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Burger King lança 'combo abstinência' para quem não quer 'abrir mão dos prazeres da carne'

Marca embarcou na mais nova polêmica do governo Bolsonaro para promover o sanduíche à base de plantas.

O Burger King decidiu ajudar a campanha do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos que promove a abstinência sexual entre jovens como método para evitar a gravidez. Para aqueles que não querem “abrir mão dos prazeres da carne”, a rede de fast-food lançou nesta sexta-feira (31) o combo Abstinência.

A marca embarcou na mais nova polêmica da pasta comandada pela ministra Damares Alves para promover o novo sanduíche à base de plantas, o Rebel Whopper.

“A abstinência é o assunto do momento, tanto na imprensa quanto nas conversas nas redes sociais, assumindo o primeiro lugar nos trend topics do Twitter”, informou a rede em nota. “Por isso, o BURGER KING, que não perde tempo – nem oportunidade, encontrou a solução para consumidores que querem sentir o prazer da carne grelhada, mas sem carne, com o lançamento do combo Abstinência.”

O combo leva o Rebel Whopper, free refill e batata frita. Normalmente o combo custa R$ 29,90, mas nesta promoção, que vai até o final de fevereiro, irá custar R$ 19,90.

“É com muito humor, ousadia e criatividade que lançamos o Combo da Abstinência para aqueles que amam o gosto do Whopper, mas não querem comer carne”, comenta o Vice-Presidente de Marketing do Burger King Brasil, Ariel Grunkraut.

A campanha do combo polêmico foi publicada nesta sexta-feira nas redes sociais da marca com a hashtag #RelaxaeGosta ― pouco sugestivo, não?

“O Burger King trabalha com o dedo no pulso da cultura, antecipando os assuntos que vão bombar. Sempre com nosso ângulo. Com o lançamento do combo Abstinência, vimos a oportunidade de falar do Rebel Whopper do jeito da marca”, disse Rogério Chaves, diretor de criação associado.

Política de ‘abstinência sexual’

No início de janeiro, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos informou que vai elaborar ações em defesa da abstinência sexual entre jovens como método para evitar a gravidez. A pasta comandada por Damares Alves diz que o novo programa não vai se contrapor ao estímulo ao uso de preservativos e outros métodos contraceptivos para pessoas acima de 14 anos.

Em nota divulgada, o ministério afirmou que “a proposta é oferecer informações integrais aos adolescentes para que possam avaliar com responsabilidade as consequências de suas escolhas para o seu projeto de vida. Dessa forma, essa política está sendo considerada como estratégia para redução da gravidez na adolescência por ser o único método 100% eficaz.”

A campanha foi alvo de críticas de internautas e artistas. Em entrevista recente ao HuffPost Brasil, a cantora Anitta classificou de “loucura” e “grande hipocrisia” a campanha de Damares.

“Se você quer prevenir a doença, se você quer fazer um controle de natalidade, não adianta você falar: ‘façam abstinência sexual’. Imagina se os jovens no meio do Carnaval vão escutar isso, se vão pensar nisso”, disse a cantora no início da noite da última segunda-feira (27), acrescentando que não estudou a fundo a proposta.