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O que a ciência diz sobre o estresse te deixar de cabelos brancos

Pela primeira vez, os pesquisadores de Harvard conseguiram explicar as origens dos cabelos brancos.

Eu lembro exatamente do dia em que me olhei no espelho e notei o meu primeiro fio de cabelo branco. Foi em dezembro, em meio às entregas de fechamento do ano. O que eu pensei? Eita.

Mas seria coincidência o fato de eu estar em um período maior de estresse e o surgindo do fio grisalho? De acordo com a ciência, não.

Pela primeira vez, pesquisadores da Universidade de Harvard conseguiram associar o fato de que o estresse ativa parte do nosso sistema nervoso relacionado às respostas de “fuga” do nosso corpo, e isso traz danos permanentes às células responsáveis pela pigmentação dos folículos capilares. Ou seja, uma vez que os fios grisalhos aparecem, eles são irreversíveis.

O estudo, publicado na revista científica Nature, reforça o conhecimento popular de como o estresse afeta o nosso organismo e também traz alguns caminhos para criarmos soluções em relação aos efeitos dele.

Como o estudo sobre cabelo branco e estresse foi feito?

Não é novidade que o estresse traz efeitos negativos para todo o nosso corpo. Então, o primeiro passo dos pesquisadores foi entender qual sistema era responsável por conectar o estresse e a mudança na cor do cabelo.

A primeira versão do estudo indicava que o estresse provocava um ataque imunológico às células produtoras de pigmentos. No entanto, em determinada parte do estudo, os pesquisadores voltaram sua atenção para o hormônio do estresse, o cortisol. Mas, novamente, não era essa a explicação que respondia a pergunta.

Depois de eliminar essas e outras possibilidades, os pesquisadores aprimoraram a análise do sistema nervoso simpático, responsável pela resposta de luta ou fuga do corpo quando estamos sob estresse.

E foi aí que os cientistas descobriram que o estresse fazia que esses nervos liberassem uma substância química chamada norepinefrina.

Essa substância faz que as células-tronco se ativem excessivamente. Por sua vez, as células-tronco funcionam como um reservatório de células produtoras de pigmentos.

Sob uma situação de estresse, todas as células-tronco se transformam em células produtoras de pigmentos. Mas, depois de alguns dias de atividade, todas essas células morrem; portanto, não resta nenhuma célula responsável pela coloração dos cabelos.

Se, por um lado, o estresse é visto como algo benéfico para a nossa sobrevivência, por outro, diversos estudos estão mostrando os impactos negativos de se manter em uma rotina estressante constantemente.

“Compreender como nossos tecidos mudam sob estresse é o primeiro passo para um tratamento eventual que pode interromper ou reverter o impacto prejudicial do estresse”, disse Ya-Chieh Hsu, um dos pesquisadores de Harvard. “Mas ainda temos muito o que aprender nessa área.”