general fora de contexto em que ele disse para “acabar com a vitimização” em torno do atentado a Jair Bolsonaro.

Ele também já criticou menções ao vice, como, por exemplo, na apresentação de um evento no think tank Wilson Center em Washington, ano passado em que o general é apresentado como “uma voz da razão e moderação” em um governo que enfrenta “paralisia política em parte causada por sucessivas crises geradas pelo círculo próximo ao presidente, se não por ele mesmo”.  

O contexto em que os ataques acontecem

Getty Images/Montagem/HuffPost
O vice-presidente Hamilton Mourão (à esq.) e o vereador Carlos Bolsonaro (à dir.)

Mesmo com o histórico de ataques a Mourão, o momento atual em que Carlos insinua novamente “conspiração” do vice-precidente é outro. É a ala militar quem tem evitado “o pior” no governo diante da crise do coronavírus e impede que Bolsonaro demita Mandetta e se envolva em crise com governadores.

Já a ala radical, liderada por Carlos Bolsonaro, é entusiasta de uma mudança nos rumos do tratamento que vem sendo dado ao discurso sobre o coronavírus no País. 

Foi inclusive o filho do presidente quem o incentivou a dizer na entrevista à Jovem Pan que o ministro precisa de “mais humildade”. É também Carlos que estimula o pai a travar batalhas e elevar o tom nas redes sociais, com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada. 

Em Brasília, há um clima de tensão no ar. Teme-se a demissão do ministro, porque em seu lugar, o mais cotado para a vaga é o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, chamado pelos corredores de “o terraplanista”. 

Uma ala, porém, duvida que Bolsonaro tenha coragem de “bancar” demissão de Mandetta, embora, na entrevista de quinta, tenha afirmado que “nenhum ministro seu é “indemissível”. Isto porque o chefe do Ministério da Saúde tem sido muito bem avaliado e sua condução da crise do coronavírus.