LGBT
13/02/2020 13:49 -03 | Atualizado 14/02/2020 13:33 -03

Caloi lança bicicleta 'Rainbow' e vai reverter 100% dos lucros à ONG Casa 1, em São Paulo

A marca aponta, em seu posicionamento, que "fabricamos ciclistas. Mas, antes de tudo, fabricamos respeito."

“Como diz a nossa assinatura, fabricamos ciclistas. Mas, antes de tudo, fabricamos respeito”. É com este posicionamento que a Caloi, tradicional marca de bicicletas no Brasil, anunciou, nesta quinta-feira (13), o lançamento da “Caloi Rainbow”, modelo que visa apoiar causa LGBT

Com essa causa em mente, a empresa afirma que 100% dos lucros arrecadados com a venda da Rainbow serão doados para a Casa 1, um centro de acolhida em São Paulo para LGBTs que foram expulsos de casa ou que estão em situação de rua por sua orientação sexual e identidade de gênero.

“Acreditamos que fazemos o que fazemos porque ‘Movemos pessoas por um mundo melhor’, como diz nosso propósito. E dar visibilidade a causas tão latentes faz nossos pedais girarem mais rápido e nosso guidão apontar na direção de uma sociedade mais justa”, diz Eduardo Rocha, diretor de marketing da Caloi. “Temos orgulho de ser uma empresa para todos”, completa.

Divulgação
Foto ilustrativa do modelo da "Caloi Rainbow". 

A ideia foi criada pela agência Tribal WorldWide. Mas chegada do modelo ao mercado, junto à ideia de abraçar e apoiar a causa LGBT é também resultado da criação, em janeiro de 2019, do “Comitê da Diversidade” na empresa.

Composto por funcionários, em junho do ano passado, o Comitê tomou a iniciativa de apresentar um novo posicionamento da empresa ao alterar as cores do logotipo da Caloi em comemoração ao mês LGBT. 

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Parada do Orgulho LGBT, realizada na Avenida Paulista, em 2019.

Com grafismo exclusivo que remete às cores da bandeira LGBT, a Rainbow é equipada com freios a disco, quadro de alumínio, suspensão dianteira, câmbio traseiro shimano de 21 velocidades e aro 29 de parede dupla.

“Trata-se de um modelo mountain bike que além das trilhas também supera todos os limites do asfalto das pequenas, médias ou grandes cidades”, descreve a marca.

Em edição limitada, inicialmente de 260 unidades, o modelo será comercializado por R$ 1.129,00, exclusivamente no Mercado Livre

Os números da violência contra LGBTs no Brasil

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Canal oficial do governo, o Disque 100 recebeu 1.720 denúncias de violações de direitos de pessoas LGBT em 2017, sendo 193 homicídios.

De acordo com o Atlas da Violência do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cresceu 10% o número de notificações de agressão contra gays e 35% contra bissexuais de 2015 para 2016, chegando a um total de 5.930 casos, de abuso sexual a tortura.

Canal oficial do governo, o Disque 100 recebeu 1.720 denúncias de violações de direitos de pessoas LGBT em 2017, sendo 193 homicídios. A limitação do alcance do Estado é admitida pelos próprios integrantes da administração federal, devido à subnotificação e falta de dados oficiais.

Por esse motivo, os levantamentos do Grupo Gay da Bahia, iniciados na década de 1980, se tornaram referência.

Em 2018, a organização contabilizou 420 mortes de LGBTs decorrentes de homicídios ou suicídios causados pela discriminação. O relatório “População LGBT Morta do Brasil” mostra, ainda, um aumento dos casos desde 2001, quando houve 130 mortes.

O grupo divulgou nova pesquisa que aponta 141 vítimas entre janeiro e o dia 15 de maio deste ano. De acordo com o relatório, ocorreram 126 homicídios e 15 suicídios, o que dá uma média de uma morte a cada 23 horas por homofobia.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em junho deste ano, que a LGBTfobia deve ser equiparada ao crime de racismo até que o Congresso Nacional crie uma legislação específica sobre este tipo de violência. Pena é de até 3 anos e crime será inafiançável e imprescritível, como o racismo.