ENTRETENIMENTO
27/07/2019 14:27 -03 | Atualizado 27/07/2019 14:29 -03

Campanha criada por Taystee em OITNB agora é real e quer estimular 'reforma criminal'

"The Poussey Washington Fund" visa arrecadar fundos para ONGs que trabalham diretamente com o sistema carcerário nos EUA.

Divulgação/Netflix
Poussey Washington, personagem de Samira Wiley, em cena de Orange Is The New Black, da Netflix.

Orange Is The New Black, série original da Netflix, é conhecida por ter construído uma narrativa inovadora que expôs nuances da vivência de desigualdade na vida das mulheres nas prisões dos Estados Unidos. E levar esta iniciativa para fora da tela parece algo natural para a plataforma.

Com a chegada da temporada final na última sexta-feira (26), a série criada por Jenji Kohan anunciou que o “The Poussey Washington Fund” se tornou realidade e vai ajudar pessoas e organizações que sofrem com o encarceramento em massa e são afetadas pelo sistema de justiça criminal. 

A iniciativa, segundo a Netflix, é criada por Taystee, personagem da atriz Danielle Brooks nesta última temporada. Além de ser uma homenagem à sua melhor amiga, Poussey Washington, que foi assassinada por um guarda da prisão, na série, o projeto visa empoderar financeiramente ex-presidiárias. 

“Com a ‘Poussey Washington Fund’, nossos personagens podem viver e continuar a causar impacto após o fim da série”, disse Kohan segundo a Hollywood Reporter. “Taystee reconheceu a oportunidade de fazer a diferença para suas companheiras na prisão. Não vimos nenhum motivo para não colocar essa iniciativa no mundo real.”

Na “mundo real”, a fundação Poussey Washington, que é administrada pelo GoFundMe, já está no ar e quer estimular pessoas a fazer doações para incentivar o trabalho de oito organizações sem fins lucrativos. Entre elas, a unPrison Project e Women’s Prison Association. 

“A equipe de criação da Orange Black The New Black criou o fundo para apoiar as organizações em seus esforços para repensar, revisar e reformar a justiça na América”, explica texto de divulgação do projeto. Contribuições individuais serão divididas igualmente entre as organizações envolvidas no projeto.

Reprodução
Site da iniciativa "Poussey Washington Found" já está disponível.

Mesmo partindo do protagonismo de Piper Chapman, uma presidiária de classe média e branca, ao longo de seis anos, Orange conseguiu expor desigualdades e usou um espaço para discutir questões sociais. Entre elas, a desigualdade racial no sistema de justiça criminal e prisional.

O assassinato de Poussey na 5ª temporada foi um catalisador para trazer a discussão pungente sobre violência policial nos Estados Unidos, assim como reforçar a vivência não só de mulheres negras, mas também latinas, e lésbicas.

A série é baseada em Orange Is the New Black: My Year in a Women’s Prison (O laranja é o novo preto: Meu ano em uma prisão feminina, em tradução livre), livro de memórias de Piper Kerman, sobre o tempo que passou na FCI Danbury, uma prisão federal de segurança mínima dos EUA e foi lançada em 2013.

“Vimos como Orange impacta você e as pessoas em todo o mundo”, disse a atriz Samira Wiley ― que interpreta Poussey ― no vídeo acima, que conta com depoimentos de fãs que tiveram suas vidas tocadas pela série.

“Ficamos honrados em contar as histórias desses personagens e aprendemos, principalmente, que o sistema está falhando com as mulheres, tanto dentro quanto fora da prisão”, completa Wiley.