COMPORTAMENTO
26/06/2019 19:32 -03

Cadeirante lança um novo olhar sobre a proibição de canudos de plástico

"As pessoas que comemoram o fim do canudo plástico, que é dobrável e não machuca, nunca tentaram dar nada pra um PcD [pessoa com deficiência] como eu beber."

Na última terça-feira (25), o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, sancionou uma lei que proíbe o fornecimento de canudos de plástico em estabelecimentos da cidade.

A medida prevê uma multa de R$ 8 mil para quem descumprir a legislação e, no lugar do plástico, o estabelecimento deverá oferecer opções de material reciclável, biodegradável ou comestível.

A decisão foi celebrada, já que o canudinho foi eleito recentemente o inimigo número um do meio ambiente.

Isso porque, só nos Estados Unidos, cerca de 500 milhões de canudos são usados diariamente. Além disso, o Fórum Econômico Mundial estima a existência de 150 milhões de toneladas métricas de plásticos nos oceanos.

A contestação da medida por uma usuária do Twitter, no entanto, tem chamado a atenção de internautas.

A jovem Marina Batista, que usa o perfil @rodandopelavida na rede social, é cadeirante e possui uma doença degenerativa que, em alguns momentos, a obriga usar os canudos de plástico para a ingestão de uma dieta líquida.

Em uma sequência de tuítes publicados na terça, ela tentou explicar por que a proibição é uma medida que não considera as pessoas com deficiência.

Alguns usuários questionaram se os canudos de inox seriam uma opção viável para as pessoas com deficiência... 

Mas Marina explicou que, em muitos casos, eles não funcionam porque o material não tem muita maleabilidade.

Também perguntaram sobre os canudinhos de silicone ou outros tipos biodegradáveis...

E ela reforçou o que para algumas pessoas pode até parecer um detalhe, mas que para outras faz muita diferença na hora de usar o canudo.

Em outro tuíte, um usuário chegou a questionar o impacto da proibição na comunidade marinha e se a jovem não estaria sendo “egoísta”.

Mas será que é eficiente salvar tartarugas e deixar as pessoas com deficiência sem acesso à alimentação ou a ingestão de remédios por meio do canudo?

Será que é eficiente banir completamente os canudos, mesmo sabendo que existem pessoas que dependem dele? São essas as questões que Marina trouxe.

Marina afirma que os canudinhos poluem os mares, mas não são os únicos responsáveis pela morte de animais marinhos. Além disso, são necessários para a vida de muitas pessoas com deficiência. Para ela, a proibição é algo exagerado que exclui essas pessoas da decisão.

A cadeirante, contudo, se diz a favor da conscientização sobre o uso dos canudinhos de plástico.